"Não olhamos mais para a lesão, olhamos para o olho da criança... Aí, é quando você conseguiu chegar no fundo da alma dela, quando você esquece isso (a deformação)"

Evelin, fonoaudióloga. Olhar nos olhos das pessoas, a fez perceber que as delicadezas moram na alma. No hospital, ela se dedica a alcançá-las.

Aos 40 anos, a economista Evelin se reinventou fonoaudióloga
A fonoaudióloga Evelin Ponte Gondim, 60, tem um sorriso largo. Tão largo que começa no olhar e se estende até o coração. Tão assim amplo, que existem crianças dentro dele: justamente, crianças que não sorriem. Um começo para esta história: era uma vez uma economista. 

Casada e mãe de duas filhas, aos 40 anos bem sucedidos, Evelin percebeu que havia um ponto no lugar errado, na vida que ela bordava: "Eu era economista e não estava feliz. Faltava o amor, o envolvimento". Então, ela trocou os números por pessoas: a economista se reinventou fonoaudióloga.

Nos últimos 20 anos, o amor a encontra nos corredores e nas salas do Hospital Infantil Albert Sabin (Hias) e na Associação Beija-Flor-Funface (entidade de apoio para pacientes fissurados). Evelin coordena o Núcleo de Atendimento Integrado ao Fissurado do Hias e faz a ponte com a Operação Sorriso - ação internacional que realiza cirurgias em crianças e adolescentes com fissuras labiais e fendas palatais (populares como lábio leporino). 

As deformações físicas afetam a linguagem, a convivência, a alegria. É difícil se comunicar, sorrir, se ver no espelho, se mostrar. "Andam muito de cabeça baixa", diz Evelin sobre os pacientes. O que eles conhecem do mundo é o espanto. "Tem casos que o pai rejeitou, saiu de casa, não quis mais a criança... Os outros ficam olhando com cara de repulsa. Isso dói neles. Tinha uma mãezinha que só andava com o rosto do filho coberto com uma fralda", traduz a fonoaudióloga.
Nos corredores do hospital, Evelin recebe a felicidade
Evelin exercitou o olhar, para enxergar além da aparência."Não olhamos mais para a lesão, olhamos para o olho da criança... Aí, é quando você conseguiu chegar no fundo da alma dela, quando você esquece isso (a deformação no lábio)", indica. 

Delicadezas são, aí, alcançadas. Como a vontade do garotinho, que doutor Teixeira, um cirurgião plástico devoto de São Francisco, realizou certa vez: "Doutor, vou poder assobiar?".

O médico Francisco Teixeira, falecido em 2011, se fez lembranças e ensinamentos. "Era um anjo, ele se doava", restaura Evelin, unindo-se a cirurgiões, dentistas e voluntários na doação necessária a cada dia.

No hospital, todos usam a especialidade para estabelecer a alegria. "E quando (os pacientes, recém-operados) se olham no espelho, você não acredita naquele sorriso! Sem poder rir direito (por causa dos pontos), riem mais com o olho do que com a boca!", a fonoaudióloga sorri junto.

Nos corredores e nas salas do Hias, ela também recebe a felicidade de cada pequena vitória. E o que era espanto se revela surpreendente. "Temos um coral (de crianças que portavam lábio leporino)! Ensaiam aqui, no hospital. Começou bem pouquinho e hoje são 14 pessoas. Tudo de 4, 6, 7, 8 anos. É tão lindo!", descobre Evelin.  

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Agradecimentos às bordadeiras MARLENE GUABIRABA, PIEDADE MACEDO DE ARAÚJO LIMA E SHIRLEY M. COSTA CORREIA.