"É gratificante ajudar e saber que fiz parte da vida daquela pessoa... Pensei que fosse uma coisa tão difícil (alfabetizar jovens e adultos) e foi um aprendizado. Há valores que você vai atribuindo à vida: ser mais tolerante, chegar mais perto (das pessoas), escutar mais"

Conceição, professora. Alfabetizar jovens e adultos é iluminar o conhecimento sobre si mesmo e sobre o outro. E, assim, tecer humanidades
Conceição tem um desafio cotidiano: alfabetizar 30 jovens e adultos, na faixa dos 15 aos 56 anos
Viver é uma rebeldia. Conceição deveria ter concluído a educação formal, mas, aos 15 anos e contra o entendimento da mãe, decidiu fazer o curso pedagógico. A professora deveria também permanecer na escola particular, "financeiramente seria perfeito", mas, aos 48 anos e contra qualquer entendimento, escolhe alfabetizar jovens e adultos na escola pública. "É um trabalho triplicado. Você tem que elevar a autoestima dos adultos e fazer com que percam o medo. Eles têm medo de falar porque têm vergonha", desbrava.

"Todos os dias da minha vida", desde os 18 anos, ela diz, Maria Conceição Almeida de Medeiros ensina a ler palavras e coragens, a escrever nomes e histórias. Manhã, tarde e noite, em meio à ordenação interminável da própria vida, ela se multiplica professora. Neste dezembro, encerra o tempo - mais da metade do viver - de aulas para crianças no Colégio Santa Cecília (Aldeota). Há dois anos, um concurso público levou Conceição até a Escola Municipal Valdevino de Carvalho, na Parangaba. Do outro lado da Cidade, na contramão das certezas.
Para alfabetizar os adultos, Conceição ensina: "Eles gostam que os escute... Alguns falam da sua vida e vamos trocando experiências"
Os livros estão defasados, a educação não é valorizada, é preciso buscar os alunos de porta em porta. Alfabetizar 30 jovens e adultos, na faixa dos 15 aos 56 anos, é o desafio que Conceição abraça. "Eles chegam desacreditados (de si mesmos)", escuta. As aulas são à noite, depois de um dia de trabalho, de lutar contra as drogas, de cuidar da mãe com Alzheimer, de criar a neta."São pessoas que deixaram de viver a própria vida para suprir a vida de outras", desfia a professora.

São também portadores de transtorno bipolar, déficit de aprendizagem, autismo, sonhos. Desejam ler um livro, pegar um ônibus, mudar o destino. "Quando passam a ler e a escrever, é como se tivessem outros olhos. Estão abertos para o mundo", ilumina Conceição. Para alfabetizá-los, ela reinventa, "não dá certo só caderno e caneta". É preciso trocar afetos e confidências. "Eles gostam que os escute... Alguns falam da sua vida e vamos trocando experiências", embarca a professora. 

A primeira palavra que aprendem a escrever, guia Conceição, é o próprio nome, "que é a identidade, a história dele". Então, ao abrir os olhos para o mundo, "percebem que tem colegas que começam com a mesma letra deles". As histórias se encontram e as humanidades se tecem. 

No processo de alfabetizar dizeres, confianças e compreensões, os alunos também clareiam entendimentos para a professora. "É gratificante ajudar e saber que fiz parte da vida daquela pessoa... Pensei que fosse uma coisa tão difícil (alfabetizar jovens e adultos) e foi um aprendizado". E todo aprendizado inaugura sabedorias. "Há valores que você vai atribuindo à vida: ser mais tolerante, chegar mais perto (das pessoas), escutar mais", reflete a professora.  

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