Para rebodar o tempo

Lêda Maria F. Souto

Enquanto você partia

eu abraçava a minha solidão

 

Enquanto eu chorava,

a natureza me ofertava uma chuva serena

para receber minhas lágrimas

e realimentar o plantio das flores

cultivadas por você nos jarros da janela.

 

Para você, recitei
o poema das estrelas, uma forma

de não perceber a ausência da companhia.

 

Sabia que quando eu voltasse à casa

dos nossos sonhos a flor do maracujá

já estaria também em contrações de saudade

e nossos retratos na parede sairiam das linhas retas

para voar sobre o mesmo desafio da tristeza.

 

Segui buscando você na voltagem do tempo e soluçando o último adeus.

Os ventos distanciavam o consolo, mas libertavam o farto vestido branco

que você um dia bordara para que eu dançasse

e exibisse os movimentos do corpo na aprendizagem do amor.

 

Agora ele é tingido na tonalidade da dor de sua partida

e não mais circulará nos espaços da alegria e do prazer.

 

Sentirei frio e não terei seu agasalho, mas comprarei sapatos novos

para percorrer os dias que me esperam mostrando o caminho

aberto no amanhecer colorido por Deus.

 

Terei que despertar da tristeza e retomar a esperança

de ter você, minha mãe, eternamente, mostrando-me o jardim dos lírios brancos

abrigando-me das tempestades, das incompreensões e da terra seca do mundo. 

Mãe

Antônio Carrilho de Arruda

Mãe! Pérola preciosa! A mais bela de todas as rosas!

Tu, valiosa mulher! Concebeste, geraste, deste à luz e criaste um ser!

Por quê? Porque recebeste de Deus a mais sublime missão!

Essa de produzir outro ser! Com todo o amor de teu coração!

 

E tu, mulher, que não Concebeste, não geraste e não deste à luz, mas

criaste um ser! E também com tanto amor! Tanto amor! Tanto amor!

E tudo isso de dar o belo e muito valioso título de mais linda flor!

 

Como és importante mãe! Quão admirável é o amor dos teus filhos!

És o ser que criou maravilhosamente outro ser! Por providência Divina!

Quer tenha sido das tuas entranhas, quer tenha sido por adoção!

Saibas que, em qualquer dessas providências não há distinção!

 

O amor materno supera todos os outros! É abundante!

Pois o amor que brota da mãe é sem comparação! É importante!

Mãe! Mãe tia! Mãe sogra, mãe nora! Mãe filha! Teu amor brilha!

Mãe és superimportante! Qualquer qualidade! Deus te dê felicidade!

 

Por amor filial a todas as mães

"Ser mãe é joia"

Ana Paula de Medeiros Ribeiro

Homenagem à minha mãe, Giselda Medeiro

 

Não é preciso sugar palavras bonitas ou metáforas arrojadas para falar de minha

mãe. Basta fitá-la. A calma que reside nos seus olhos se metaforiza em luz. Uma luz

de intensa magia que, ininterruptamente, jorra, transmudando dores, aflições em

serenidade perene.

Palavras... Palavras... Por que dizê-las, se minha mãe é a palavra que arde, que

humaniza, que preenche a folha do livro de minha vida? Se é razão e amor brotando

juntos, crescendo, avultando-se, tornando-a única? Oh! Não é preciso, mãe! Todas

as palavras que disser sobre ti já terão sido ditas para todas as mães do mundo. Por

isso, prefiro mergulhar nas tuas águas de bondade e, às tuas margens, ficar, vendo-as reluzir, avançando sobre as torpezas da vida, para me trazer a paz. E, vejo-te,

muitas vezes, sangrando, pelas dores que me arrancaste. Quanta coragem, mãe!

És a ilha da minha infância, para onde sempre fujo, em arrebatamentos oníricos. E lá

encontro o entono da voz "dorme, dorme, filhinha", derramando, em meu presente,

fadas, anões e cinderelas, num cenário de encanto e de magia.

Outras vezes, mãe, és o estuário das minhas tristezas, onde, trêmula, indefesa,

busco a serenidade das tuas águas para confundir minhas frustrações e afogar os

sofrimentos. E tu, mesmo sabendo que turbulências irrefreáveis calcinarão as tuas

margens, aceita-os, solícita.

Mãezinha, escuta-me. Disse que não era preciso sugar metáforas para falar de ti. No entanto, capitulo diante desta que me oferecem, agora: "Ser Mãe é Joia", para, mãezinha, bela e preciosa, como joia que és, encravar-te no escrínio do meu coração!  

Poema leve

Artur Eduardo Benevides

...Quando sorris, ao longe, nascem rosas,

quase todas as cousas tornam-se formosas.

Há campos florindo

e carrosséis indo e vindo.

Por isso, não me deixes sozinho em meu caminho,

seja lá como for.

Ao lado da fogueira escondida que arde,

iremos ouvir, um dia,

as flautas da tarde.

Oração para minha mãe

Aureny Braga

Ó mãe, nossa mãe, mãe de Deus,

protege-me e guarda teus filhos

Quero hoje ver o mundo

com os olhos do teu amor

Bendito seja teu nome, mãezinha

Mãe, minha vida é tua

Agradeço minhas alegrias e tristezas

Mãe querida, mesmo não estando aqui, sinto tua proteção

Rogo a ti, querida mãe

Acolhe-me hoje como se ainda estivesse no teu colo.

Mãe, silencia meu coração, para ouvir teus conselhos

Amada mãezinha, onde estiveres, não se esqueça dos sonhos que sonhamos juntas

Agradeço o que plantaste no meu coração

Querida mãe, obrigada por todos exemplos e ensinamentos

Amém.

Amor materno

Francisco Medeiros Torres

Com muito amor amamenta

Já é plena madrugada

Mesmo assim não se lamenta

É uma mãe apaixonada!

 

Ela está muito cansada

Faz tempo que não se senta

A noite é outra jornada

Que nossa guerreira enfrenta

 

Cresce o filho e em sua andança

Vira um péssimo sujeito

Mas ela tem esperança

 

De um dia vê-lo refeito

Pois o menino é criança

Dependente do seu peito

Ser mãe

Celia Barreira Queiroz

Ser mãe é viver a graça divina do milagre da vida

Carregar em seu ventre a luz do amor

Ser mãe é viver literalmente o amor!

É ultrapassar nossas forças, o limite daquilo que somos

Cuidar, zelar, proteger

Ser mãe é todo dia fazer mais, muito mais e melhor

Ser mãe é vivenciar o milagre divino todos os dias

Todos os momentos, mesmo que os filhos cresçam

E aí, nos tornamos mãe de novo, em cada neto

E como estrelas caminhamos para a eternidade.

A Rainha do Lar

Jaildon Correia Barbosa

Isabel, a boa mulher

Ativa e trabalhadora

Acordando muito cedo

Na vida foi vencedora

Com a ajuda de Deus

Educou os filhos seus

De maneira promissora.

 

E nunca pensava nela

Para melhor se cuidar

Queria o bem dos seus filhos

Podendo com Deus contar

A vida sorria pra ela

Gostando de ver novela

Como toda rainha do lar!

Mãe

Célia Oliveira

Minha mãe querida,

como sinto sua falta

Que saudade cruel

Sinto minha alma abatida.

 

Tinhas um espírito de justiceira

tão amiga, tão doce

Cheia de forças e coragem,

na vida foi grande guerreira.

 

Amor igual nunca mais

Saudade de você, minha mãe

De seus ensinamentos de amor

não me afastarei jamais.

 

Na estrada foi forte e valente

Não dava trégua ao desânimo

Era enérgica e altiva

Mãe, vou te amar eternamente.

20 de julho (à minha inesquecível mãe)

Giselda Medeiros

Hoje, mãe,

é teu aniversário,

o primeiro sem tua presença,

sem teu sorriso limpo

e lindo,

sem teu gesto acanhado

ante o alvoroço

dos nossos abraços.

 

O primeiro sem tua voz firme

de inconfundível timbre

Sem teu olhar manso

que não me canso

de buscar

Sem tua alegria

- divina poesia -

assentada à cabeceira da mesa.

 

Hoje, mãe,

é teu aniversário,

Por isto, essa lágrima

em nós, fincada pela tua ausência.

 

Por isso, esse olhar

de serra sob a neblina da alvorada,

deslizando, caindo, rolando

sobre nossas vidas.

 

Por isso, mãe querida,

esta saudade doida, doída

a te buscar no espaço espectral

da rude ausência,

no indecifrável texto

que o Tempo nunca mais

reescreverá.

Jamais!

Mãe é boa, até em pensamento

Júlio Lossio

Hoje, ao acordar, justo na hora de espreguiçar, senti a presença de minha querida mãe.

Fui transportado para minha infância e sonolento, assisti partes desse filme de

minha vida.

Menino travesso, ainda ecoam nos meus ouvidos os gritos de minha mãe: "Já para

casa seu cabrito." Em meu socorro, vinha a voz de minha avó Ritinha: "Alice, esse

menino já está grande para ser chamado de cabrito". Graças a ela, escapava do

castigo, mas não das lambadas.

Era o tempo do respeito.

Quando minha mãe chamava-me, meu já vou, significava, imediatamente. Aprendi

isso, muito pequeno, quando morávamos no sítio, em Caucaia. Um dia, brincava a

sombra de frondosa mangueira, quando minha mãe chamou e respondi: "Já vou."

Meu "já" vou virou eco, logo quebrado, pela figura sisuda de minha mãe, que trazia

numa das mãos, uma correia, de sua velha máquina de costura Singer. Aos pulos e

dizendo - "desculpe mãezinha" - levei boas lapadas e o aviso: "Seu cabrito, quando

lhe chamar venha correndo."

Mesmo com o Código Civil dizendo que os filhos devem respeito e obediência aos

pais, o que se vê é o Estado e seus Poderes, cada vez mais, interferindo na família,

tirando dos pais o direito sagrado de educar os filhos, para surgirem cidadãos probos

e éticos.

Hoje, palmada é crime e causa problemas psicológicos.

No ocaso de minha existência, não guardo revolta ou traumas. Pelo contrário, lembro

ainda de minha avó, quando com o coração sangrando dizia: "Só se perde a

palmada que não pegar de jeito."

Termino parafraseando o poeta Bráulio Bessa.

As palmadas que minha mãe me deu não doeram a metade das palmadas que a

vida me dá.

Minha Mãe

James Joyce

Querida e bondosa mãe Helenita:

Fostes linda como uma flor,

não sei se hortênsia ou rosa,

sempre dando amor.

 

Fostes bela como as ondas do mar,

agitando carinhosamente os filhos,

para que nunca deixem de amar.

 

Fostes generosa, pois com afeição acompanhou,

seguindo o exemplo de Maria,

os filhos que no mundo colocou.

No Dia das Mães

Eno Teodoro Wanke

Mamãe, tenho pensado muito.

Faço da tua ausência uma saudade e sinto

no coração o encanto nunca extinto

da minha alegre infância em teu regaço.

 

No dia em que me fui de ti,

um pedaço de mim partiu-se em lágrimas. O instinto

volta-me sempre para o labirinto

do teu amor fixado no meu passo.

 

Estrela que lucila na distância

da bela e natural felicidade

com que forraste a minha suave infância

 

Encontro em ti pureza, mãe, e tanta

que às vezes meu lirismo em flor espanta-se,

sonhando-te nas ondas da saudade.

Mãe

Evan Bessa

Ela é flor, fruto e semente

com raízes emergentes, fortes

plantadas no jardim da nossa mente,

E vive em nós até, após a morte.

Ela é o Porto Seguro

onde navegamos nessa vida

por mar, ora claro, ora escuro,

confiando sempre na lida.

Ela nos fez fruto do seu amor

e a semente brotou com carinho

doando-se no frio e no calor

para nos acolher no próprio ninho.

Ela é Mulher – Mãe, árvore frondosa

que abriga os filhos sob sua proteção

das intempéries que na vida apavoram

a prole em constante ebulição.

Ela é a marca fiel de várias gerações

Que se sucedem no seio da família,

E se projeta sempre em inspirações

Da Mãe de todos – a Virgem Maria.

Ela, com certeza, é Mãe e Diva

do Universo dos filhos seus,

O tesouro que temos na vida

de mais valor que Deus nos deu.

Mater/Mãe

Edmar Ribeiro

Mater que herdei

bença, na eternidade afora;

e, Mãe, com quem fiquei

bença, na realidade d'agora!

 

Fonte e ermida,

asilo e guarida,

deságue de vida,

enxágue da dor:

silo de amor.

 

Além da vida, estás

orando, aguardando;

aqui na vida, proverás

velando, guardando!

 

Pelos cantos cardeais

sempre nos alcançais.

À frente esperais

com a lanterna:

Em esperança eterna,

em confiança terna!

Um verso para Albetisa

Joyce Cavalcante

Aplico batom vermelho em

algumas manhãs bonitas.

Só para estar com Ela

parecida.

Com a boca vermelha, meu

lado bom me visita,

só por ficar igualzinha a Ela,

tão querida.

Olho-me no espelho,

apronto-me e me sorrio.

Não sei se sou Eu ou se sou

Ela, tão linda.

Será teimosia de DNA? É não.

Quem ali vejo é o desejo de

voltar no tempo e chamar:

"Mamãe venha cá."

A sesta de minha mãe (Na rede, Dona Maria dormia no alpendre, à tardinha)

Juarez Leitão

Dona Maria cochila mansamente.

No alpendre, o cheiro simples do sertão:

o seu sono é a água da vertente

descendo sinuosa o boqueirão.

 

Dona Maria repousa. O peito sobe

depois desce sereno e então se alteia:

parece a música doce, o místico dobre

deste sino pequeno da aldeia.

 

Os braços de Dona Maria são estradas

pontilhadas de cruzes funerais:

foram dores e agruras malfadadas

que, já pagas, deixaram seus sinais.

 

Os cabelos bonitos em desalinho

já quase brancos: são marrãs de ovelhas

levantando a poeira dos caminhos,

calando grilos, agitando abelhas.

 

Os pés de Dona Maria contam histórias

de muita luta e poucas maravilhas:

os calos são medalhas de suas glórias

conseguidas no lombo dessas trilhas.

 

Os olhos assim fechados são mistérios

só murmurados quando em solidão

ou quando vai piedosa ao cemitério

desvendá-los no túmulo de seu João.

 

Estes lábios tão frágeis soltam falas

fortes como os trovões de fevereiro

e tão certeiras como aquelas balas

partidas dos fuzis dos cangaceiros.

 

Dona Maria repousa. O sono é o cheiro

das laranjas pingentes do quintal,

a sombra das latadas de terreiro,

a paz frondosa deste mangueiral.

Ser mãe...

Marcus Fernandes

Tua responsabilidade, mãe,

não pode ser definida em versos

E por isso bondosamente eu te peço

que tudo o que eu disser não estranhe.

 

Desmanchas em amor ao dares a luz

dos teus filhos após a gravidez

E sofres com a mesma dor como fez

a MÃE santíssima aos pés d'uma cruz.


Desdobras em fibras o coração

Gritas alto que foste genitora
E da tua prole eterna protetora.

 

Alardeias como a força do pulmão

Que ser Mãe é dádiva divina

No entanto, é uma tarefa sibilina.

Salve maio, Salve!

M. Murilo Araújo

Salve Maio – destaque especial a MARIA,

A Virgem Mãe do nosso Jesus.

Louvo, claro, todas as mamães;

Verdadeiro amor só no coração delas.

Então aplausos a todas com alegria.

 

MAIO – mês de farta comemoração.

Aplaudo aqui datas de mui valor.

Iniciando o 1º com o trabalhador;

O 5 – Comunicação; o 13 – Abolição.

 

Salve o 2º domingo com mui ardor

As mamães com Vivas do coração;

Louvando com mais fervor a Mãe do Salvador.

Viva! Viva o ente mais querido: MÃE.

Encerro Maio – 31: coroação da Imaculada Conceição.

A Partida

Graça Roriz Fonteles

O teu abraço ainda aquece

o meu corpo já cansado

que o adeus jamais esquece.

Tua mansa voz em sussurros,

teu sorriso iluminado,

teu suspiro da partida,

solenes me acompanham

nos corredores da vida.

 

O tempo ofuscou imagens

dos teus olhos senescentes

delimitando as margens

das coisas ao derredor.

Mas tua visão celeste

indescritível! Como dizê-la?

Pois nela, mãe, te enobreces

Agora tu és estrela!

O Privilégio de ser Mãe!

Maria Nirvanda Medeiros

Ser mãe é ter sabedoria.

É encontrar motivos para

sorrir e dividir alegrias,

com os que lhes são caros para

transformar os erros em lições

de vida. Com inteligência.

Sempre com muitas emoções

Superando todas as carências

Felicidade é seu lema

Criar filhos conhecedores,

engrandecendo o tema,

como grandes educadores.

Mãe é velejar nessas águas,

almejando felicidades,

agradecendo ao Deus Pai.

Nossa Senhora, mãe de Jesus

Abençoe-nos, diariamente,

para engrandecermos a Luz,

que nos acompanha constantemente.

Memorial de Olívia

Révia Herculano

Rosto rosa, maçã, rosto sorriso,

primeiro paraíso...

Rosto sumido no vão, no vácuo,

rosto despedido do alto das nuvens...

Lá longe, a noite, teu canto, acalanto:

- Chamavas modinha!

Sereno que se avizinha...

O tecido que amassando agasalhavas-me

urdia abraços, vestidos de festa e de lua

Sapatos de estrela...estrelas alcançarias?

As grandes constelações arremessaram pedras,

mas... inventavas arroios na travessia!

O pulso, a febre, espanto de aves à ventania.

As solidões, as negações,

um indevassável sol, tua alegria! 

Uma pedagoga nata, e linda até no nome...

Olímpio Araújo

– Olhe, meu filho... Este é o seu Registro de nascimento. Você nasceu no dia 9 de

fevereiro de 1951... Você tá completando hoje 5 anos. (E devolveu o papel para

dentro do baú de cedro. Acho que recebi alguns presentes, mas sem festa...)

Mamãe era assim. Atenta, carinhosa, devotada, mas austera. Cuidava da casa e

dos filhos. Superprotetora. Ai de quem ameaçasse os filhos um tantinho...

Brincava com a gente. Lembro-me de um piquenique no quintal. Com os meninos

maiores, fincou estacas, cobriu de galhos e folhas... armaram a barraca... Depois,

panelas de barro... E, comemos ali, sentados no chão...

E este jogo de bola... Era assim (orientações dela):

– Presta atenção! Cada coisa que a gente diz, joga a bola na parede e apara sem

deixá-la cair no chão. Olha...

Ordem! / Seu lugar! / C’um pé... / Cum o outo... Com a mão... C’a outa... / De

joelho... / Tique... taque! (Batia palma à frente e atrás do corpo.) ...

Já ouviram falar em tal jogo de bola? Deve ser coisa da criatividade dela, ou de

sua infância...

Gostava de falar de sua infância e juventude... O pai, cigano, deixara a

peregrinação terrestre, com ela nos cueiros. Ainda meninota, a mãe também se

fora... Bolara pelas casas dos irmãos, até casar, no alvorecer da segunda década

da vida...

Como conhecera o papai?... Acompanhava o casamento civil da irmã... Após a

rápida cerimônia, ela já montada no cavalo, aquela interpelação à queima-roupa:

"E quando vamos fazer o nosso?" Imaginem o áspero gesto da matuta virgem e

cismada... "Vai pra lá, que non tô procurando marido!..." E o olhar desejoso do

oficial do Registro Civil, quarentão deslumbrado ante a beleza da donzela,

diamante rude precisando ser burilado. Isto não seria muito difícil a um paciente

cidadão, tão educado e tão bem intencionado. E conseguiu-lhe a mão, após

poucas visitas à casa de Seu Luís Gonzaga. O irmão por certo dando graças a

Deus transferir a responsabilidade. "O Zeca é um bom moço, bom partido, e por

cima nosso parente... Por que você tá criando obstáculo, Carmélia?..." (Assim,

chamavam-na na intimidade, embora fosse linda também no nome –

CARMELINDA).

Dela, teria muito... Muito mais a dizer... Tão pouco estudo e tanta pedagogia,

tanto amor!!! Deus a tenha em seu reino de glória...

Mulher, mãe e amor

Paulo Eduardo Mendes

Entre lágrimas,

penso e escrevo

Mulher, mãe e amor

Mulher pelo seu dia

sempre,

Mãe, pela alegria

de tê-la sempre

entre nós

Amor

eterno sentimento

a interligar

mulher, mãe e amor

no mesmo esquema

da perfeição divina

Mulher fica pela forma

mãe pelo símbolo

amor eterniza

cristalizando a lágrima

pela partida

sempre inesperada

da vida física

tão próxima

do nosso abraço

do nosso beijo

de saudade...

Saudade de minha mãe

Pedro de Sá Roriz Neto

Quando a luz do sol oculta-se,

concentro e orações componho

Se fecho os olhos, vejo-a

Quase adormecido, escuto-a

E a tal saudade me fere

E o coração bate forte...

 

Quão duro aceitar a morte!

É bom que se considere:

ela chega num minuto

Faz-se ouvir num longo arquejo

a dissipar qualquer sonho...

E a tal saudade se avulta

 

Constrange minha alma inculta...

Que sentimento medonho!

Tento dizê-la e gaguejo

Por timidez nem perscruto

Pois ela ao peito se insere...
Deus! Fazei com que eu a suporte

Mãe

Batista de Lima

Minha mãe lavava a manhã com sabão da terra

depois botava ao sol para secar

as águas do açude paradas observavam

sem movimentos de brisa

Não dava para acreditar

Que no Oriente os homens se matavam.

Santa de amor e beleza

Ubiratan Aguiar

Versos, sonetos, poemas

recitam a mulher divina

Amor brilhando na retina

superando dores e problemas

 

Prosa converte-se em poesia

distancia fala de saudade

não conhece tristeza, só alegria

Paixão mede a intensidade

 
Na conversão dos pães,

das uvas produzindo vinhos

na comunhão entre espinhos

Deus santifica as mães

 

Mãe: única certeza

do sentimento puro

Mãe: anjo de doçura

santa de amor e beleza.

Puerpério - À Mãe

Sérgio Macedo

Há muito mais que o dito dos

poetas

Há muito mais mito e

compaixão

E não há cercas a lhe por

limites

Há mais que ancas que

dançam

O ritmo das fantasias,

Há mais que bustos

afrontosos

que chuva que cola a veste

fina

sobre uma verdadeira

escultura de Deus.

Há coragem, há desvelo,

Há todo um pesadelo a

açoitar o tempo,

Se o rebento, aquele que era

sua barriga

não estiver saudável,

a contento.

 

Toda a sensualidade, a

sedução esmorecem e se

tornam pálidas,

Todo o desejo torna-se

evanescente

Parece a fêmea mulher,

surgem a fêmea leoa,

leopardo fêmea

Protetora, ciosa da cria,

ciente de que sua falta

torna a cria presa fácil da

inexistência

Mulher puerpério

mulher fêmea-mãe

No bom sentido, a fera

protetora

sem amantes, sem outros

amores.

Minha avó

Regine Limaverde

Cabelo de nuvem,

numa cadeira

austríaca de balanço.

Terço na mão

e o medo da morte. Lembro-a.

 

Biscoitos champagne

guardados,

banana em rodinha

com leite Ninho,

Seus dedos preparavam. Lembro-a.

 

Palavras repetidas

gestos autoritários,

domingos com sabor de férias.

Dramas, jogos,

brincadeiras de rádio:

Era assim sua casa de saudade.

Mãe

Fátima Lemos

Mãe!

Divindade materna

Sensibilidade e doação

Amor incondicional

Solo de sustentação

Árvore da vida

Santuário de proteção

Oráculo de Deus.

 

Mãe!

Em teus braços

afago as minhas dores

Em teu coração,

faço morada.

 

Mãe!

Ofereço-te o céu,

manto do mundo,

as estrelas mais brilhantes do universo

o sol que aquece a terra

o orvalho da manhã

a chuva que fecunda a semente

o meu amor que te faz feliz.

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