"Um dia, errei dois pontos. Tive que fazer tudo de novo. Mas fiz com muito amor, esse trabalho. Foi de coração", oferece dona Marlene

Marlene, Shirley e Piedade de Jesus dialogam no gosto pelo bordado. As três costuraram as narrativas deste Especial de Natal inspirado em Franciscos
Aos 86 anos, bordar é uma das alegrias cotidianas de dona Piedade, que bordou o São Franscisco para esse projeto
Bordando possibilidades. Os trabalhos de escrever e de bordar se encontram neste caderno especial. Tecer cada palavra requer dedicação, aprendizados, recomeços. Marlene Guabiraba e Shirley Maria Costa Correia, tia e sobrinha, assinam as frases em ponto de cruz, que titulam os perfis a seguir. Piedade de Jesus Macedo de Araújo Lima, 86, manufaturou o São Francisco que preenche a capa.

Marlene e Shirley se somaram na feitura das frases por cerca de nove dias, bordando "das 7 da manhã às 7 da noite", contam. Foi preciso calcular, ponto a ponto, o tamanho das letras para que coubessem no projeto jornalístico. "É um trabalho que exige paciência e concentração. O trabalho em dupla se torna mais rápido, trocamos ideias", considera Shirley, que aprendeu o ponto de cruz com dona Marlene.

Para Shirley, a letra "A", um começo, é a mais complicada de se bordar. E, no caso da Oração de São Francisco que narra este Natal, a palavra "fé" foi a mais difícil de encaixar na medida calculada. "Depois, é seguir!", diz a bordadeira. Bordar também não é tão diferente de viver (ou vice-versa).

"É um trabalho que você tem que ter firmeza no fazer", complementa Piedade Macedo, com a ciência de quem borda "desde criança". Ela passeia pelas memórias ao mesmo tempo em que inventa árvores com coloridas copas de mandalas. Dona Piedade conta que, na sua época de aluna do primário, dos nove para os dez anos, alternava os deveres escolares com os trabalhos manuais. Assim, descobriu a felicidade do bordado: "Fazia pelo prazer de fazer, como tenho até hoje. Faço e dou de presente para um, para outro...". 
Os bordados foram feitos exclusivamente para o especial Natais por Francisco
Dona Piedade casou, o tempo passou e, depois que os filhos cresceram e arribaram, ela voltou para o antigo companheiro. Antes de dormir, continua o bordado que começou na noite anterior. Aos 86 anos, é uma de suas alegrias cotidianas: "Me sinto bem, feliz!".

No ofício de bordar (sejam palavras, vida ou felicidade), ensina dona Marlene, é necessária ainda uma reserva de perseverança. "Um dia, errei dois pontos. Tive que fazer tudo de novo", revela sobre os dias dedicados ao bordado das frases para o jornal. "Mas fiz com muito amor, esse trabalho. Foi de coração", oferece.

expediente

desenvolvimento

Coordenadora de Projetos Digitais: MIÚCHA PINHEIRO

Webdesigner: TICIANA MELO

Frontend: MAURO SANTOS

Programador: UBERGUE ANDRADE

Infraestrutura: RHAJIV PERSIVO

Editorial

Coordenação e Edição: FÁTIMA SUDÁRIO

Concepção e Edição de Arte: GIL DICELLI

Edição de Imagens: SARA MAIA

Tratamento de Imagens: ROBSON PIRES

Websérie - Direção, roteiro e entrevistas: ÉMERSON MARANHÃO

Fotografia: CHICO ALENCAR E SARA MAIA

Edição e finalização: MARCELO ALVES;

Animação Gráfica: HENRIQUE SILVÉRIO

Trilha sonora - Música: Oração de São Francisco (Pe. Irala, SJ, sobre texto de domínio popular); Voz: YÁLEN CARVALHO Piano: NEWTON FREITAS

Trilha incidental original: JUCA SANTABAIA (baseado na Oração de São Francisco);

Produção executiva: LUCIANO ALMEIDA FILHO

Produtor assistente e engenheiro de gravação: ALENCAR JR.

Estúdio: Abel Produções Audiovisuais (Aerolândia)

Hotsite - Editora-Executiva do O POVO Online: JULIANA MATOS BRITO

Agradecimentos às bordadeiras MARLENE GUABIRABA, PIEDADE MACEDO DE ARAÚJO LIMA E SHIRLEY M. COSTA CORREIA.