Editorial

Por Sonia Pinheiro

“Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.” A frase, de autoria do mais que notável poeta Manuel Bandeira, poderia, à primeira vista, descombinar com o título deste caderno especial do O POVO, semente de um projeto futuro de porte ainda maior. Mas, quando você, leitor, se deparar com o evoluir de cada matéria, vai entender o que buscamos na essência de tão importantes entrevistados. E, então, o ângulo mais intimista de cada um é o que, ao final de tudo, torna-se mais marcante. Primeiro, porque eles também relatam um pouco do que são e do que está por trás de suas trajetórias de sucesso e brilho tão visíveis, atributos que o público já conhece, tanto de ler sobre suas vidas profissionais, como de ouvir dizer de suas conquistas no quesito fazer.

Todos passam, através de seus relatos, componentes de receitas de empreendedorismo e de como aperfeiçoaram o que realizaram ou herdaram dos ancestrais e levaram adiante através de nascentes caminhos que abriram, dos desejos que tornaram realidade, da ousadia de incursionar por emergenciais perspectivas de negócios via ampliação de projetos, de visão e até de insights, posicionando-se com plena adequação em um mundo que exige, cada vez mais, inovação e criatividade em seu girar.

Tudo isso, aliado a palavrinhas mágicas, nominadas credibilidade e transparência, que funcionam também (e sobretudo) no campo da política, caso do governador Camilo Santana – o mais votado do país em sua recondução ao Palácio da Abolição - e do deputado estadual José (Zezinho) Albuquerque, presidente do Legislativo/CE, que, inclusive, já assumiu, interinamente, algumas vezes, o Executivo Estadual, manifestando um outro jeito de proporcionar algo em benefício do povo, como já o declarou através das redes sociais.

O conjunto de todos os participantes do Ceará Grandes Personalidades – uns, já com longos caminhos percorridos; outros, firmando-se no erguer de seus pequenos impérios - parece remeter ao que já escreveu o genial escritor Fernando Pessoa: “Tenho em mim todos os sonhos do mundo...”


Ceará: da pecuária à industrialização

A CRIAÇÃO DE GADO E A PRODUÇÃO DE ALGODÃO NORTEARAM, POR DÉCADAS, A ATIVIDADE ECONÔMICA NO CEARÁ. A PARTIR DA DÉCADA DE 1980, ENTRETANTO, A LIGAÇÃO ENTRE SETOR PRODUTIVO E GOVERNO MUDOU A IDENTIDADE DO ESTADO - FORTALECENDO A ELITE ECONÔMICA, POLÍTICA E SOCIAL

Por Isabel Costa

O território que atualmente chamamos de Ceará teve uma ocupação difícil. A atividade agrícola era cara, não havia mão de obra suficiente. Indígenas cearenses não se dispunham a realizar certos tipos de serviço e a massa escravizada não tinha consistência na região. Havia, assim, empecilhos para manter qualquer atividade comercial. A ocupação efetiva, por aqui, apenas a partir do século XVIII. Desse início árido e cheio de restrições, entretanto, surgiu um estado e uma elite econômica, política e social.

Com a impossibilidade de ter uma forte atividade agrícola, diferente de outros territórios brasileiros no mesmo período, os cearenses passaram a investir em pecuária, aproveitando a abundância de pasto e a composição química do solo. Apenas dois ciclos econômicos, segundo o professor e pesquisador Ítalo Bezerra, marcaram a narrativa cearense: o gado e o algodão. Mas ainda em meados do século XVIII, ele explica, era difícil transportar as criações do sertão para o litoral, pois acabavam adoecendo e morrendo durante os deslocamentos. "Tinha uma saída, que era comercializar o gado não mais inteiro. O gado deixou de ser ‘negociado em pé’ e passou a ter o abate do animal. Havia uma divisão das partes e processo de salga e secagem da carne do boi. Esse processo acontecia em pontos de concentração de boiadeiros", diz. Entroncamentos de estradas e lugares estratégicos nos percursos, usados por trabalhadores, então, se fortaleceram como locais comerciais e vilarejos. É o caso, explica Ítalo, de cidades como Sobral e Icó. "Esse tipo de atividade era tão forte que o território que hoje chamamos de Ceará chegou a ter algo em torno de 900 fazendas de gado. Essa atividade pastoril causa desenvolvimento do que era a Capitania Ceará e esse desenvolvimento desemboca em transações comerciais", aponta o pesquisador. O ciclo produtivo seguinte, quando o Ceará começa a produzir algodão em larga escala, foi influenciado por um movimento histórico que aconteceu muito longe daqui. A guerra de Secessão dos Estados Unidos, ocorrida entre os anos de 1861 e 1865, que impediu os norte-americanos de produzir algodão e transformou dois territórios do nordeste brasileiro, Ceará e Maranhão, nos principais pontos de exportação de algodão para os europeus. Nesse movimento, explica Ítalo, algumas famílias começam a aparecer, frequentemente vinculadas à posse de terras e à política. Esses processos no Ceará ainda tinham estrutura rudimentar e financeiramente frágil, mobilização que só viria a mudar a partir da segunda metade do século XX. O território, já Estado do Ceará, iniciou um (ainda) incipiente processo de modernização e de industrialização como conhecemos atualmente. Foi instaurada, por exemplo, a Região Metropolitana de Fortaleza e os primeiros esboços para criação de distritos industriais. "São questões que estão ligadas a decisões políticas, evidentemente. Fica muito mais claro quando grupos empresariais, nos anos 1980, reúnem-se para pensar a questão industrial no Ceará e assumir a liderança política. Estou falando já de 1980. Os industriais reunidos criam estratégias políticas para colocar no poder alguns representantes seus", explica Ítalo Bezerra – que também é professor de História. O cientista político Francisco Moreira Ribeiro elucida que o primeiro ponto de encontro desses jovens empresários foi o Centro Industrial Cearense, o CIC, instituição que já existia anteriormente e era costumeiramente comandada pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). O empresariado local, então, começou a promover ciclos de palestras e debates. "Eles criaram uma espécie de fórum para as questões locais e passaram a fazer esses debates, inclusive, sendo criticados pelos empresários tradicionais", aponta Francisco, que é professor universitário aposentado. "Até a década de 1980, quando tinha os famosos coronéis, o empresariado se sentia representado de certa forma. Havia uma sintonia fina entre o empresariado mais tradicional do Estado com relação a esses políticos. As demandas desse empresariado quase sempre eram atendidas ou existia uma mediação. Mas esses jovens empresários que surgem na década de 1980, eles questionam essa relação. Passam a questionar essa dependência do empresariado em relação a esses políticos tradicionais", pontua Francisco. Começou, então, uma mobilização centrada em personagens e que até hoje causa consequências na conjuntura cearense. Nomes do jovem empresariado, diz Francisco Moreira Ribeiro, passam a ser cotados para assumir a liderança política. E, entre eles, um indivíduo se destaca: Tasso Jereissati. "Ele surge nesse contexto. De querer mudanças. É como se o povo tivesse embarcado na candidatura dele. Jovem, empresário, ele tenta se afastar dos políticos tradicionais e assume dizendo que quer liberdade", afirma. O intuito, à época, era alcançar a modernização do Estado. "Uma modernização conservadora, no sentido da conservação do poder, mas era moderno e o empresariado participava da cena." Em alguns momentos, diz Francisco, o Governo tem posturas que chegam a soar autoritárias. "De certa forma, é atribuído como uma característica do mundo corporativo. E existiram alguns problemas", aponta. A indústria tem fortalecimento em novos eixos – especialmente gêneros alimentícios, produção têxtil e produção calçadista – que usam a matéria-prima existente no Estado. "É desse modo que aparece esse tecido econômico cearense, que no século XXI entrou em processo de mundialização da produção e virou tudo isso", diz Ítalo. É nessa época, também, que um Ceará que não era mostrado em rede nacional começa a ganhar vez: o território cheio de sol, mar, vento e praias. "O setor de turismo é elencado para ser uma porta de entrada para a modernização econômica", explica o professor de História. Há, então, formatação de produtos turísticos - como o Beach Park -, criação e incentivo de agências de turismo, fortalecimento da rede hoteleira e campanhas massivas para a divulgação do Estado. "Nos anos 1980, o Ceará sai da condição de extrema pobreza para ser um destaque econômico. Isso foi notícia, contando que o Ceará andava na contramão do país. Houve modernização do parque industrial, atração de empresas e dinamização do setor de serviços, sobretudo através do turismo", afirma o pesquisador. Nesse contexto de modernização, diz Ítalo, grupos industriais cearenses que já possuíam atividades industriais desenvolvidas – mas não tinham tanta representação política – se fortalecem. "Eles saltam nesse momento", elucida - são exemplos M. Dias Branco, J. Macêdo e o próprio Grupo Jereissati. "O Ceará começa com a atividade pastoril e desemboca na indústria de lazer, que é o turismo. Essa indústria movimenta o comércio e junto disso há a modernização do Estado, que não quer mais ser entendido como um estado de miséria, de pobreza e que só vive de seca. Apesar da seca, a gente prospera." 

Fazer tudo por amor

Ivens Dias Branco Jr. alimenta algumas saudades dos tempos antigos, quando Fortaleza era um lugar sossegado e os jovens podiam transitar pelos espaços despreocupados de qualquer perigo. “Quando adolescente, frequentávamos as festinhas, denominadas de tertulhas, nada parecido com o que atualmente é oferecido aos nossos jovens, era uma diversão inocente e sem muitas consequências”, explica o empresário, atual líder da M. Dias Branco, instituição projetada na década de 1930 e que atua no segmento alimentício.

“Mas o que marcou mesmo a minha infância foi o respeito que tínhamos aos nossos pais, aos mais velhos, algo que hoje, lamentavelmente, já não percebemos. Naquela época, havia um grande respeito, obediência e gratidão aos mais velhos. Quando a criança se portava mal, bastava um gesto, um olhar dos pais, e a mensagem já era entendida. Eu vivi essa realidade com os meus pais e disso eu realmente sinto falta nos dias de hoje”, pontua o filho de Ivens Dias Branco e neto de Manoel Dias Branco.

Imerso no cotidiano da instituição desde cedo, Ivens - por opção própria e sem arrependimentos - não concluiu a graduação em Administração. “Não me arrependo de não ter concluído o curso porque foi uma necessidade que eu tive, na época, de trancar a faculdade, porque os negócios exigiam de mim uma dedicação integral”, pontua, mas lembrando que a formação acadêmica é um ponto importante nas carreiras e que, atualmente, ele estimula aos jovens a buscarem graduações nas universidades.

“Eu sou um dirigente de uma organização formado em uma situação real de trabalho, desde as atividades mais simples até o exercício do comando de todas as nossas empresas. Estive durante todo o tempo de olhos e ouvidos abertos para os ensinamentos do meu pai, um homem a quem muito admiro, um verdadeiro empreendedor, assim como para as experiências do dia a dia”, exemplifica, referindo-se ao industrial cearense que faleceu em junho de 2016 após uma cirurgia cardíaca. Desde que ingressou na companhia, Ivens Dias Branco Jr. afirma ter tido o privilégio de conviver com engenheiros, técnicos e assessores, que são “pessoas extremamente habilitadas, competentes e preparadas”.

Sua aplicação ao trabalho, ele diz, é algo movido “como que uma paixão”. Por isso, são três as características que busca primordialmente em seus colaboradores: “o bom caráter, a lealdade e o amor àquilo ao que se dedica”. A M. Dias Branco, com sede em Eusébio (CE), é uma empresa do setor alimentício que fabrica, entre tantos produtos, massas, gorduras vegetais, misturas para bolos, margarinas, snacks, chocolate, torradas, farinhas, farelos e refresco em pó. São mais de 20 mil colaboradores distribuídos em 15 unidades industriais.

“Algo que me deixa realmente contente, até porque eu não gosto de usar a palavra orgulho, é quando o conjunto da obra realizada envolve a participação de todos. Fico feliz em saber que estamos dando continuidade à obra do nosso pai, que estamos ampliando os seus limites a cada dia, assim como a nossa empresa tem prestado contribuição importante para o desenvolvimento industrial do nosso Estado e ao país. Estou sempre agradecendo a Deus porque Ele nos tem dado a inspiração e a fé de que tanto precisamos. Isso nos permite ver o futuro com grande otimismo”, confessa Ivens.

O Ceará, ele afirma, foi tratado como um estado pobre e economicamente pouco viável durante muito tempo. Mas, nos últimos anos, na opinião de Ivens, o território tornou-se exemplo de desenvolvimento sustentável, criatividade e espírito empreendedor em variados campos. “Alguns dos quais exigem capacidade de produzir segundo os padrões dos mais exigentes mercados”, lembra o empresário cearense. A lição a transmitir, para Ivens, é a opção por “por tecnologia de ponta, formar e apoiar o desenvolvimento e a capacitação das pessoas qualificando-as para poderem dominar avançadas técnicas e novas tecnologias em um ambiente de trabalho e cooperação ao progresso”, pontua.

Na vida familiar, Ivens é pai de quatro filhos - Lissa Maria, João Luca e Antônio Luciano, que são trigêmeos, e Ivens Dias Branco Neto, que é o primogênito – e é casado com Morgana Dias Branco. Exercer a paternidade e ser líder de uma grande indústria são duas dimensões importantes e desafiadoras para o empresário. “Porque ser pai é exercer por uma vida o mais importante cargo que existe. É assumir uma responsabilidade divina e eterna. É saber ser mestre o tempo todo e amigo na hora certa. E ser líder em um negócio de sucesso é igualmente muito difícil e desafiador, porque importa em liderar com um grande número de variáveis, especialmente quando se trata de um grande empreendimento, assim como porque exige tempo integral do empreendedor.” Em certas circunstâncias, na opinião de Ivens, esse tempo dedicado aos negócios é retirado até do tempo que deveria ser dado à família.

Assim, duas perspectivas têm norteado a atuação de Ivens Dias Branco Jr. nos últimos tempos. A primeira é manter a família sempre unida e isso, ele afirma, tem se tornado uma realidade a cada dia. E a segunda é trabalhar para ampliar e fortalecer a internacionalização da M Dias Branco. Segundo dados divulgados pela própria empresa, no mercado mundial, a corporação ocupa a sexta colocação na categoria de produção de massas e a sétima colocação na categoria de produção de biscoitos. “Ver a empresa cada vez maior e mais comprometida com o desenvolvimento do Estado e do país, avançando além fronteiras, é meu sonho”, revela o executivo cearense.

Cooperação e trabalho

 

Foto: Camila de Almeida

Em um lugar de destaque no escritório de Amarílio Macêdo está uma escultura representativa do modo de trabalhar do empresário. Dois homens movem uma barra de ferro: o primeiro puxa e o segundo empurra a peça que é pesada demais para ser transportada por um único trabalhador. “Tem a ver com a cooperação e com a força do trabalho - que é um dos nossos lemas. E a escultura inspira isso. Ela projeta duas pessoas. Uma dependendo da outra. Porque qualquer uma que fizer um esforço insuficiente, a outra estará prejudicada. E sozinha não faria. É muito simbólico”, explica durante entrevista o executivo de 73 anos, que atualmente lidera o Grupo J. Macêdo, negócio fundado em 1939.

Durante a infância, Amarílio nunca imaginou que iria se tornar o comandante da empresa criada por seu pai, José Dias de Macêdo. Nascida para ser uma representação comercial – com escritório localizado no Centro de Fortaleza -, a companhia oferecia uma variedade de produtos: da manteiga mineira e da madeira até veículos norte-americanos. À época, o menino era levado ao escritório para transportar papéis entre uma mesa e outra.

Mas no decorrer da década de 1960, a J. Macêdo expandiu o campo de atuação e incluiu aquele que seria seu negócio mais promissor: o processamento de farinha e a moagem de trigo. Nesse período, Amarílio era um menino com pouco mais de dez anos e lembra de ir para os galpões abastecidos com matéria-prima. “O trigo não vinha a granel; o trigo vinha da Argentina em sacos de 50 quilos. Tinham armazéns enormes cheios de sacas de trigo, e a gente ficava correndo em cima, bem pertinho do telhado. Minha primeira lembrança de entrar em um moinho de trigo não era para trabalhar, era para brincar.”

O futuro se desenhou por um caminho certo para o jovem. “Fiz todo o meu primário em um seminário. Com os jesuítas em Baturité. E, no meio do curso do ginasial, eu quis ser padre”, revela. E para fazer o chamado curso científico, ele fora enviado para morar com padres em Recife. “Ao final desse primeiro ano, por uma circunstância especial, eu mudei de ideia. Me colocaram para participar de uma peça de fim de ano, onde era encenada a criação do mundo, e eu me apaixonei pela Eva. Eu era o Adão”, explica o empresário – que é casado com a jornalista Patrícia Macêdo e tem dois filhos, Ravi e Omar, gêmeos de 27 anos. Logo após o retorno para a capital cearense, Amarílio ingressou no curso de Economia da Universidade Federal do Ceará (UFC). Dessa época, também tem boas lembranças, principalmente em relação às amizades construídas.

“E quando eu entrei na Economia fui presidente do Centro Acadêmico. Até na época de 1964, que as coisas eram muito atribuladas, conturbadas, um grande número de amigos meus saiu do país, alguns foram assassinados, como o Bergson (Gurjão, ativista que só teve o corpo identificado em 2009). O Bergson era amigo da gente, de se encontrar regularmente. O Frei Tito - não era frei, era só o Tito - ia regularmente na minha casa. No fim de semana, a gente brincava junto, ia tomar cerveja junto. Era o Tito, o Mino, o Erildo, o Eduardo Fiúza, o Renato, o Felipe Franklin. Fazíamos muita bagunça juntos. E o Tito era igual a qualquer um de nós”, relembra Amarílio.

Recebendo a equipe de reportagem poucos dias após a morte do pai, José Dias de Macêdo, Amarílio também falou da inspiração no progenitor. A partir dos ensinamentos deixados pelo industrial cearense pioneiro no setor alimentício, ele diz reconhecer que um dos maiores desafios do campo empresarial é formar times com pessoas dedicadas a fazer o negócio acontecer. Ninguém sozinho, elucida, é capaz de fazer alguma coisa valiosa por muito tempo. “Pode até fazer por pouco tempo, mas para fazer por muito tempo as pessoas precisam se organizar de uma maneira complementar”, diz o empresário. A propriedade do conhecimento, na opinião dele, não pode ser egoísta e precisa, cada vez mais, ser compartilhada. “Conseguir que as pessoas sejam includentes, sejam convergentes, sejam cooperativas, tenham empatia e tenham desejo de trabalhar em equipe, esse é o maior desafio. É esse desafio no mundo que nós vivemos, onde existe uma competição individual e um egocentrismo crescente.”

Para 2019, na opinião de Amarílio, a perspectiva é que aconteça mais um ano difícil. “Acho que este ano vai ser muito difícil não para os empresários, mas vai ser muito difícil para as pessoas que são vítimas da inadmissível desigualdade que existe no Brasil. O país precisa urgentemente encontrar solução para reduzir a desigualdade. O ideal seria eliminar ao máximo, mas o que nós temos vivido no Brasil nos últimos anos, e aí vem de 20 ou mais anos atrás, é uma aceleração da desigualdade. Vemos menos pessoas tendo muito mais e muitíssimas pessoas tendo menos. E isso é contra a lei da natureza, é contra ao que é humano. É desumano. Acho que empresário é privilegiado. Empresário devia não chorar, deveria encarar os desafios como oportunidades para melhorar, e não para pedir favor.”

Dos ensinamentos e do pioneirismo deixados por José Dias de Macêdo, ele destaca ainda a estratégia de se cercar por profissionais que tenham conhecimento superior aos seus. O pai, afirma, espalhou a empresa pelo Brasil e delegou administrações para cearenses que tiveram o primeiro emprego no Grupo J. Macêdo e se formaram nas universidades locais. “A falta dele, para todas as pessoas que foram muito próximas dele, é de ter junto uma alma com um brilho, com uma grandeza e com uma simplicidade como era a dele. Mas isso tudo a gente vai aprendendo na vida que a gente pode ter dentro da gente e a simples lembrança dele ser um fator de inspiração e de perpetuação dessa relação que existiu. De uma maneira bem pragmática, o que deixa de existir é a possibilidade do contato”, declara.

O Fazer bem Feito

Foto: Ethi Arcanjo (em 29/10/2014)

Ao menos duas vezes por semana, o empresário cearense Beto Studart parte para o haras que mantém nas proximidades de Fortaleza. Lembra que conviveu com cavalos quando criança, pois o pai possuía uma fazenda. "Mas na época da minha formação empresarial, eu não tinha tempo. Quando foi agora, cinco anos atrás, tenho tempo", brinca. Assim, também narra o momento em que se aproxima do portão do haras com uma palavra: rapadura. O executivo conta que os animais se animam, vão para a porta e aguardam: "duas [rapaduras] para cada, todos vêm e ficam esperando que eu vá passando e dando rapadura, é uma coisa inteligente".

Junto às lembranças afetivas, também  a reflexão sobre a carreira profissional. "Eu sempre quis trabalhar para mim." Beto Studart mostra que, cedo, ele entendeu qual caminho iria trilhar. Filho de um médico, soube ainda na juventude que não haveria aptidão para a área da saúde. "Eu tinha que inventar alguma coisa na minha vida profissional, que era ser industrial. Desde pequeno, eu tenho esse desejo. E, de repente, apareceu uma indústria que era da família", conta Beto. Um tio morreu e o jovem de 23 anos, recém-formado em Administração de Empresas na Universidade Estadual do Ceará (Uece), foi convocado para assumir a liderança. Foi a chance de Beto "trabalhar para si".

Fez da empresa, a Agripec, o seu reinado particular. "Eu tinha a empresa de defensivos agrícolas. E aqui no Ceara nós não temos agricultura, temos agricultura de subsistência. Agora que está mudando. Eu importava e comprava de São Paulo as matérias-primas. Transformava aqui. Vendia para um pequeno mercado que era o Ceará. Depois me tornei nacional. E, com muito respeito, fui a maior e mais respeitada empresa nacional de defensivos agrícolas. Sempre vivi com essa cabeça de fazer o melhor, fazer grande, fazer bem feito, fazer de forma respeitosa para os nossos clientes", explica o gestor. Ele vendeu a primeira parte da Agripec em 2005 e, dois anos depois, em 2007, concluiu o processo de negociação da instituição para a australiana Nufarm em uma transação milionária.

Em sua vida, ele afirma, não houve e não há espaço para hiatos, descansos e períodos sabáticos. "Minha cabeça não tem esse negócio. Eu quis empreender", diz. Tanto que, já no ano seguinte ao processo de venda, em 2008, inaugurava a BSPAR, empresa que nasceu no ramo da construção civil. "Encontrei no mercado imobiliário oportunidade de investir. Me tornei uma das maiores empresas do Ceará. Embora seja um segmento com crise, que vai passar, é importante fazer bem feito", sintetiza o empresário – que atualmente divide a BSPAR em três frentes distintas: finanças, incorporações e construções.

Beto Studart define a si mesmo como um perfeccionista. São poucos os papéis na mesa. Tudo organizado, claro, para facilitar o pensamento. Lembrando que não há muitos espaços para hiatos, ele fala sobre a vida quando sair da liderança da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), cargo que ocupará até dezembro de 2019. "Eu não sei o que eu vou fazer, como eu vou me dar. Ainda tem um ano de trabalho. Mas o fato é que não posso entrar no ostracismo. Tenho que participar de alguma coisa que seja importante para o Estado do Ceará e importante para o Brasil", sintetiza Beto Studart.

Ao longo da entrevista, o próprio empresário relevou que essa seria a pergunta mais difícil: qual seria seu futuro após encerrar o mandato à frente da Fiec? "Você tem que servir aos outros, tem que ter alguma coisa para servir aos outros. Eu vou voltar a me dedicar 100% para a BSPAR, mas tem que ter algum percentual do tempo para se dedicar aos outros, ajudar de alguma forma, tem que ter alguma coisa para fazer nesse sentido", pontua Beto – brincando que "só o tempo dirá" qual será esse novo caminho. "De repente aparece."

Durante o período como presidente da federação, ele explica que a "doação" ganha um sentido largo. "Me doar para o Estado, me doar para as pessoas, me doar para os industriais. Conhecer as necessidades e as aflições dos industriais e poder interceder junto ao Governo do Estado no sentido de criar prosperidade no desenvolvimento econômico", fala o empresário sobre o seu papel. "Eu sou um apreciador desse momento que o Ceará está vivendo, é muito especial quando você sente como se a economia estivesse em movimento. Em todas as áreas que você tem oportunidade de observar, você vê o Ceará sendo apresentado à comunidade internacional", pontua Beto, nascido em 1946.

Dinheiro e sucesso, ele diz, são duas medidas que estão ligadas. "50% do seu sucesso é dinheiro. Os outros 50% são esse trabalho que a gente faz de liderança, de motivação, de emoção, de serviço às outras pessoas", calcula o industrial. E completa: "Se você tiver só dinheiro, não tem o sucesso. Mas dinheiro e um bocado de serviço prestado aos outros, aí você tem sucesso", elucida.

Para os jovens empreendedores, ele afirma, é importante saber entender o próprio negócio e não "fazer a coisa somente por inspiração". Entrar no íntimo da atividade, se endividar com muita cautela, pesquisar o mercado e ter recursos bem alocados são os primeiros conselhos. O último, lembra, é saber que não há riqueza sem muito trabalho. "E que você adquira as coisas supérfluas quando tiver capacidade de adquirir. Antes disso, deixe no caixa das empresas para que elas possam crescer com saúde financeira. O supérfluo é bom, mas só pode ser vivido em determinado momento." 

O nome da inovação

Foto: Ethi Arcanjo (em 27/4/2015)

“Uma escola de qualidade precisa, antes de tudo, ser ética, precisa, também, de grandes professores e equipes pedagógica e administrativa de alta qualidade.” A meta estabelecida pelo educador Oto de Sá Cavalcante é muito clara. Presidente do Colégio Ari de Sá Cavalcante, Oto tornou-se uma importante voz quando se fala de ensino e aprendizagem no Ceará. Do início dos anos 2000, quando foi fundada pelo educador, até agora, a empresa apresentou vários crescimentos. “Setembro de 2018 marcou a chegada da Arco Educação à bolsa de valores norte-americana Nasdaq, avaliada em US$ 1,1 bilhão. Para serem lançadas as ações da Arco na Nasdaq, foram imprescindíveis o notável trabalho de uma grande equipe, muito bem liderada por Ari de Sá Cavalcante Neto, e a associação com o fundo americano General Atlantic (GA). Mais importante do que os recursos recebidos foi a cultura absorvida da GA”, comemora Oto, falando sobre a recente transação que colocou a Arco Educação - uma das empresas que leva a identidade Ari de Sá Cavalcante - na bolsa de valores mais disputada do planeta, nos EUA. O sucesso imediato na bolsa de valores foi creditado ao ótimo desempenho que as instituições integrantes do SAS possuem nos mais difíceis vestibulares brasileiros - pois a organização desenvolve conteúdo, tecnologia e serviços para mais de 700 escolas em todo o Brasil, atendendo uma média de 230 mil estudantes. Há, ainda, a recém-criada Faculdade Ari de Sá - que oferece serviços de graduação presencial, graduação à distância e pós-graduação. A marca Ari de Sá divide-se, assim, em vários produtos e organizações. Além dos cinco colégios localizados em Fortaleza com turmas distribuídas da educação infantil ao pré-vestibular - que são totalmente dirigidos e capitaneados por Oto -, há a Arco Educação, que abrange a SAS Plataforma de Educação e o sistema de ensino bilíngue Internacional School, e é guiada por Ari de Sá Cavalcante Neto, filho de Oto. “Obviamente, é muito difícil aliar inovação e tradição, mas buscamos obstinadamente inovar respeitando nossos valores e nossa cultura, que vem sendo formada ao longo de muitos anos. Vale lembrar o pensamento de Howard Marks: “Nunca sabemos aonde estamos indo, mas seria bom termos uma ideia de onde estamos”, explica o educador. Reconhecidas pelo caráter inovador, as instituições que possuem a marca Ari de Sá têm trabalhos com experimentações, laboratórios avançados e disciplinas pouco encontradas nas grades curriculares - como a robótica. Os alunos são incentivados a se tornarem protagonistas em seus processos de aprendizagem. “Temos que nos manter sempre atentos para acompanhar a evolução tecnológica”, reforça. Antes de ser o capitão da marca Ari de Sá, Oto de Sá Cavalcante foi igualmente um jovem aluno dos ensinos fundamental e médio. “Guardo na memória todos os grandes professores que tive na minha época de estudante.” O jovem alimentou desde cedo o desejo de ser engenheiro. Foi aprovado para o curso na Universidade Federal do Ceará (UFC) quando tinha somente 17 anos, figurando como o mais jovem estudante da turma. De suas próprias experiências e vivências, ele carrega o desejo de incentivar os alunos pertencentes às cinco unidades do Colégio Ari de Sá a darem passos para superar os próprios limites e medos. A experiência e o conhecimento profundo do mercado, são aliados de Oto de Sá Cavalcante. Muito cedo, quando os caminhos de vida ainda não haviam lhe colocado na presidência da empresa, ele já observava o trabalho de Ari de Sá Cavalcante. Pai de Oto e um dos mais reverenciados professores da história cearense, ele nasceu em Jucás, interior do Estado, e teve uma morte prematura aos 49 anos. Se submetia a uma cirurgia no coração - em São Paulo, no hospital Beneficência Portuguesa - em setembro de 1987, quando faleceu deixando um legado incalculável em amor pela sala de aula e busca por uma educação verdadeiramente de qualidade. O trabalho de Oto está pautado nesses valores. “O (Colégio) Ari de Sá procura, dia após dia, melhorar a sua qualidade de ensino e, consequentemente, o nível de seus alunos”, sintetiza o presidente. As fórmulas apresentadas pelo educador para que os estudantes consigam os melhores resultados são simples - e, por isso mesmo, tornam-se eficientes. “Aconselharia, em primeiro lugar, que fossem leitores de assuntos gerais e, em segundo lugar, que estudassem as matérias específicas”, diz Oto sobre os processos de submissão a testes e exames que estão na rotina escolar. “A grande particularidade da educação no Ceará é que temos aqui a maior concorrência do país entre as escolas particulares, com muitas consequências positivas e algumas negativas”, pondera o educador. 

A mulher do negócio

A mulher do negócio

Quando Talyzie Mihaliuc começou a trabalhar com os pais, aos 18 anos, a Ótica Santa Luzia era uma pequena empresa popular no Centro de Fortaleza. Líder nata, estudiosa e criada aprendendo sobre as peculiaridades do comércio, a jovem capitaneou um processo de modernização e encantamento da empresa. Nascia, então, a Tallis Joias - uma das instituições cearenses mais reconhecidas no segmento. “Enxerguei desde cedo uma grande oportunidade de trabalhar e crescer mudando um pouco o foco do comércio popular de óculos para joias, óculos de grife e relógios; e fazendo o que mais sabemos fazer: ter um atendimento tão próximo e personalizado, que nossos clientes se transformam em amigos”, explica a gestora. Talyzie precisava se desdobrar entre o trabalho e os cuidados com a primeira filha, Natasha. “Sou mãe desde os 17 anos, trabalho desde os 18 anos”, reforça - lembrando que, por trabalhar tanto, algumas lacunas aconteceram. “Eu realmente fiz o meu melhor, sempre tentei me desdobrar ao máximo, ser presente e participar de tudo da vida delas, mas sei que devo ter faltado em presença muitas vezes. Acho que o melhor que podemos passar para os filhos é o exemplo. E elas têm exemplo de coragem, determinação, trabalho”, defende a empresária. Além de Natasha, que tem 26 anos e possui sua própria empresa, a Headress, especializada em joias de cabeça, Talyzie também é mãe da estudante de medicina Nycole, 19, e do pequeno Nicolas, 8. “Hoje olho para Natasha e Nycole já adultas e fico imensamente feliz. Elas resolveram seguir os próprios caminhos e não trabalham comigo, o que para mim foi um pouco difícil de entender no início. Hoje dou todo apoio às escolhas delas.” A empresa, atualmente, além de ser capitaneada por Talyzie, tem o trabalho atento de Talynie Mihaliuc, sua irmã, e Gorete Arruda, sua mãe. “Para a condução em harmonia de uma empresa familiar o mais importante é o respeito à forma de ser do outro, a tolerância às diferenças, é saber valorizar o que o outro tem de bom, é ter humildade para aceitar o que for melhor para a empresa, e muita habilidade no dia a dia”, explica Talyzie, que é conhecida como uma estrategista. “Sou tão entusiasmada com o trabalho, que todos os dias se parecem com o primeiro”, aponta. Desde cedo, ela diz, investiu em viagens para frequentar feiras dos segmentos de joias, de ótica e de relógios do mundo. Bateu em muitas portas para fechar parcerias, ouviu algumas negativas e jamais desistiu. O resultado é que a Tallis tornou-se uma referência e tem exclusividade em algumas das marcas mais desejadas: Rolex, Mont Blanc, TAG Heuer e Bulgari. “Cada passo foi sonhado, pensado e estudado. Perseverei com determinação para que cada sonho fosse concretizado. Fui atrás de cada fornecedor e marca que eu queria e nunca desisti até conseguir”, diz a empresária - que inaugurou a primeira unidade da Tallis Joias no Shopping Avenida em 1995. Depois surgiram as unidades do Shopping Aldeota, do Shopping Iguatemi e do RioMar Fortaleza. “No dia que eu abri minha primeira loja Tallis, eu soube que eu faria isso para o resto da minha vida com muita felicidade no coração”, explica Talyzie. “Somos uma empresa quase 100% feminina, nossas colaboradoras são mulheres, na maioria das vezes, chefes de família; então existe uma enorme identificação com nossa história”, explica. Os sonhos, mesmo depois décadas no mercado, são constantes. Um deles é o Atelier Tallis, uma pequena realidade que já tem duas coleções de peças autorais feitas por Talyzie e Talynie. “Sempre fizemos joias, mas agora estamos com nosso ateliê a todo vapor”, explica. E completa: “Minhas joias mais preciosas são meus clientes e amigos; é um vínculo de confiança e respeito”. 

O cuidado com cada um

Foto: DIVULGAÇÃO

O executivo Candido Pinheiro Júnior tem claras lembranças de seu pai, o médico oncologista Candido Pinheiro, dedicado aos tratamentos de centenas de pacientes. Em meados da década de 1970, as técnicas e as tecnologias existentes no Ceará não eram tão avançadas quanto agora. “São muito fortes para mim as lembranças do doutor Candido, enquanto médico de destaque na Oncologia no Estado do Ceará e fora dele. Recordo-me da vida atribulada dele como médico, em seu empenho em dar atenção e cuidar dos seus pacientes da melhor forma. A família toda o apoiava nessa dedicação”, explica Candido Júnior, que optou pela formação em Administração na Universidade Estadual do Ceará (Uece). Junto dessa lembrança, ele diz, há outra tão forte quanto: a criação da Clínica Antônio Prudente, que se tornou o Hospital Antônio Prudente. “Lá foi onde tudo começou. Lembro-me que toda a família dava suporte e dedicava-se ao atendimento e à satisfação dos clientes. No início, a estrutura da empresa era pequena, mas já refletia os sonhos do doutor Candido em torná-la grande”, pontua. “Hoje, continuamos com essa dedicação, principalmente com o doutor Candido, dona Ana, Jorge e eu [pai, mãe e irmão, respectivamente]. Já estamos com uma ampla rede própria de hospitais, prontos atendimentos, clínicas, laboratórios e unidades de diagnóstico por imagem, em 11 estados das regiões Norte e Nordeste, e atendimento odontológico em todo o país. Essas memórias contribuíram para a minha formação como pessoa e profissional”, explica o executivo, que atualmente ocupa o cargo de vice-presidente Comercial e de Relacionamento do Hapvida. Os dados mais recentes divulgados pelo sistema apontam que o número de usuários do plano de saúde beira os quatro milhões – sendo mais de vinte mil colaboradores, cinco mil médicos e cinco mil dentistas. Candido Pinheiro Júnior é responsável pela condução das linhas estratégicas e metodológicas do sistema. Quando um usuário do sistema deixa as dependências de qualquer unidade, ele explica, o sentimento que precisa estar presente é o de satisfação. “Queremos que o nosso cliente sempre saia de nossas unidades com os sentimentos de que tudo que precisava foi atendido. Para essa satisfação, também realizamos, cada vez mais, uma revisão da experiência dos clientes, com elogios, críticas e sugestões”, elucida o executivo. O conceito é que os atendimentos sejam cada vez mais digitais, cômodos e acessíveis. A saúde pública, na opinião do executivo, é talvez um dos temas mais relevantes da economia global. “Na saúde, contamos com elementos que são desafiadores para todos, seja na esfera pública ou privada. O envelhecimento saudável da população não tem preço, mas tem custo”, aponta Candido Júnior, que, atualmente, mantém na rede 26 hospitais próprios, 19 unidades de pronto atendimento, 75 Hapclínicas e 84 centros de diagnóstico por imagem e coleta laboratorial. “Nossa empresa trabalha diariamente para elaborar novas ferramentas de gestão que contribuam para a qualidade de vida de nossos clientes”, aponta o empresário. Um dos pilares, explica Candido Pinheiro Júnior, é apoiar e estimular os clientes a práticas saudáveis – para isso existem programas que incentivam a prática regular de atividade física e o cuidado com gestantes ao longo do pré-natal e no momento do parto. “Nossa prioridade é atender cada vez melhor com qualidade, eficiência em custo e acolhimento, que são os pilares que nos norteiam. A expansão da empresa e a abertura serão sempre com base na vontade do nosso cliente. Ele sempre vai ditar nosso crescimento: para onde e quando vamos”, pontua o executivo cearense. 

Para Celebrar o Ceará

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Gaudêncio Lucena é apaixonado por carros antigos e por cédulas de todos os países do mundo. Quanto mais clássica, única e diferenciada for a peça, mais apreço o empresário cearense terá. É por isso que viaja ao exterior para participar de feiras e visitar museus onde estão expostos veículos raros. E também utiliza os recursos da internet para fazer contato e intercâmbio de cédulas com colecionadores de várias partes do planeta. Esse empenho e essa dedicação as suas grandes paixões se assemelham a forma como lidera a Corpvs Segurança, uma das empresas mais reconhecidas no mercado dentro dos seus segmentos de atuação. “Transformar a Corpvs, que hoje é a maior empresa de segurança para transporte de valores do Norte e Nordeste, na maior empresa de segurança do Brasil genuinamente brasileira e implantar novos projetos nas área de comunicação e energia”, explica o empresário quando indagado sobre os projetos e sonhos que ainda tem vontade de realizar à frente da instituição. A Corpvs vai completar 45 anos de existência em janeiro de 2020. Para essa data, ele já prevê o lançamento de um livro narrando a história da entidade. Gaudêncio Lucena é um nome conhecido no mundo corporativo há décadas. Mas tornou-se verdadeiramente familiar para o grande público do Estado quando ocupou o cargo de vice-prefeito de Fortaleza - entre os anos de 2013 e 2016 - durante o primeiro mandato do prefeito Roberto Claudio. Foi um tempo, ele diz, de retribuir à Cidade e à população um pouco de tudo que recebeu ao longo da vida. “Tive na política a oportunidade de devolver ao povo e à cidade de Fortaleza, um pouco de tudo que recebi do local que escolhi para viver e a quem tanto devo, em retribuição por tudo que tem me proporcionado ao longo da vida desde quando aqui aportei e a adotei como minha morada”, diz o empresário, natural de Barbalha, Cariri. “Barbalha foi a cidade onde vivi toda a minha infância e adolescência. É nessa época da vida que se constrói grandes amizades, as quais conservo até hoje. Àquela época tinha o melhor colégio do Cariri, Colégio Santo Antônio, onde hoje funciona a Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC). Cidade bonita, de um povo ordeiro e singular, conhecida como a cidade dos verdes canaviais”, comenta sobre a terra natal. O gestor, aliás, é um entusiasta do Ceará - com seu povo, seu empresariado, suas peculiaridades e seu empreendedorismo. “Temos hoje grandes marcas genuinamente cearenses, grandes grupos empresariais locais que se transformaram em empresas nacionais e até multinacionais, e a prova mais robusta dessa verdade é que o Ceará é o terceiro estado em número de bilionários no país. Já são 15 cearenses nessa condição, fruto de muito esforço, dedicação aos negócios e obstinação pelo trabalho”, defende Gaudêncio. O empresariado, inclusive, na opinião dele, é a mola propulsora da economia. “Quem gera emprego, renda, faz a economia crescer e o país florescer. O empreendedorismo é a força motriz do desenvolvimento das nações”, explica, apontando que a função dos governos está apenas em arrecadar impostos e devolver à sociedade em forma de educação, saúde, segurança pública gratuita e de qualidade, saneamento, infraestrutura e mobilidade. “O governo não passa de um mero arrecadador de impostos”, diz o empresário, que tem filiais da Corpvs em Pernambuco, Rio Grande do Norte e São Paulo. Apesar de suas constantes viagens para o exterior - para trabalhar ou para pesquisar sobre veículos antigos e cédulas de outros países -, Gaudêncio Lucena tem nas terras cearenses o seu maior porto. “O Ceará é uma terra abençoada por Deus, mil encantos temos nessas plagas, suas belezas naturais, como as praias, as mais lindas deste país, sol o ano inteiro, serras e montanhas encantadoras, povo ordeiro, inteligente e empreendedor, tudo isso nos proporciona uma excelente qualidade de vida.” 

Conhecimento é a chave

Foto:  Camila de Almeida

Todos os dias, ao acordar e pouco antes de dormir, Élcio Batista se dedica a leituras. Jornais, livros variados, textos teóricos. O hábito o mantém próximo da universidade - local onde passou boa parte da vida, cursando graduação, mestrado e doutorado. “Eu não me considero uma pessoa apartada da academia, ao contrário, aqui eu estou tendo muito mais condições de aplicar um conjunto de conhecimentos que eu aprendi na universidade e que eu continuo estudando. Eu acho que a tarefa de continuar estudando é fundamental. E eu sou extremamente rígido nesse ponto, em tentar manter essa perspectiva de não parar de estudar, não parar de ler, não parar de buscar cada vez mais e conhecer mais”, explica Élcio, atualmente ocupando o cargo de secretário-chefe do Gabinete do Governador. Pelo escritório estão espalhados livros, revistas e publicações sobre o território cearense.

Até chegar ao posto – um dos mais estratégicos na máquina pública do Estado – Élcio vivenciou experiências em universidades, faculdades, laboratórios de pesquisa, empresas particulares, escolas, grupos de pesquisa e outros tantos locais. Muitas variáveis são necessárias - aponta - para entender o processo que o levou até a função. O capital social conquistado ao longo da jornada, seja na universidade ou nos lugares onde trabalhou; o capital intelectual adquirido por intermédio dos conhecimentos estudados a partir da graduação; o capital cultural conquistado entre a educação básica e o ensino superior. “Essas oportunidades foram se transformando em sonhos, foram gerando expectativas, e foi surgindo em mim um conjunto de intenções. A combinação dessas três coisas me trouxe até aqui”, elucida o gestor, que foi professor universitário e orientava trabalhos acadêmicos.

Élcio é graduado em Ciências Sociais, mestre e doutor em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Ao longo da vida acadêmica, teve orientação do professor César Barreira e versou sobre temas como administração pública, seguridade social, segurança e ordem pública. Os conhecimentos adquiridos, agora, ganham eco nas centenas de decisões que precisam ser tomadas todos os dias. “A minha experiência na universidade foi fundamental para que eu pudesse desempenhar as minhas atividades no governo da melhor maneira possível, da forma mais apropriada e voltada para o interesse público”, explica.

“Participar da administração pública significa que você, talvez, em 80% do teu dia e das atividades que você desempenha, você está gerenciando conflitos. Gerenciar conflitos é fundamental. As ciências humanas ajudam muito nessa direção. De você aprender a lidar com as pessoa, a gerenciar conflitos, a gerenciar expectativas, a gerenciar interesses que movem as pessoas. A universidade me ofereceu uma grande oportunidade na medida em que a minha formação foi voltada para o estudo da sociologia, da antropologia, da ciência política, da filosofia, da economia, da comunicação. Eu aprendi todos os conceitos, todas as ferramentas, todo o instrumental necessário para que pudesse desempenhar essa função da melhor maneira possível.”

Quanto ao futuro do Ceará, na opinião do gestor público, é preciso que seja desenhado em linhas de riqueza e prosperidade – mas sempre focando no desenvolvimento igualitário. “Precisa produzir uma equidade maior. A gente não deve ser um estado rico e próspero, mas extremante concentrador de renda. A gente tem que ser um estado rico e próspero, mas um estado com maior equidade entre a população”, prevê o gestor, que tem voltado os olhos para o Ceará 2050 – projeto do Governo do Estado realizado em parceria com a universidade e que objetiva traçar estratégias e ações para as próximas três décadas.  

O Homem do Cariri

Foto: Julio Caesar

Menino nascido no Crato, na região do Cariri, Camilo Santana cresceu vivendo toda a efervescência cultural daquele território cearense – com sua religiosidade, seus reisados e tantas manifestações populares. “Tenho ótimas lembranças da minha infância e juventude no Cariri”, explica o atual governador do Ceará, que foi eleito para um segundo mandato com mais de 80% dos votos. A vida pública começou cedo para Camilo Santana. Foi deputado estadual – eleito com o maior número de votos em 2010 -, superintendente adjunto estadual do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); e também secretário do Desenvolvimento Agrário do Estado. Dos pais – o ex-deputado Eudoro Santana e a assistente social Ermengarda Santana – ele diz ter herdado seus principais valores, seu alicerce e sua influência política. “Os valores da família são a base de tudo. Papai é, pra mim, um exemplo, uma referência de vida, de política. Mamãe também. Ela foi vice-prefeita de Barbalha, começou um trabalho importante de organização das comunidades, das associações, de base mesmo”, explica Camilo – que é casado com Onélia Leite Santana e pai de dois filhos, Pedro e Luísa. Antes de assumir seu primeiro ciclo à frente do Governo do Ceará, entretanto, Camilo Santana foi um jovem estudante da graduação em Agronomia e do mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente na Universidade Federal do Ceará (UFC). À época, ocupou a diretoria do Diretório Central dos Estudantes (DCE) na instituição. “Foi uma experiência muito positiva e conheci muita gente que hoje também atua na política”, explica o governador. É na política estudantil, ele acredita, em que o indivíduo se reinventa e luta por melhorias para a coletividade. “É lá onde começam a ser criadas novas lideranças. O movimento estudantil mudou a minha visão de mundo e me mostrou a necessidade da participação na política, de trabalhar para ajudar as pessoas”, pontua. Camilo faz planos de retornar para os estudos e para a universidade em algum lugar do futuro. Indagado sobre o desejo de cursar um doutorado, ele é enfático: “Sim, com certeza”. “Durante o mandato fica impossível conciliar com os estudos, já que dedico todo o meu dia para trabalhar pelo povo cearense. Mas, no futuro, tenho essa intenção de adquirir mais conhecimento”, elucida o governador, que, a partir de janeiro de 2019, assume um novo mandato e deve cumprir um ciclo de quatro anos liderando o Governo do Ceará. Um de seus maiores orgulhos está, justamente, no trabalho desenvolvido no sistema educacional estadual. “Estamos ampliando as escolas em tempo integral. Temos 230 atualmente. Uma em cada três escolas da rede estadual são em tempo integral. Temos ainda 73 escolas em construção em todo o Estado.” Ele lembra que o Ceará tem, hoje, 82 das 100 melhores escolas públicas do Brasil no ensino fundamental. “Crescemos muito também no ensino médio. Isso mostra os avanços, que estamos no caminho certo: dando educação de qualidade para as futuras gerações.” Camilo Santana declara-se um professor e cita Sócrates ao falar de educação: “O homem para ser completo tem que estudar, trabalhar e lutar”. O estudo, afirma, é a base de tudo e onde os indivíduos adquirem conhecimento necessário para construírem as trajetórias de vida. “Por isso, considero que a educação em tempo integral é o melhor caminho para construirmos um estado mais justo e fraterno. Quanto mais tempo o aluno passar na escola, melhor será para a formação dele”, elucida o governador, que lecionou no Centro de Ensino Tecnológico do Ceará (Centec), no Cariri. “É uma atividade que gosto e admiro muito. Está entre as profissões mais nobres que existem”, afirma. Camilo Santana reconhece que ser eleito com percentual superior aos 80% dos votos cearenses aumenta - ainda mais - a responsabilidade sobre a forma como vai continuar governando o Estado. “Fiquei muito grato pela confiança que o povo cearense depositou em mim e na professora Izolda [Cela, vice-governadora também eleita para o segundo mandato]. A única forma que tenho de retribuir essa votação é trabalhando muito. Eu dediquei muito desse primeiro mandato a trabalhar incansavelmente pelo Ceará, pelos cearenses. Enfrentamos momentos difíceis no país, com crise econômica, crise política e seca no Ceará, mas nós trabalhamos muito. Muito diálogo, muita parceria e respeitando as pessoas. Para mim, essa votação é um reconhecimento desse trabalho”, explica. O governador prevê que 2019 será um “ano desafiador” e cita projetos de infraestrutura que estão em andamento: a conclusão do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) e do Cinturão das Águas, a construção da Linha Leste do Metrô de Fortaleza, novas estradas, equipamentos de saúde e escolas. Para o Governo do Estado, ele explica, foi criada uma nova estrutura administrativa. Entre as mudanças estão a extinção de seis secretarias – passando das atuais 27 para somente 21 – e a redução do número de cargos comissionados em 997. “Isso vai gerar economia de R$ 27 milhões por ano aos cofres públicos, o que vai nos permitir investir ainda mais em setores prioritários como saúde, segurança e educação. Nossa intenção é realizar uma integração maior entre os vários setores do governo para, com isso, fortalecer as políticas públicas e melhorar os serviços prestados aos cidadãos cearenses. Tenho convicção de que, com muito trabalho e diálogo entre todos os setores, conseguiremos manter nosso ritmo de crescimento e melhorar a qualidade de vida para nossos irmãos e irmãs cearenses”, exemplifica o governador. 

Mediação no dia a dia

Foto: Ethi Arcanjo (em 10/11/2015)

A primeira vez que José Jácome Carneiro Albuquerque, o Zezinho Albuquerque, foi eleito para ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará era 1990. Com 35 anos, ele recebeu 14.537 votos da população cearense. “O sentimento foi de alegria, o mesmo que sinto até hoje, quando fui escolhido pelos cearenses, mais uma vez, para representá-los. Em 2019, irei para meu oitavo mandato, cada vez com mais força e vontade de ver um Ceará melhor para todos”, declara o parlamentar. No pleito mais recente, Zezinho alcançou 79.489 dos votos válidos no Estado. Integrante do Partido Democrático Trabalhista, o PDT, Zezinho Albuquerque é conhecido pela sua personalidade mediadora – característica que o político e empresário não nega ter em suas relações profissionais. “Acredito que com diálogo todo problema pode ser resolvido, ou então amenizado. Recebo diariamente, na presidência da Assembleia Legislativa, deputados, prefeitos, lideranças dos mais diversos municípios do Estado. Também recebo visitas das mais diversas categorias para mediar assuntos com nosso querido governador Camilo Santana. Portanto, no cargo que exerço, saber dialogar, escutar e tentar trazer soluções são fundamentais para que se desenvolva um bom trabalho”, exemplifica. E são três os pilares apontados por ele para a vida pública: “diálogo, trabalho e coragem para enfrentar os desafios que nos chegam diariamente”. Natural de Massapê, município da região norte do Estado, Zezinho teve uma infância e uma adolescência que ele classifica como “muito boas”. Três eram suas atividades favoritas: banho de chuva, banho de rio e andar a cavalo. “São lembranças preciosas de um momento muito importante da minha vida. Posso dizer que foi tudo maravilhoso”, pontua. A memória desse período de juventude e o olhar para um dos problemas da sociedade cearense fizeram Zezinho Albuquerque embarcar em uma das campanhas institucionais mais conhecidas na Assembleia Legislativa nos últimos anos, a Ceará sem Drogas. “Os frutos são os cerca de 65 mil jovens beneficiados pela campanha. Fico muito contente quando sei de histórias de adolescentes que escutaram a fala do ex-jogador da Seleção Brasileira Walter Casagrande (convidado do projeto) e, através da história dele, chegaram à conclusão de que não vale a pena sequer ter a curiosidade de experimentar algum tipo de entorpecente”, comemora o parlamentar, lembrando que existem até relatos de jovens que largaram as drogas após ouvir a palestra. Lançada em 2014, a campanha Ceará sem Drogas gerou como fruto o Fundo Estadual de Políticas Sobre Álcool e Outras Drogas – mecanismo que viabilizou a captação, o repasse e a aplicação de recursos para execução de atividades no Sistema Estadual de Políticas Públicas sobre Drogas. Presidente da Assembleia Legislativa eleito por três gestões consecutivas, Zezinho Albuquerque acredita que a campanha institucional mostra que a “Casa do Povo” está atenta aos “grandes problemas enfrentados no nosso Estado, no país e até no mundo”. O deputado estadual também aponta o Seminário Internacional sobre Segurança Pública – que teve sua última edição realizada em junho de 2018 - como um marco na história do parlamento cearense. “Vale ressaltar que foram projetos que idealizei, mas com o apoio dos outros 45 colegas deputados que compõem a Assembleia Legislativa do Ceará.” Para o próximo mandato como deputado estadual, que vai de 2019 até 2022, Zezinho Albuquerque diz ter planos claros: “Pretendo continuar o trabalho de ajudar no desenvolvimento do Estado do Ceará”. O objetivo, explica, é sempre buscar a vinda de mais indústrias, a geração de emprego e mais investimentos para áreas como educação e saúde. 

Educação para toda a vida

Foto: Camila de Almeida

Quando criança, aos sábados, o menino Tales de Sá Cavalcante costumava andar de bicicleta da casa onde morava, localizada nas proximidades do Center Um Shopping, até a unidade do Colégio Farias Brito, situada no Centro de Fortaleza. “Frequentemente percorria a tranquila [rua] Costa Barros de mãos soltas”, lembra o educador nascido em janeiro de 1950. Era o tempo de uma cidade mais tranquila, quando o estudante do ensino fundamental conseguia, muitas vezes, após a aula, ir para casa a pé “sem perigo algum”. A configuração de Fortaleza mudou e nem sempre é possível passear de “mãos soltas” por vias tão intensas e abarrotadas. Permanece, na memória de Tales, a dedicação de inesquecíveis professoras de sua época de estudante. Mais tarde - graças a seus esforços próprios e a uma educação sedimentada na disciplina, no compromisso e na excelência - ele ingressaria na graduação em Engenharia Civil na Universidade Federal do Ceará (UFC), tendo se formado na turma de 1972. Caberia ao estudante esforçado, entretanto, a missão de comandar uma das mais prósperas e reconhecidas empresas do setor educacional cearense. A Organização Educacional Farias Brito, fundada em 1935 pelo professor Adualdo Batista de Araújo como Ginásio Farias Brito e, posteriormente, administrada pelo educador Ari de Sá Cavalcante, pai de Tales. Atualmente, a instituição tem três unidades em Fortaleza com turmas do berçário ao pré-vestibular, uma unidade em Sobral e uma unidade em Eusébio - além de um núcleo de ensino superior e estudos avançados. “Tradição e inovação não se opõem. Complementam-se. A inovação alicerçada na tradição possibilita novas aprendizagens dentro de valores já sedimentados. E a inovação eficiente vira tradição. Uma instituição de ensino deve aliar esses dois aspectos complementares”, elucida Tales de Sá Cavalcante, que atualmente ocupa as funções de reitor da FB Uni e também de diretor-superintendente da Organização Educacional Farias Brito. Tantas décadas dedicadas a promover educação de qualidade no território cearense apenas aumentaram nele o desejo de criar ambientes saudáveis, prósperos, afetivos e inovadores de educação - para que os estudantes recebam os melhores processos de ensino e aprendizagem em toda a vida. “A realização dos sonhos de nossos alunos é a realização dos nossos sonhos também”, diz. Não fosse a educação, entretanto, ele teria profissões que se diferenciam. “Talvez fosse publicitário, DJ ou médico”, brinca. Como educador e na liderança da Organização Educacional Farias Brito, entretanto, ele já conseguiu resultados que se destacam no cenário nacional. Da aprovação de estudantes em concorridos vestibulares, como do Instituto Tecnológico de Aeronáutica e Instituto Militar de Engenharia , até destaque em olimpíadas específicas e altas notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Antes das provas e das avaliações - que são constantes na rotina de alunos do Farias Brito - o educador sempre tem alguns conselhos certeiros para todos os estudantes: “Que acreditem em si, pois tiveram boa preparação, dominem os conteúdos e demonstrem habilidades e competências na resolução das avaliações, mostrando-se também bons de prova. E ainda levem em consideração que a hora do desafio é o momento de colher os frutos do esforço empreendido”. O Ceará, explica Tales de Sá Cavalcante, é um território de boas escolas e o Estado tem se saído bem nos índices tanto da educação pública quanto da educação privada. “E, quando o nível é alto, é alta também a competitividade.” Quanto aos fatores para formar uma escola de qualidade, para Tales, estão: “A excelência acadêmica, a meritocracia, a construção do conhecimento em via de mão dupla entre estudantes dedicados e os melhores professores, o desejo de superar desafios dentro da ética e da responsabilidade social e ambiental e o acompanhamento individual do aluno”.  

Disciplina e devoção

Foto: Julio Caesar

Joana não tem lembranças de vida “sem estar dentro” de uma loja dos Mercadinhos São Luiz. Tanto que uma de suas primeiras memórias é da montagem de uma unidade nas proximidades do Parque do Cocó. Para a menina, que andava nos corredores em visível expectativa, havia a função de organizar produtos. “Como família e como criança, eu estava ali dentro também o tempo inteiro”, conta. Naqueles dias foi dela a função de formar kits para uma promoção da marca Nescau - duas unidades e uma bola. Pedido do pai prontamente atendido pela menina que se orgulhava de deixar tudo organizado. E tantas foram as vezes nas quais ela foi buscada no Shopping Iguatemi depois de um passeio ou na escola depois de uma aula e seguiu para uma das unidades da rede. “Depois a gente ia para a loja organizar prateleira. E eu ia organizar margarina e organizava com muito prazer e com muito orgulho. Porque ficava a minha prateleira super organizada. E fazia isso com muito amor”, lembra. Esse amor pela organização e pelo sucesso da rede, plantado ainda na infância, se reflete no trabalho que ela desenvolve hoje como diretora de Estratégia e Inovação dos Mercadinhos São Luiz. Joana é a mentora de projetos que elevaram a imagem da empresa diante dos consumidores e sedimentaram a instituição como uma das mais importantes no mercado cearense. Exemplo é o festival Costume Saudável. Realizado desde 2013 e pautado ems boas práticas de alimentação e de atividade física, o evento reuniu 40 mil pessoas na última edição. Com seus 35 anos recém-completos, a executiva é a voz de um estilo de vida equilibrado. “Eu acho que a maneira que cada um consegue contribuir com a vida mais saudável é tendo uma vida mais equilibrada. Eu vejo as pessoas querendo fazer tudo para ontem. Fazer mil e uma coisas, eu inclusive. E acho que ninguém aqui é um super homem. Ninguém é máquina. As pessoas têm que lembrar que elas são pessoas, que elas têm emoções, que elas cansam”, analisa Joana Ramalho - que é mãe de Sophia, 10 anos, e Arthur, 2 anos. A executiva precisa conciliar sua carreira de líder nos Mercadinhos São Luiz com as tantas funções da maternidade. Um belo desafio, nas palavras dela, pelo qual muitas mulheres precisam passar. “Não podemos negar que, de alguma maneira, a gente deixa alguma área ausente. Mas por outro lado, acho que é a vida. Acho que faz parte seja maternidade ou qualquer outro aspecto. Paternidade também”, lembra. Com a filha Sophia, conhecida como Soul, ela compartilha uma paixão de infância: a dança. Desde os cinco anos, Joana tem a atividade presente na rotina. Foi uma adolescente ocupada com os ensaios e dedicada a levar sempre os melhores espetáculos para os palcos. E, segundo a executiva, os valores aprendidos durante os ensaios foram fundamentais para sua carreira e para sua vida. “A dança nunca é sobre uma pessoa, é sobre um time. Não adianta uma pessoa brilhar se os outros não brilharem. A gente tem que se complementar. Isso é uma característica que funciona muito bem no mercado de trabalho.” De cabeça erguida, ela aprendeu também a enfrentar plateias imensas e que, muitas vezes, os planejamentos podem não funcionar e os projetos podem dar errado. “Eu aprendi na dança que as coisas dão errado sim. É muito normal as pessoas errarem, mas isso não é o fim do mundo. E o que importa é o que você vai fazer em cima daquele erro na hora do jogo; por que você está em cima do palco, você erra, mas você também tem que aprender a aproveitar e improvisar. Aprender para improvisar de cabeça erguida de uma maneira que as pessoas não percebam”, explica a executiva, que atualmente é aluna da Academia de Dança Vera Passos. A vida de dançarina, ela diz: “É ensaio, ensaio e ensaio. “Então você tem que ter comprometimento e respeito pelos outros, chegar no horário”, fala sobre os ensinamentos adquiridos com a rotina. Aquilo que vai para o palco em poucos minutos - elucida a executiva - é resultado do esforço coletivo que acontece por muito tempo. “Para que ninguém fique achando que o trabalho é uma coisa que você não tem trabalho anterior e consegue os frutos, os louros, pois, na verdade, tem muito esforço por trás comparado ao pequeno tempo que você tem louro e crédito. Eu aprendi isso também na dança.”  

O Pensador Múltiplo

Foto: Camila de Almeida

Ednilton Gomes de Soárez é um homem que se dividiu entre múltiplas funções e áreas ao longo da vida. Já ocupou os cargos de secretário da Fazendo do Ceará, presidente do Presbitério do Ceará da Igreja Presbiteriana do Brasil, diretor do Sistema Verdes Mares, presidente do Centro Industrial do Ceará (CIC). Agora, com quase 74 anos completos, a experiência acumulada é concentrada para duas iniciativas: o Beach Park e a Educadora 7 de Setembro. “Quando o papai faleceu eu era executivo do Grupo Edson Queiroz e, como a mamãe não tinha experiência administrativa financeira, me dispus a apoiá-la nessas áreas. Com o passar do tempo, crescimento do colégio e minha saída do Grupo Edson Queiroz, passei a me dedicar totalmente ao colégio. Isto foi em 1990, faz muito tempo...”, relembra Ednilton, que é filho de Edilson Brasil Soárez e Nila Gomes de Soárez. Descendente de uma linhagem de educadores, Ednilton afirma que seguir os passos dos pais acabou sendo um caminho natural. “Desde cedo na família vivíamos um clima educacional. Respirávamos educação.” Ex-aluno do Colégio 7 de Setembro – instituição pertencente a Educadora hoje comandada por ele, o executivo acredita que a empresa tem conseguido manter um ambiente escolar com características próximas ao “ginásio” fundado há 84 anos pelo professor Edilson e pela professora Nila. “Onde trabalha-se a formação do caráter das crianças e dos adolescentes numa parceria muito estreita com as famílias. As minhas lembranças são de uma escola com disciplina, mas muito cordial”, argumenta o gestor. Para ensinar crianças e jovens, o empresário cearense defende alguns valores como básicos. “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, são ensinamentos bíblicos. Além destes, acrescentaria disciplina e equilíbrio.” Alguns aspectos, explica o executivo, mudaram ao longo dos tempos, como a didática dos professores que foi atualizada com técnicas mais modernas e a introdução de equipamentos que facilitam o aprendizado e tornam as aulas mais atrativas para os estudantes. Outras perspectivas, entretanto, permanecem semelhantes, como o “carinho com que são tratados os alunos”. “Ser educador está no meu DNA, gosto muito da sala de aula, de trocar ideias com os professores sobre técnicas de aprendizagem e avaliação. Conversar com as famílias dos alunos. Ser educador está no sangue”, explana Ednilton, que possui formação superior na Escola Nacional de Engenharia Mecânica, localizada no Rio de Janeiro, e é especialista em Administração Financeira e Investimentos pela Graduate School of Business Administration, instituição de ensino de Nova York, Estados Unidos. Com tantas atribuições, responsabilidades e decisões diárias, Ednilton busca atividades que lhe proporcionem equilíbrio físico e mental. Tem uma vida espiritual que ele classifica como “intensa”, sendo líder da Igreja Presbiteriana Nova Jerusalém. “Onde, além de exercer o cargo de vice-presidente do Conselho e professor de Bíblia aos domingos, dirijo um grupo de casais em estudos semanalmente.” A saúde física, ele aponta, é cuidada através de exercícios diários. “Faço academia três dias por semana e, nos outros dois, faço ‘bike’ por dez quilômetros.” Há uma outra balança que o executivo diz sempre ter buscado equilibrar: trabalho e família. Desde cedo, segundo o gestor, procurou dedicar não apenas tempo, mas “tempo de qualidade” para a família. O objetivo foi alcançado com algumas ações simples: fazer as refeições juntos, passar o fim de semana juntos e tirar férias juntos. “Na vida é necessário sempre estabelecer prioridades e a família tem que estar entre essas.” Indagado sobre como se define e sobre qual Ednilton é conhecido apenas por amigos e familiares, o educador cearense apenas afirma: “Difícil dizer, pois são muitos os papéis”. 

O construtor de conexões

Foto: Fábio Lima

A narrativa do empresário Lisandro Fujita, 48 anos, começa no outro lado do mundo, no Japão. Seu avô, Jusaku Fujita, foi o primeiro imigrante japonês a fixar-se em definitivo no território cearense. Cruzando oceanos, a família trouxe o sobrenome e veia empreendedora para o Estado. “Sempre fomos instigados a exercer uma liderança, pois cresci presenciando e admirando um grande líder que é o Capitão Fujita, meu pai. Seu carisma, obstinação e humildade são exemplos em que me espelho e me fazem seguir adiante”, explica Lisandro, se referindo a João Batista Fujita, segundo na linhagem de descendentes japoneses. Lisandro dá continuidade ao trabalho na construção civil iniciado pelo pai ainda na década de 1960. Liderando a Star Construções - empresa que realiza montagens e manutenção de postos de combustível, serviços industriais e hospitalares e outras atividades na construção civil -, ele explica que é necessário aprender a fazer o “árduo trabalho” de delegar funções. “Devemos sempre motivar nossos colaboradores para que se sintam parte da empresa e, assim, acredito, conseguir maior produtividade e eficiência de todos”, defende. Formado em Administração, Lisandro aponta que, se não tivesse enveredado por esse caminho, possivelmente pilotaria aviões. “Acho que ser piloto não seria má ideia”, pontua entre gargalhadas. Mas o percurso até agora trilhado foi pelo escritório, pelas estratégias e pela liderança. “Uma agenda organizada, um ambiente acolhedor, até familiar, e um bom café”, diz quando indagado sobre os objetos que o rodeiam durante o trabalho. “Prezo por organização e sou bastante exigente quando se trata de desempenho”, completa o executivo, que é casado com Eveline Fujita e pai de José Ilânio. Sobre o equilíbrio entre trabalho e família, ele diz que a experiência e a maturidade aguçam a percepção sobre como é “essencial equilibrar essas duas funções”. “Acredito que essa relação saudável nos deixa mais aptos a enfrentar os desafios que a vida empresarial nos impõe.” Seus momentos de lazer, afirma, têm três atividades primordiais: viajar com a família, receber os amigos e ir à academia “ouvindo uma boa música”. Para o futuro, na opinião de Lisandro Fujita, está sendo moldado um ciclo de otimismo e oportunidades para o setor da construção civil no Ceará. Ainda jovem, ele teve a oportunidade de acompanhar o pai no desenvolvimento de alguns projetos icônicos para o Ceará - como a modernização do Hospital Geral de Fortaleza, a construção do Hospital Regional do Cariri e a modernização do Estádio Presidente Vargas. Mesmo depois de tantas edificações erguidas, a sensação ao encerrar uma obra ainda é gratificante. “É sempre um sentimento de superação e alívio diante de tantas adversidades no cenário econômico em que vivemos.” E completa: “Quando se sabe aonde quer chegar, a coragem se torna uma aliada, apesar de qualquer temor”. 

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