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Especiais O POVO

SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL

Segunda temporada

por RÁDIO O POVO/CBN em 24/12/2020
EDITORIAL

O que faz uma empresa ser sustentável?

Por Amanda Araújo

Mais do que redução de danos ao meio ambiente, a sustentabilidade empresarial envolve responsabilidade social e conduta ética

Nesta segunda temporada do Sustentabilidade Empresarial, olhamos para um termo que ganha cada vez mais força: ESG – Environmental, social and governance. Um conjunto de normas que alinha as estratégias de donos e administradores de uma instituição, mantendo um padrão de responsabilidade e conduta ética que é compartilhado entre funcionários, gestores, acionistas e demais integrantes da cadeia de negócios.

Em entrevista, o presidente do Conselho do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, Hugo Bethlem, explica como atua o movimento que busca ajudar a transformar o jeito de fazer investimentos e negócios no Brasil, "multiplicando os pilares que levam a uma gestão mais humana, mais ética e mais sustentável para diminuir a desigualdade."

Esses e outros assuntos já reverberam na Rádio O POVO/CBN, por meio do programa Sustentabilidade Empresarial, que é veiculado semanalmente até o próximo dia 1º de dezembro, às terças, 15h30min. "A sustentabilidade é um tema em que as pessoas são protagonistas, seja pelo consumo de recursos naturais, ou pela demanda de respostas à sociedade de suas expectativas por um mundo mais justo e inclusivo. O rádio, em suas diversas plataformas, consegue chegar a um público que precisa se informar do futuro das próximas gerações, assim como do impacto gerado pela geração atual", explica um dos apresentadores e sócio-diretor da Dialogus Consultoria em Responsabilidade Social, Maiso Dias.

Os programas são ao vivo e trouxeram, ao longo da temporada, os maiores especialistas do País como convidados. "O impacto de levar um programa que debate e informa sobre a sustentabilidade no rádio, do Ceará, foi ter sido pioneiro, e é um veículo que se diferencia dos outros principais meios de comunicação pelo fato de permitir a interação do ouvinte, diretamente. Ampliamos a visibilidade do tema para toda a sociedade civil cearense", acrescenta o coordenador do projeto Sustentabilidade Empresarial, Wagner Mendes.

Confira, nas páginas a seguir, alguns dos assuntos que movimentam a agenda de sustentabilidade empresarial no País.

Listen to "Sustentabilidade Empresarial" on Spreaker.

Impacto social das empresas: como agir?

Por Ana Beatriz Caldas

Lucro não é o único fator a se considerar para manter a sustentabilidade do negócio

Eneva: departamento de responsabilidade social foca em educação, geração de renda e agricultura familiar

Eneva: departamento de responsabilidade social foca em educação, geração de renda e agricultura familiar (Foto: divulgação)

Mesmo antes da pandemia, o mercado já vinha se alinhando a questões relativas à sustentabilidade e responsabilidade social. Com a pandemia, porém, o debate sobre a crise econômica e ambiental que o mundo enfrenta se tornou ainda mais relevante - especialmente por causa das previsões de especialistas que alertam que podemos enfrentar novas pandemias nos próximos anos.

Com essa mudança de estratégia, quem possui um negócio tende a ampliar o olhar sobre seu público final. “As empresas vêm, de alguma forma, querendo redefinir o capitalismo, no Brasil e no mundo.

A ideia de que a única responsabilidade social da empresa é gerar lucro para seus acionistas está ultrapassada, porque já se sabe que os tempos hoje são outros, nós evoluimos. É preciso pensar também na sociedade”, ressalta o diretor da Dialogus Consultoria em Responsabilidade Social, Maiso Dias.

Para que seja gerado um real impacto social, as ações das empresas devem ser planejadas com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) que integram a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que tem como intuito proteger o planeta e promover dignidade para todos os seres humanos. Seguindo essa premissa, a Eneva, empresa brasileira que trabalha na geração de energia e produção de gás natural, tem um departamento de responsabilidade social focado em três pilares: educação, geração de renda e agricultura familiar, fortalecendo o desenvolvimento das comunidades onde a organização atua.

“Temos projetos que visam a erradicação do analfabetismo, projetos para capacitação de professores que atuam na primeira infância e processos de formação da atenção básica. Entendemos que a educação é o pilar mais importante para a melhoria de vida das comunidades. Também trabalhamos muito a questão do empreendedorismo social com fornecedores locais, impulsionando o comércio oriundo da agricultura familiar”, explica Elizabeth Teles, coordenadora de Responsabilidade Social da empresa.

Na pandemia, os projetos foram readaptados e ampliados, com novas ações para manter a sustentabilidade e autonomia das comunidades. “Realizamos ações preventivas contra a Covid-19, entregando sete mil kits de prevenção para lideranças comunitárias e também auxiliamos na geração de renda, fazendo um consórcio com as costureiras e artesãs locais em que nós demos o material e compramos a produção de máscaras e jalecos delas”, conta Elizabeth. Como as comunidades ainda sofrem com o efeito do período mais duro da pandemia, o contrato permanece ativo, bem como a doação de cestas básicas. “Não queremos interromper as ações agora porque a situação amenizou, porque os impactos socioeconômicos ainda estão acontecendo”, completa.

 

Parceria entre capital privado e terceiro setor transforma vidas

Nem sempre é necessário, no entanto, que empresas de capital privado realizem ações de impacto social de maneira independente. Para Fabrini Andrade, diretora do Instituto do Povo do Mar (IPOM), as parcerias das empresas com as organizações do terceiro setor são o caminho ideal para que a sociedade se torne mais justa e igualitária. “As empresas não precisam, necessariamente, ‘inventar a roda’ e estruturar todo um departamento interno, pois eles têm a nós, as organizações que já atuam com responsabilidade social. Quem tem interesse em formar parcerias pode buscar instituições sérias e associar o core business da empresa com o core social da instituição”, pontua.

De acordo com a gestora, a pandemia tem fortalecido esses laços. No caso do IPOM, empresas que já eram parcerias se aproximaram ainda mais, ampliando doações, e foram formalizadas novas parcerias com outras organizações. A partir dessa mudança, o instituto, que antes atuava apenas nas comunidades do Serviluz e Praia do Futuro, hoje consegue chegar até a região da Cidade 2000 e do Morro Santa Terezinha. “Diante de tanta tristeza e incerteza, pudemos encontrar valores humanos adormecidos, como a solidariedade. Esse foi o momento em que a sociedade civil mais colaborou, entendeu e se aproximou do nosso trabalho”, conta Andrade.

 

Sustentabilidade na prática: como gerar um impacto social positivo?

1 - Avaliar os impactos atuais da empresa na sociedade (positivos e negativos);

2 - Analisar oportunidades vindas dessas externalidades;

3 - Fazer uma análise das melhores práticas de mercado (benchmarking) e compreender quais empresas tem maior impacto social positivo no Brasil;

4 - Buscar fundos de investimento em impacto social.

*Fonte: Maiso Dias, diretor da Dialogus Consultoria em Responsabilidade Social

As parcerias são a saída para uma sociedade mais justa e igualitária

Fabrini Andrade

Como a governança corporativa pode ajudar seu negócio?

Por Ana Beatriz Caldas

Normas contribuem para valorização financeira e simbólica das empresas e podem ser aplicadas em instituições de todos os portes

Enquanto o Brasil começa a caminhar em direção à retomada econômica, uma série de apontamentos sobre responsabilidade social e sustentabilidade dos negócios começa a despontar em congressos, seminários e pesquisas. Com a forte crise causada pelo coronavírus, mudanças que já eram esperadas no mercado e na construção das marcas foram aceleradas, e cada vez mais percebeu-se que dispensar pouco tempo para trabalhar a reputação do negócio pode atrapalhar – e até encerrar – uma trajetória de sucesso.

Inec atua em projetos sociais que envolvem educação, sustentabilidade e profissionalização

Inec atua em projetos sociais que envolvem educação, sustentabilidade e profissionalização (Foto: Divulgação)

Dentre as soluções para manter a sustentabilidade de uma empresa, seja ela de grande ou pequeno porte, está a implementação da governança corporativa, um conjunto de normas que alinha as estratégias de donos e administradores de uma instituição, mantendo um padrão de responsabilidade e conduta ética que é compartilhado entre funcionários, gestores, acionistas e demais integrantes da cadeia de negócios.

O sistema, segundo Pedro Melo, diretor geral do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), é estruturado a partir de quatro pilares: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. Juntas, essas ações costumam valorizar as organizações a nível financeiro (para o mercado) e simbólico (para o consumidor final), além de equilibrar a gestão tributária e evitar crises de imagem.

“É muito importante que as empresas façam um balanço dos seus valores e suas estratégias organizacionais e elaborem uma orientação de boas práticas que contemple a responsabilidade socioambiental. Essas práticas servirão para nortear, de forma transparente e ética, as atividades da organização considerando seu modelo de negócio e diversidade de capital – financeiro, manufaturado, intelectual, social e reputacional”, explica Melo.

Governança para gerar frutos

Pesquisa realizada pelo IBGC em julho deste ano aponta que “organizações que estão em um estágio de governança mais maduro, ou seja, que têm um grau de transparência, planos de negócio, entendimento do seu ciclo de atividades com seus stakeholders, tiveram a capacidade de buscar soluções mais rapidamente para a crise de coronavírus”.

Na Unimed Fortaleza, a estrutura de governança é composta por 13 órgãos de regulamentação e fiscalização, como auditorias internas e contábeis, conselhos fiscais e técnicos, comitê de conduta ética e conselho de administração. Além disso, a empresa realiza, anualmente, eventos como o Fórum de Sustentabilidade e Governança Corporativa, o Encontro de Compliance, bem como cursos voltados para as boas práticas. “Temos consciência dos impactos gerados em termos de resíduos de saúde, consumo de água e energia. Também estamos investindo em ambientes administrativos e Unidades de Saúde cada vez mais humanos e sustentáveis”, diz a gestora de Governança Corporativa da Unimed Fortaleza, Regina Portela.

Não só empresas de capital privado obtém benefícios ao aderir a técnicas de governança corporativa. O Instituto Nordeste Cidadania (Inec), que atua no auxílio ao acesso de microcrédito e em projetos sociais, vem profissionalizando a governança nos últimos cinco anos. Hoje possui uma estrutura muito similar à de qualquer empresa de capital privado, conta Roque Martins, diretor financeiro e de controle do Instituto. “Contamos com treinamentos, conselhos e assembleia geral para dar uma resposta transparente aos nossos parceiros. Sempre publicamos todos os demonstrativos financeiros, relatórios e atividades. Isso garante a renovação dos termos de garantia com o BNB e tem rendido parcerias”, afirma.

OS 4 PILARES DA GOVERNANÇA CORPORATIVA

TRANSPARÊNCIA – Todas as partes informadas sobre decisões e normas;

EQUIDADE – Equilíbrio das diversas partes investidoras;

PRESTAÇÃO DE CONTAS - Administração deve ser responsável pelos seus atos e seguir as regras;

RESPONSABILIDADE CORPORATIVA – Zelo pela viabilidade financeira das organizações, garantindo a longevidade.

IPOM

No Instituto Povo do Mar, crianças, adolescentes e jovens de cinco a 29 anos podem acessar serviços que, muitas vezes, não chegam através do poder público. Na instituição, são ofertadas atividades educacionais, artísticas e esportivas, e competências socioemocionais que auxiliam no acesso ao mercado de trabalho são desenvolvidas. Também há um programa de empreendedorismo social, para, segundo Fabrini Andrade, “mostrar que todos os jovens podem sonhar – e também realizar”.

Nos últimos seis meses, através da consolidação de parcerias, o instituto distribuiu mais de quatro mil refeições diárias, 20 toneladas de alimento, quatro mil cestas básicas, mil ovos de páscoa e onze mil máscaras, além de kits educacionais para as crianças que estão retornando às atividades presenciais em sala de aula.

Para todos os tamanhos

Processos que fazem parte da governança corporativa, como a realização de auditorias internas e externas, costumam ser atrelados a empresas de grande porte, com muitos funcionários e alta receita, o que faz com que empreendedores de pequeno e médio porte desconsiderem a importância do sistema em seus negócios.

No entanto, segundo Rafael Rocha, consultor da Dialogus Consultoria em Responsabilidade Social, a governança corporativa pode ser adotada por organizações de todos os tamanhos – inclusive startups, pequenos negócios e empresas do terceiro setor – gerando benefícios a longo prazo para organizações e sociedade.

“A gente tem que quebrar esse tabu de a governança ser algo tão complexo, porque isso acaba afastando alguns profissionais e instituições desse conceito. Afinal, esse sistema não é apenas registrar e documentar processos: ele tem um papel fundamental na sustentabilidade dos negócios”, lembra Rafael.

Como implementar um código de ética na minha empresa?

Uma das ferramentas mais importantes da gestão corporativa, o código de conduta deve ser institucionalizado e amplamente divulgado entre o quadro de funcionários:

- Consultar os públicos de interesse da organização com relação às condutas éticas;
- Identificar e mapear os principais conflitos éticos existentes na relação do trabalho;
- Alinhar resultados com a alta administração e validar as condutas éticas mais vivenciadas. Após esse momento, deve ser elaborada uma minuta do código, fazendo um link com a identidade organizacional e os objetivos do desenvolvimento sustentável;
- Elaborar, junto ao departamento jurídico da instituição, um mapa de consequências, ou seja, as penalidades que serão impostas caso as normas sejam desrespeitadas. Questões relacionadas à diversidade e inclusão devem ser amplamente observadas;
- Divulgar o código para o público interno e demais públicos ouvidos, e compartilhá-lo no site oficial e nas redes sociais da empresa.
*Fonte: Rafael Rocha, consultor da Dialogus

Artigo: O ESG como um novo imperativo para a sustentabilidade

Por Maiso Dias

A sustentabilidade tem sido, nos últimos meses deste ano de 2020, um assunto bastante presente na agenda corporativa de muitas empresas que se preocupam com o seu impacto na sociedade, principalmente quando se refere a sua imagem perante os investidores e seus principais stakeholders (públicos de interesse).

Um termo novo da sustentabilidade surge neste cenário de competitividade da governança das instituições como uma iminente demanda estratégica para as organizações, mas não tão novo como alguns gestores da área interpretam. Trata-se de um termo em inglês ESG (Enviromental, social and governance), traduzindo para o português: ambiental, social e governança. Para os que já estudam o tema, não é um termo tão incomum, pois lembra outro, bastante citado, aplicado e conhecido mundialmente, que se chama Triple Bottom Line, ou seja, tripé da sustentabilidade - que significa econômico, social e ambiental - do autor renomado internacionalmente John Elkington.

O termo ESG ganhou força desde o ano de 2019, quando o CEO da BlackRock, maior gestora de ativos (investimentos) do mundo, lançou uma carta (manifesto) ressaltando que as empresas não serão capazes de gerar lucros no longo prazo se não tiverem um propósito e não considerarem as necessidades de uma visão multistakholder, ou seja, se não defenderem as demandas dos públicos com os quais se relacionam (clientes, comunidade, fornecedores, governo, imprensa, investidores etc.)

“O propósito, acima de tudo, é o motor da lucratividade de longo prazo”, disse Larry Fink, CEO da BlackRock.

O ESG significa índices que representam o valor gerado pelas práticas éticas e de sustentabilidade de uma empresa em seu desempenho nas operações financeiras. A estrutura ESG era usada anteriormente apenas por investidores para determinar investimentos específicos, mas, atualmente, o termo ganha visibilidade e destaque por uma boa governança no tema da sustentabilidade porque ganhou reconhecimento entre todos os investidores, influenciadores do mercado e apreciadores de um público que valoriza as boas práticas socioambientais de uma empresa.

Destaco três razões pelas quais uma organização com fins lucrativos deve prestar atenção no ESG e adotar em suas instituições:

1) Engajamento dos investidores – Tornou-se um critério de priorização de investimento quando se trata das demandas da sociedade. Aumentou-se a expectativa sob um olhar de quem pode contribuir ainda mais para a potencialidade do impacto positivo.

2) Comportamento dos consumidores – Uma pesquisa da Nielsen, de 2017, relata que 81% dos consumidores acreditam categoricamente que uma empresa deve ajudar a melhorar o meio ambiente, mais de 60% dos consumidores estão preocupados com a crise hídrica, as emissões poluentes e o uso não consciente dos plásticos; agora, imagine esta pesquisa sendo realizada nesta pandemia. E já temos, sim, novas pesquisas realizadas pelo Instituto Akatu. Basta conferir.

3) Regulamentações como tópicos prioritários para o ESG – As mudanças impostas pela sociedade civil impulsionaram as mudanças das empresas, assim como as mudanças impostas pelas regulamentações tiveram um papel importante para esse movimento. Os países da União Europeia estão mais avançados nesta questão das regulamentações e regras sobre os requisitos para um investimento sustentável. Por outro lado, no Brasil, muito se tem ainda a fazer para que tenhamos um protagonismo no quesito “legislação” mais específico para a agenda de investimentos, porém, já se tem uma grande movimentação no meio empresarial para o termo ESG, e isso é muito bom e nos faz seguir em frente e confiante.

Maiso Dias – Sócio-diretor da Dialogus Consultoria em Responsabilidade Social

Entrevista. Por um Capitalismo Consciente

Por Amanda Araújo

Movimento busca transformar maneira de fazer negócios, com uma gestão humanizada e sustentável

Hugo Bethlem

Hugo Bethlem (Foto: divulgação)

O capitalismo como conhecemos hoje está esgotado. Exemplos para isso não faltam, desastres naturais, fome. Porém, de acordo com o presidente do Conselho do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, Hugo Bethlem, “continua sendo a melhor forma de gerar riqueza e inclusão social das pessoas”. Para que isso dê certo, todos precisam ter oportunidades iguais, e a iniciativa privada é fundamental. Em entrevista por e-mail, Hugo explica o conceito de “Capitalismo Consciente” e as práticas necessárias para construir, a partir disso, uma sociedade melhor.

O POVO - O que é Capitalismo Consciente?
Hugo Bethlem - Capitalismo Consciente é focar os esforços de todos stakeholders, principalmente os gestores, na busca de um propósito maior, onde o lucro será consequência deste alinhamento. Enquanto se busca o lucro para o acionista, se gera riqueza para todos stakeholders, como colaboradores, fornecedores, consumidores, comunidade e o próprio acionista (shareholder). Como movimento, existimos para ajudar a transformar o jeito de fazer investimentos e negócios no Brasil, multiplicando os pilares que levam a uma gestão mais humana, mais ética e mais sustentável para diminuir a desigualdade.

OP - De que forma vocês trabalham esse conceito junto à sociedade?
HB - Nosso papel é de advocacy junto aos líderes empresariais que na verdade fazem a diferença, porque o negócio é o reflexo de sua gente, e as pessoas são reflexo de seus líderes. Então, se os líderes querem transformar seus negócios, eles devem mudar e transformar a si mesmos, como nos ensina Rand Stagen [palestrante de lideranças de negócios conscientes e diretor executivo da Stagen Leadership Academy]. Também por meio de palestras e webinars que fazemos, somados aos materiais distribuídos em nosso blog, chamado “Zine Consciente” para motivarmos e inspirarmos líderes e liderados.

OP - Quais são geralmente os argumentos do Instituto Capitalismo Consciente Brasil para convencer empreendedores e lideranças corporativas da necessidade de negócios mais preocupados com a questão social e ambiental?
HB - Um tema fundamental para o Capitalismo Consciente Brasil são os pilares e investimentos ESG (Ambiental, Social e Governança), onde acreditamos que apenas com uma governança estruturada com propósito e um líder consciente, a empresa poderá efetivamente investir com transparência em ações de sustentabilidade e responsabilidade social, com seus colaboradores e com a comunidade a quem serve. Toda empresa capitalista consciente deve ter valores rígidos de ESG, e todas as iniciativas de ESG devem ter consciência nas suas decisões.

OP - O senhor poderia citar cases no país de empresas que agem e colaboram efetivamente para o Capitalismo Consciente?
HB - Temos muitas empresas que assim o fazem, mas para exemplificar uso os dados apurados na Pesquisa Humanizadas 2018/19 e publicados no livro “Empreendedorismo Consciente - como mudar o mundo e ganhar dinheiro”, escrito por Rodrigo Caetano e Pedro Paro. Algumas são o Bancoob (sistema Sicoob), O Boticário, Natura, Reserva, Cacau Show, Jacto, Klabin etc. A Pesquisa Humanizadas 2020 já está em pleno processo de compilação de dados e deveremos ter novas empresas listadas no início de 2021.

OP - Os funcionários de empresas sustentáveis, em geral, são mais produtivos e felizes. Há dados que comprovam isso. Na sua opinião, por que ainda há negócios que não entendem isso?

HB - Não focaria apenas nas empresas sustentáveis, mas aquelas que têm os pilares do Capitalismo Consciente efetivamente praticados, como propósito maior, interdependência dos stakeholders, cultura e valores e liderança consciente, e que por consequência praticam efetivamente ações de ESG. Essas companhias têm colaboradores mais comprometidos e alinhados com esses valores e, desta maneira, são mais felizes e eficientes. Isso traz muitos benefícios para a empresa e para seus resultados, pois cuidam melhor dos consumidores, fornecedores e comunidade, tendo menos turn-over e sendo mais produtivos. Na Pesquisa Humanizadas os colaboradores das empresas citadas, são 224% mais engajados que os colaboradores da média das 500 maiores empresas do Brasil. Trabalhar por prazer gera muito mais retorno ao acionista também.

OP - Em relação ao papel da iniciativa privada para a construção de uma sociedade melhor. Houve avanço? Qual o cenário que temos atualmente? Ainda há muito espaço para o movimento crescer?
HB - Na nossa opinião, apenas a iniciativa privada, num mercado livre, pode gerar as mudanças que a sociedade necessita, pois todas as ONGs (Organizações Não-Governamentais) e governos unidos não têm essa capacidade. Por isso, cabe às empresas que geram riqueza, a responsabilidade por diminuir a desigualdade. Nós entendemos que o capitalismo continua sendo a melhor forma de gerar riqueza e inclusão social das pessoas, elevando a sua dignidade, desde que todos tenham oportunidades iguais. O desafio é ao mesmo tempo a oportunidade de mobilizarmos mais e mais empresas para mudarmos o jeito de se fazer investimentos e negócios para diminuir a desigualdade.

OP - Qual o papel dos líderes nesse movimento global do Capitalismo Consciente?
HB - O líder sempre dá o “tom” se a sua empresa pode curar uma dor ou causar uma dor na humanidade. O líder consciente deve ser capaz de organizar, mobilizar e engajar as pessoas para atingirem os resultados, alinhados ao propósito. Por isso, cuide das pessoas para que elas cuidem dos negócios, pois como diz Simon Sinek: "grandes líderes dão à todas as pessoas algo para acreditarem e, não simplesmente algo para fazerem".

OP - De que forma a pandemia lança luz ao tema Capitalismo Consciente?
HB - Temos tido muita procura para entender esse momento. A pandemia infelizmente trouxe muitas mortes, perdas de emprego e fechamento de empresas, mas se levarmos somente isso, como as tristes lembranças, não teremos aprendido nada e teremos perdido uma enorme oportunidade de mostrar que o capitalismo para shareholders (acionistas) às custas dos sofrimentos dos demais stakeholders, não deu certo e não pode continuar. A pandemia é um sinal de desmando com o meio ambiente, a crise econômica e a injustiça social em ascensão revelaram que um sistema econômico que recompensa a maximização da riqueza acumulada sobre o bem-estar e que prioriza o individualismo sobre a interdependência está falido. Temos que, juntos e no longo prazo, criar um futuro onde todas as pessoas sejam capazes de trabalhar com dignidade e cuidar delas mesmas e de seus entes queridos, onde o planeta seja saudável e as economias progridam com sustentabilidade.

 

PERFIL

Hugo Bethlem
É presidente do Conselho do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, foi diretor geral da mesma instituição de 2017/2020. Administrador de Empresas e contador com especialização em gestão, empreendedorismo e governança – FGV, Cornell, Babson, IMD, Oxford e Stanford. Mais de 40 anos de experiência como executivo sênior em empresas de varejo, como Carrefour, Dicico e Grupo Pão de Açúcar.

11 tendências de sustentabilidade empresarial pós-Covid

Por Amanda Araújo

Saiba quais são as macrotendências de gestão das empresas que ganham força com o impacto da pandemia de coronavírus

 

1. Propósito antes de lucro

"Novo capitalismo" ou "capitalismo de stakeholder" vai se consolidar. Empresas focadas exclusivamente no lucro serão crescentemente punidas pela sociedade e tendem a desaparecer.

2. Humanos tratados como humanos e não mais meros recursos

As pessoas voltarão a ser o principal ativo de uma empresa. Escritórios serão convertidos em espaços de cooperação e encontro. Fortalecimento da gestão humanizada, com atenção à saúde dos colaboradores.

3. Menos competição e mais cooperação na construção de respostas para os dilemas da sociedade

A pandemia impulsionou a solidariedade, e as empresas precisaram unir recursos para suprir déficits históricos de bem-estar social.

4. Ascensão da noção de interdependência

Estamos todos conectados, é impossível pensar na prosperidade de uma empresa sem considerar os grupos impactados e vulneráveis do entorno. Dessa noção, ficam em alta o consumo consciente e as cadeias de suprimentos mais sustentáveis.

5. Maior transparência gera mais confiança
Não se trata mais de ser transparente, mas "hipertransparente":nenhuma empresa mais poderá se dar ao direito de informar adequadamente suas práticas de sustentabilidade.

6. Investimento social privado cada vez mais estratégico
As empresas têm capacidade de juntar recursos para o enfrentamento de gaps sociais históricos no País.

7. A urgência da regeneração
Esforços das empresas não serão suficientes para conter esgotamento de recursos naturais. Portanto, será imperativo investir em tecnologias verdes disruptivas; economia circular; água como novo carbono; agricultura celular; redução da poluição plástica.

8. Negócios como parte da solução e não parte do problema
O momento exige mais investimento na agenda de sustentabilidade. Em alta, manutenção de florestas em pé, armazenamento de energia, desmaterialização e circuito fechado, eletrificação das frotas de transporte urbano, arquitetura e construções sustentáveis.

9. Reputação baseada em valor compartilhado
Velhas métricas (que enfatizavam familiaridade com produto e marca) tendem a perder peso e passam a ser relevantes na reputação: geração de valor compartilhado, transparência, propósito e percepção de lucro ético.

10. Hora e vez da liderança orientada por valores
Evolução de um novo tipo de liderança: mais ativa e próxima, mais feminina, mais altruísta. Conduzirá a empresa para um modelo mais respeitoso com pessoas e meio ambiente.


11. Atenção maior às mudanças climáticas
A Organização Mundial da Saúde aponta um futuro desanimador: 250 mil mortes adicionais por ano até 2030 decorrentes do aquecimento global. Além de mitigar as duas danos climáticos, será necessário construir um sistema econômico mais justo e humano - investindo em estrutura de habitação, saúde, saneamento, alimentação e educação!

Fonte:
Relatório foi desenvolvido pela Ideia Sustentável, Plataforma Liderança com Valores e Rede Brasil do Pacto Global. Acesse na íntegra em https://ideiasustentavel.com.br/

 

Ricardo Voltolini

Ricardo Voltolini (Foto: Divulgação)

Lição da pandemia

Por Ricardo Voltolini, CEO da Ideia Sustentável e da Plataforma Liderança com Valores, responsável pelo desenvolvimento do estudo 11 Tendências de Sustentabilidade empresarial no "outro normal"

A pandemia tem nos mostrado que há uma emergência por negócios mais sustentáveis, como jamais vimos na história moderna. A crise de saúde, que gerou impactos sérios na economia e em nosso estilo de vida, tende a acelerar o processo de transição para um modelo mais equilibrado nas relações entre as pessoas, o meio-ambiente e o desenvolvimento.

Nos últimos meses, o conceito já tinha avançado mais do que nas duas décadas anteriores, graças a uma série de fatos globais relevantes. Entre eles, está o engajamento de 181 grandes empresas norte-americanas, associadas da Business Rountable, que assinaram em 2019 um manifesto público pró-empresas mais sustentáveis, propondo um reset no chamado business as usual. Alguns dias depois, 230 investidores financeiros europeus, ligados à Ceres, acolheram o manifesto e se propuseram a caminhar juntos. Os articuladores do Sistema B acompanharam essa decisão.

Em novembro de 2019, a ciência soou um alerta global: um estudo realizado por 11 mil cientistas de 153 países decretou estado de emergência climática, o que significa dizer que o aquecimento do planeta evoluiu mais rapidamente do que estimavam suas pesquisas.

Em janeiro de 2020, dois fatos também muito importantes confirmaram a tendência de alta do conceito de sustentabilidade. Primeiro, Larry Fink, CEO da BlackRock, o principal investidor do mundo, divulgou uma carta aberta ressaltando a urgência de as empresas terem sustentabilidade na gestão e estratégia do negócio. Depois, o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, dedicou tempo nunca visto à discussão de um novo tipo de capitalismo, o capitalismo de stakeholder, orientado pela noção de colocar o propósito à frente do lucro.

São seis fatos, seis evidências claras. A sustentabilidade deixou de ser uma bandeira exclusiva de alguns poucos iniciados. Dos que ficam “do lado de fora” das empresas. E passou a ser aspiração dos capitalistas, desconfortáveis com algumas contradições históricas do sistema, como o aumento das desigualdades, o uso intensivo de recursos naturais, as mudanças climáticas e a visão excessivamente utilitária acerca de seres humanos.

Nenhum sistema complexo muda de forma espontânea. É necessária alguma dose de entropia. É fundamental certo caos para promover um desequilíbrio que pode levar a um novo equilíbrio.
E nesse caso, o caos parece surgir da pressão gerada pelo novo modo com que as pessoas enxergam a sustentabilidade e as empresas, principalmente as gerações X e Y.

 

Agenda 2030: entenda quais são e como implementar objetivos de desenvolvimento sustentável

Por Ana Beatriz Caldas

Orientações da ONU para um planeta mais justo dão continuidade a plano de ação elaborado nos anos 2000

Após o Brasil obter certo sucesso na adoção do plano de Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), pactuado no ano 2000 com os demais países membros da Organização das Nações Unidas (ONU), instituições dos três setores – privado, público e do terceiro setor – vêm buscando atingir novas metas de desenvolvimento sustentável. Isso porque, como ocorre periodicamente, uma nova agenda global foi elaborada em 2015 pelas organizações internacionais, visando a solução de novos problemas a partir do comprometimento dos países signatários.

A Agenda 2030, como foi intitulada, é um plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade, e tem como principal propósito estabelecer a paz universal, segundo a ONU. O documento conta com 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), além de 169 metas e 248 indicadores que devem ser adotados por instituições que busquem promover equidade, sustentabilidade e justiça.

“Essa agenda pode ser adotada por qualquer tipo de organização, e é sempre bom reforçar isso. Por isso, implementá-la não é de responsabilidade apenas dos governos, mas também da sociedade civil, de organizações do terceiro setor, das empresas, das escolas. É uma agenda para todos nós, que dá continuidade à agenda que se encerrou em 2015”, explica Maiso Dias, diretor da Dialogus Consultoria em Responsabilidade Social.

Porém, de acordo com o Relatório Luz da Agenda 2030, 49% da população nunca ouviu falar nos ODSs, ainda que eles estejam vigentes há cinco anos. Por isso, o principal desafio para implementá-los é promover entendimento sobre o assunto, especialmente nas organizações.
“Primeiramente, é preciso compreender o que são os ODSs e comprometer-se com eles, definindo as prioridades de acordo com o perfil organizacional de cada empresa e o impacto que ela gera naturalmente. A partir disso, as lideranças precisam estabelecer metas em seu planejamento estratégico, e isso pode ser feito em empresas pequenas, médias e grandes”, explica Dias.

Para saber mais, acesse a plataforma online da Agenda 2030: http://www.agenda2030.com.br/

Os 17 ODSs da Agenda Global

1. Erradicação da pobreza
2. Fome zero e agricultura sustentável
3. Saúde e bem estar
4. Educação de qualidade
5. Igualdade de gênero
6. Água potável e saneamento
7. Energia acessível e limpa
8. Trabalho decente e crescimento econômico
9. Indústria, inovação e infraestrutura
10. Redução das desigualdades
11. Cidades e comunidades sustentáveis
12. Consumo e produção responsáveis
13. Ação contra a mudança global do clima
14. Vida na água
15. Vida terrestre
16. Paz, justiça e
instituições eficazes
17. Parcerias e meios
de implementação

*Fonte: Plataforma Agenda 2030

4 passos para implementar os ODSs na sua empresa

1. Tenha uma liderança engajada com o tema e que será responsável por incentivar a implementação desse assunto como uma pauta relevante em toda a organização. Dessa maneira, colaboradores se sentirão estimulados a seguir o exemplo da gestão.

2. Compartilhe conhecimento sobre os ODSs que serão aplicados com toda a equipe. Para isso, é necessário investir em workshops, palestras e cursos que promovam a sensibilização dos colaboradores em relação ao tema. O Conselho Empresarial Brasileiro e o Pacto Global têm disponibilizado guias práticos que podem auxiliar nessa tarefa.

3. Depois da sensibilização, é hora de partir para a prática: faça um diagnóstico situacional que identifique se a organização já está envolvida em alguma ação que contribui para a Agenda 2030 de forma involuntária. Dessa maneira, será possível mensurar o impacto que a empresa possui na agenda global atualmente e a gestão terá informações para trabalhar os objetivos.

4. Trace metas de impacto. Para atingir esses marcos, será necessário focar em temas que tenham afinidade com a identidade e o propósito da empresa. Para iniciar a implementação, a organização pode priorizar um, dois ou três objetivos que façam sentido para o funcionamento de suas atividades, passando para outros à medida que os resultados forem sendo obtidos ou que haja uma implementação de cultura organizacional relacionada ao tema.

Cultura organizacional é base para mudança

Apesar de serem responsáveis por um grande impacto social e integrarem um plano de soluções para problemas graves de desigualdade, investir nos ODSs pode ser mais simples do que parece. Isso porque muitas organizações, seja pela cultura organizacional ou por normas regulatórias, já realizam ações simples que contribuem para a consolidação da Agenda 2030.

Segundo Carlos Viana, articulador de Marketing e Comunicação do Sebrae Ceará, algo dessa natureza aconteceu com a instituição, que percebeu que parte dos ODSs já faziam parte da cultura da organização, tornando a elaboração de metas e a formalização interna da agenda bem mais ágeis.

“Quando você conhece melhor o que cada um desses objetivos propõe, você percebe que são atitudes que podem ser incorporadas no nosso dia a dia – muitos de nós inclusive já fazemos algo que contribui para a agenda sem perceber a conexão. O interessante sobre esses objetivos é justamente que eles são propostas simples, de fácil adesão, mas que causam grande impacto”, ressalta.

O marco para a mudança começou com a modernização da estrutura física da sede do Sebrae Ceará, pensada para diminuir o impacto socioambiental. Atualmente, a empresa incorpora o conceito de sustentabilidade em todas as iniciativas que desenvolve, desde as atividades internas e o funcionamento do prédio até atividades de formação para trabalhar a cultura dos colaboradores. “A partir do momento em que as pessoas estão envolvidas, engajadas e comprometidas, cada um vai fazer aquilo que está dentro da sua possibilidade, e essa soma é que vai fazer acontecer a diferença”, pontua Viana.

 

Benefícios da Agenda 2030 para as empresas

- Fortalecimento de parcerias e aumento do networking;
- Governança focada;
- Suporte maior na aprovação de linha de crédito;
- Credibilidade com novos investidores;
- Contribuição para uma cultura de paz universal.

*Fonte: Rafael Rocha, consultor da Dialogus Consultoria em Responsabilidade Social

Artigo: Não existe sociedade sustentável quando uma parte da população fica para trás

Por Liliane Rocha

Liliane Rocha

Liliane Rocha (Foto: Divulgação)

Às vezes, alguém me diz em meio a uma conversa ou reunião que diversidade é a nova sustentabilidade. Acho essa frase perigosa, pois diversidade e sustentabilidade são dois temas correlatos, complementares e que caminham juntos. Se fortalecem mutuamente e não são, de forma alguma, excludentes.

Desde 2005, quando ingressei na área de desenvolvimento sustentável de uma grande empresa do setor de eletrônicos, isso ficou evidente para mim. Vejamos, se sustentabilidade é atender às necessidades das gerações presentes de satisfazer suas próprias necessidades sem comprometer a capacidade das futuras gerações de satisfazerem suas próprias necessidades, ou ainda se estamos falando do tripé da sustentabilidade como preservação ambiental, inclusão social e desenvolvimento econômico, então sustentabilidade sempre será um tema importante, fundamental e com força em si só. Estamos falando aqui de mudanças climáticas, gestão de resíduos, gestão hídrica, gestão energética, desenvolvimento local de pequenas comunidades, políticas públicas, projetos sociais de educação, trabalho, cultura, saúde e esporte.

O ESG (Environmental, Social and Corporate Governance) – índice que avalia as operações das empresas de acordo com os seus impactos nos três eixos da sustentabilidade – está muito em evidência no mundo e reforça, mais uma vez, a questão da sustentabilidade como estratégia de fazer negócios e uma forma coerente e responsável de posicionamento das empresas.

Tudo isso, claro, só é possível pensando em diversidade, inclusão, equidade para mulheres, negros, pessoas com deficiência, lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, idosos, pessoas das mais variadas religiões. Afinal, não há sociedade sustentável deixando uma parte da população para trás!

É impossível falar de preservação ambiental, por exemplo, sem pensar na falta de saneamento básico nas favelas, questão que assola a população que vive ali e que em grande parte é negra. Ou falar de enchentes, desabamentos, catástrofes ambientais em geral sem fazer a mesma reflexão. Quem são os mais atingidos e por quê?

Não à toa, o termo racismo ambiental volta a estar em voga em nosso contexto atual. Segundo as palavras de Benjamin Franklin Chavis Jr., criador desse conceito, “A Discriminação Racial deliberada e direcionada afeta comunidades e grupos étnicos-raciais minorizados devido a exposição a locais e instalações nas quais há resíduos tóxicos e perigosos, que ocorre paralelamente à exclusão sistemática desses mesmos grupos na criação de políticas ambientais, aplicação, cumprimento e mitigação.”

Diversidade e Sustentabilidade são, portanto, temas sinérgicos e complementares. O único motivo para que, em determinados momentos sociais, um desses dois temas se sobreponha ao outro, e esteja mais visível na mídia em relação ao outro, ou não estejam associados nos meios de comunicação, é a falta de compreensão e entendimento profundo que a sociedade, e por vezes até especialistas, têm de ambos os temas. Por isso, como especialista em sustentabilidade e diversidade, sempre faço questão de reforçar que estes dois temas, que poderiam ser vistos como um todo, quando falamos da humanidade, dignidade e condições de vida humana na Terra são fundamentais para empresas, governo, organizações do terceiro setor e sociedade civil. Deveriam ser de interesse coletivo e estar na pauta de cada pessoa e até mesmo, deveriam ser ensinados com consistência e de forma interligada já no ensino fundamental e médio.

A boa notícia é que a nossa compreensão sobre esses temas está avançando. Para as próximas gerações, acredito que eles já serão absolutamente intrínsecos e caminho obrigatório para o marco civilizatório.

Liliane Rocha – CEO e Fundadora da Gestão Kairós consultoria de Sustentabilidade e Diversidade, autora do livro Como ser um Líder Inclusivo e reconhecida como 101 Top Global Diversity and Inclusion Leaders no Diversity & Inclusion Excellence Awards

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