"Sou filho de agricultores, do interior da Irlanda, família muito grande, não tinha muito luxo. Nesse aspecto da vida, me senti em casa chegando nos lugares pobres. Sempre me senti muito acolhido, não tive medo de morar nesses lugares. Uma vez que você entra e conhece as pessoas, você está em casa"

Padre Eduardo e padre Martinho, missionários. aproximar Deus e homens em um lugar que é a própria dúvida os fez encontrar caminhos para a fé

Com fé nos homens, padre Eduardo muda o final de muitas histórias
Na comunidade Luxou (Praia do Futuro, zona leste de Fortaleza), as casas traçam as ruas, os becos, o campo de futebol, as histórias. Construídas na areia - a partir de 1977, quando quatro famílias de retirantes ocuparam o espaço do antigo clube recreativo Luxou -, são moradias na dúvida. Narram invasões, lutas, medos, pobreza; solidariedade, fé. Em uma dessas narrativas, moram os padres redentoristas - meio irlandeses, meio brasileiros - Eduardo Gowing, 80 e Martinho Murray, 86.

Os missionários europeus dividem, há 18 anos, uma casa que cabe em uma mão: tem sala, dois quartos, cozinha e algumas plantas. Ao abrir a meia-porta de entrada, já se está na casa toda. Custou R$ 3 mil, à época da compra. Não tem forro, nem reboco, nem piso além do cimento. E, segundo o sorriso de padre Eduardo, "é bastante confortável para nós!". 

O mais é a televisão de tubo, no canto em cima da geladeira, e o computador. "É o luxo que temos!", conta padre Eduardo, sentado em uma velha cadeira de madeira. Ele fala também por padre Martinho, silencioso para entrevistas. E se une aos vizinhos, ao armar a barraca (como escreve um painel bordado, que enfeita a parede de tijolo) no meio dos "mais pobres e abandonados".

Nesse outro lado da turística Praia do Futuro, os missionários percorrem, em uma moto (como quando eram seminaristas), 18 comunidades semelhantes. "A moto dá uma sensação de liberdade!", diz o padre de 80 anos que, dia e noite, aproxima Deus e homens em projetos sociais. 
Padre Eduardo, missionário europeu, mora, há 18 anos, uma casa que cabe em uma mão: tem sala, dois quartos, cozinha e algumas plantas.
Os redentoristas se alternam na leitura e na prática da Bíblia, caminhando contra a descrença, o analfabetismo e a exclusão. No sol quente, na poeira, nas prisões, "a gente enfrenta tudo!", dispõe-se o padre de pele rosada e olhos claros. "Sou filho de agricultores, do interior da Irlanda, família muito grande, não tinha muito luxo. Nesse aspecto da vida, me senti em casa chegando nos lugares pobres. Sempre me senti muito acolhido, não tive medo de morar nesses lugares. Uma vez que você entra e conhece as pessoas, você está em casa", retrata.

Ligações humanas se revelam em mundos diversos, como fios a elaborar a delicada junção da vida. Em um lugar que é a própria dúvida, fé e solidariedade se manifestam com força extraordinária. Ali, Deus está na última esperança, assim como a partilha está no derradeiro pedaço de pão. No choro da morte, na dor da doença, no incontável perdão.

A propósito, houve dias em que a casa dos padres "foi arrombada, duas ou três vezes, pela mesma pessoa, uma mulher daqui", sorri o missionário. Uma conhecida por pedir comida, carregando duas crianças. "Depois, ela veio aqui, falamos com ela e demos mais ajuda. Somos amigos", com fé nos homens, padre Eduardo muda o final da história.  

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Trilha incidental original: JUCA SANTABAIA (baseado na Oração de São Francisco);

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Agradecimentos às bordadeiras MARLENE GUABIRABA, PIEDADE MACEDO DE ARAÚJO LIMA E SHIRLEY M. COSTA CORREIA.