A importância dos livros desde a infância

A partir da leitura, a criança desenvolve a imaginação, o conhecimento de mundo e as habilidades da própria linguagem, como a escrita e os vocábulos corretos

Por Lia Rodrigues

Comemorado hoje, o Dia Nacional do Livro Infantil foi instituído por lei federal em 2002 e é uma homenagem ao escritor Monteiro Lobato, que fazia aniversário dia 18 de abril. A data simboliza uma reflexão sobre novas possibilidades e iniciativas para o incentivo à leitura desde a infância, importante instrumento para os desenvolvimentos pessoal e intelectual da criança e formação de sua cidadania.

 

A escritora cearense Marília Lovatel, autora de nove livros — entre eles A Menina dos Sonhos de Renda, finalista na categoria juvenil da 59ª edição do Prêmio Jabuti — acredita que a leitura é base para o crescimento dos pequenos e pequenas e lhes proporciona habilidades como capacidade de abstrair e estabelecer relações. Em entrevista, Marília fala, ainda, sobre a importância do incentivo de pais e professores à leitura. Confira a conversa na íntegra. 

O POVO - Como o hábito de ler influencia na educação e na formação da criança como cidadã?
Marília Lovatel - Antes da questão da cidadania, tem a formação do leitor, que vai exercer seu direito à literatura. Por isso, é tão importante o trabalho com o livro na infância. Quando um livro é lido na infância, não é esquecido, fica na memória afetiva. É importante o incentivo [à leitura] na escola, com muita competência e respeito.  A cidadania vai desdobrar-se a partir da bagagem leitora, acontece naturalmente. É muito importante não perder de vista que esse início precisa ser muito bem vivido, para que esse direito à leitura seja exercido plenamente. O contato com a leitura na infância é uma estreia.

OP - E no exercício de absorção de conhecimento e de aprendizado?

Marília Lovatel - A oportunidade de mergulhar no texto é uma oportunidade de experimentar, de dar vazão à imaginação, vivenciar situações que, talvez, na vida real, não acontecessem de forma tão concentrada. A leitura coloca o leitor em contato com possibilidades e promove a reflexão. Não tem como um leitor que se apaixona pelo texto não se colocar dentro dele.

OP - Que competências a criança desenvolve por meio da leitura?
Marília Lovatel - A capacidade de abstrair, de estabelecer relações e a empatia são algumas delas. Essas competências formam um tripé que completa uma base muito interessante para o desenvolvimento que vem a partir daí.

OP - Como os pais e a escola podem estimulá-la?

Marília Lovatel - Na infância, a criança está sendo apresentada ao mundo da leitura. É papel da família e da escola promover esse encontro. Depois, [o novo leitor] vai caminhar com as próprias pernas, buscar e escolher livros na livraria, mas, no início, cabe à família e aos professores apresentá-los a esse mundo. É papel fundamental da escola garantir que a bagagem [do aluno] seja diversificada, fazer com que a leitura seja feita por prazer e que a criança tenha a oportunidade de conhecer textos e autores significativos para nossa história.

OP - A partir de que idade os livros devem ser introduzidos à rotina da criança?
Marília Lovatel - É importante, antes mesmo de começar a ler, ter o contato com o livro, aquele livrinho que também é um “brinquedo”. Esse contato é importante, o quanto antes, para que ela [a criança] cresça com esse amor [pela literatura] e para que entenda porque os livros são tão fascinantes.

OP - Quais são os benefícios para a criança do acesso a livros adequados à sua idade? Como escolhê-los de acordo com cada faixa etária?

Marília Lovatel - Essa questão do livro adequado para cada idade é um pouco controversa. Falando como escritora, o escritor enfrenta um desafio quando escreve para criança. Não pode errar o tom. Olhar para o livro e definir se é infantil ou juvenil, acredito que essa é uma escolha do leitor, mas alguns parâmetros podem ser seguidos. Toda criança tem um detector para texto ruim. Se ele for um bom livro que surpreenda, seja diferente, divertido e respeite, lógico, aquilo que o bom senso orienta, por que não? Claro que você não vai colocar um romance adulto na mão de uma criança, porém os bons livros infantis não são apenas infantis: eles podem e são lidos por todas as faixas etárias.

OP - Em relação aos gêneros textuais, tem algum mais indicado de acordo com a idade e com o nível de leitura da criança?
Marília Lovatel - Temos parâmetros, temas que a gente imagina que sejam do interesse da faixa etária e a própria linguagem do livro, que também é um indicador. É

Projetos que plantam a semente da leitura

Em Fortaleza, é possível encontrar ações desenvolvidas para incentivar a prática da leitura. As iniciativas são realizadas em ambientes públicos e privados

Por Joyce Oliveira

Na rua, no shopping ou no ponto de ônibus. Ler é uma atividade que pode ser realizada em qualquer lugar. O hábito, entre outras benesses, ajuda no desenvolvimento cognitivo e estimula a imaginação. Em Fortaleza, é possível encontrar projetos sociais que estimulam o contato com o livro e o gosto pela leitura. Sem cobrar nenhuma taxa pelo serviço, instituições governamentais e privadas, além de locais públicos, disponibilizam espaços com livros de diversos segmentos. Conheça ações na Cidade plantam a semente da literatura.

 

Terminal Literário
Esperar o ônibus chegar pode ser cansativo e estressante. Para otimizar esse tempo, a Prefeitura Municipal de Fortaleza (PMF) lançou, em 2016, o projeto Terminal Literário, que funciona gratuitamente e tem o objetivo de incentivar a leitura por meio do compartilhamento de livros. Atualmente, o Terminal Literário funciona nos terminais do Papicu, Conjunto Ceará, Siqueira, Lagoa, Parangaba, Antônio Bezerra e Messejana. O projeto também recebe doações de livros, que acontece com a entrega de publicações na Biblioteca Pública Municipal Dolor Barreira e nas Secretarias Municipal de Cultura e Regionais I, II, III, IV, V, VI.

Livros Livres
A Universidade Federal do Ceará (UFC) iniciou, também em 2016, o projeto Livros Livres, que propõe o compartilhamento gratuito de obras literárias. A ação, que acontece de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 20h45,  e aos sábados, das 8h às 12h, começou com uma estante de livros na entrada da Biblioteca Central do Campus do Pici. Nela, qualquer pessoa, aluno ou não, pode escolher o livro de sua preferência. De acordo com a Universidade, nos dois anos de projeto, já foram compartilhados 4.100 exemplares. Além de na Biblioteca Central, a iniciativa acontece na Biblioteca do Campus de Russas, Biblioteca de Ciência da Saúde, Biblioteca do Campus de Quixadá, Biblioteca de Ciências Humanas, na Central de Atendimento ao Servidor e no Observatório de Políticas Públicas. A ação é realizada ainda na Academia Cearense de Segurança Pública do Ceará. Nessas instituições, o projeto funciona de acordo com os respectivos horários de funcionamento desses lugares.

Espaço da leitura

Local bastante frequentado por estudantes, o shopping Benfica criou, em 2010, a primeira biblioteca livre em shopping com o intuito de estender o conhecimento para todos. O espaço funciona diariamente e gratuitamente e possui um acervo com três mil livros. No ambiente, é possível encontrar obras de literaturas locais, nacionais e estrangeiras. A biblioteca também dá ao leitor a opção de levar o livro para casa e devolvê-lo depois. Um espaço reservado para as crianças, com livros infantis e gibis, também faz parte dela.

 

Do individual ao coletivo
Algumas pessoas resolveram também abraçar a causa e começar, por si próprio, um projeto para disseminar o prazer pela leitura. Exemplo é Annita Moura, idealizadora do movimento Livro Livre em Fortaleza que incentiva o compartilhamento de livro. A psicóloga passou a gostar da ideia após conhecer, em Brasília, um senhor que compartilhava livros dentro do seu açougue. “Quando morava lá, muitas vezes, sentia-me sozinha. Os livros ajudaram-me muito. Ao voltar para Fortaleza, quis fazer o mesmo.”

Com isso, a Annita passou a deixar seus livros em lugares públicos da Capital para que a próxima pessoa que por lá passasse encontrasse-o. “Para mim, um livro é igual a uma ida ao cinema. Leio uma vez e depois o deixo em algum lugar para que outra pessoa possa ler”, afirma. A benfeitora, acrescenta, deixa, junto com o exemplar, um bilhete informando que a obra é livre e que não deve ser vendida.

Talles Azigon é também exemplo dessas gentilezas. O poeta e produtor cultural, inspirado em Anitta, de quem é amigo, resolveu abrir sua casa, no bairro Curió, para o projeto Livro Livre. “Tudo começou em março deste ano, no meu aniversário, quando pedi para que as pessoas doassem-me livros ao invés de me dar presentes”, explica. Talles conta que pegou também alguns livros que tinha guardado e conseguiu, ao todo, juntar 238 exemplares para a estante. De acordo com ele, em média, dez pessoas aparecem por dia para pegar alguma publicação de seu acervo. “Quando faço um trabalho para a leitura, estou desenvolvendo minha comunidade. Não são pessoas fora da minha realidade. São pessoas como eu, que nasceram onde eu nasci”, finaliza.

 

Lugares para mergulhar na leitura
Que tal encontrar na Cidade um novo ambiente para mergulhar em uma boa leitura? Em Fortaleza, é possível praticar o hábito em cafeterias e praças. Veja três pontos ideais.

 

Passeio Público
Localizada no Centro, a praça possui árvores, sombras e bancos, tornando-se um local interessante para praticar a leitura com tranquilidade. Se a fome bater, existe um restaurante no local que pode resolver o problema. 
Onde: Passeio Público
(Praça dos Mártires – Centro)

Bosque da UFC

Situado entre os blocos dos cursos de Letras e das Casas de Cultura da Universidade Federal do Ceará (UFC), o local é bastante frequentado e repleto de árvores e bancos. Há também pessoas com barraquinhas vendendo um café quentinho.
Onde: Bosque da UFC (Bosque Moreira Campos – Benfica)

Amika CoffeeHouse
Se a ideia é ler um bom livro sentado em uma mesa tomando capuchino ou comendo um doce, escolher o Amika CoffeHouse pode ser uma alternativa interessante.
Onde: rua Ana Bilhar, 1136 B – Meireles
Mais informações: 3031 0351

Para ler em grupo

Cafeteria Sublime
A cafeteria Sublime realiza, uma vez
ao mês, um clube da leitura. A inscrição para participar começa dez dias antes da data determinada.
Onde: rua Eduardo Bezerra, N° 1276 -
São João do Tauape
Quando: 28 de abril
Mais informações: 3021 7209

Carreta Literária
A Editora Imeph iniciou, em 2014, as atividades da Carreta Literária - um caminhão baú que faz parte do projeto Nas Ondas da Leitura e que tem o objetivo de incentivar nas crianças a capacidade de ler e escrever. O automóvel possui espaço para exposição de livros e camarim para artistas. A Carreta Literária, além de visitar cidades que desejam iniciar o projeto, participa de feiras culturais e de bienais
de livros.  

Como o ambiente digital reinventa a leitura

As gerações atuais contam com novas formas de consumir literatura. Segundo especialista, a interatividade é um dos atrativos do e-book que, cada vez mais, ganha espaço

Por Hamlet Oliveira

Computadores, tablets, leitores digitais, smartphones de múltiplas marcas. Para quem é amante da leitura, opções além dos livros físicos existem aos montes. Com pequenos e pequenas já nascendo em meio a tantas telas, ter opções de leitura em tais dispositivos é importante.

De acordo com Ronaldo Mota, chanceler do Grupo Estácio e ex-secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o uso de meios digitais como aprendizado é fundamental para dar capacidade aos estudantes de ampliar sua rede de compreensão. “Educar no mundo das tecnologias digitais é também emancipar o educando a ser capaz de enfrentar desafios, sejam eles quais forem. Emancipa-se quando o educando torna-se competente para escrever e interpretar textos complexos ou quando atinge o domínio do letramento matemático, indo muito além das operações simples da aritmética. É emancipatório o pleno domínio do método, especialmente do método científico, para, utilizando tal ferramenta, entender e interpretar o mundo a sua volta”, diz.

No ramo da leitura digital, é preciso ficar atento a por qual meio se vai ter acesso aos livros. Quem utiliza leitores digitais Kobo ou pelo celular, o formato ePub é o mais popular. Já para quem tem a Amazon como loja principal, a empresa possui o formato proprietário AZW, que só pode ser lido em Kindles - leitor da Amazon - ou no aplicativo homônimo disponível para smartphones Android e iOS.

Para os leitores um pouco mais velhos, encontrar e-books infantojuvenis é uma forma de continuar a ter acesso à leitura em diferentes meios. Tanto no Brasil como nos mercados internacionais, não há uma plataforma unificada para ter acesso aos livros digitais. Fica a critério de cada leitor o que se encaixa melhor nos gostos e orçamento particulares. Em outubro de 2017, a Editora Demócrito Dummar começou a investir na produção de e-books. Em seu site, é possível encontrar desde literatura infantojuvenil até adulta no catálogo.

Editora-executiva da Demócrito Dummar, Regina Ribeiro explica que entrar nesse mercado não pode ser uma decisão arbitrária e que requer planejamento com cada obra e atenção aos direitos autorais. “Quando você está trabalhando com livros de domínio público, tudo bem. Mas, quando se trabalha com autores a quem se  tem que prestar contas de direitos autorais, então tem que haver segurança de plataforma. Não pode colocar o texto da pessoa de qualquer jeito, pois isto pode criar problema com o autor”, fala. Regina acredita que, até o final de 2018,  a empresa deve lançar mais 17 títulos no mercado digital.

Interatividade é a chave
Para leitores iniciantes, que ainda estão na fase de alfabetização, os book apps podem ser ferramentas relevantes no estímulo ao interesse à leitura. A tecnologia funciona nos smartphones e tablets que possuem elementos de vídeo e narração, de forma a estimular o aprendizado das crianças. Regina diz que um dos desafios de levar livros infantis ao meio digital é produzir interatividade compatível com o que as crianças esperam. Dentro desse úniverso de novos leitores, estão as gerações Z, nascidos até 2010, e Alpha, com as crianças de 2010 até agora.

Para 2018, além dos e-books, dois book apps serão lançados pela editora Demócrito Dummar. O primeiro é a adaptação do livro Sou Linda Assim, da autora Pâmela Gaino e ilustrado por Karlson Gracie. O outro projeto será em parceria com a autora Socorro Acioli e ainda não há definição de qual obra se tornará um book app.

Para viajar na imaginação

Confira nossas sugestões de livros destinados aos públicos infantil e infantojuvenil. Socorro Acioli, Ana Miranda, Marisol Ginez Albano, Herica B. T. Secali, Antonio Francisco e Fabiana Gutierrez são autores indicados para este Dia Nacional do Livro Infantil

Diga Astrasgud
Primeiro livro de contos de Socorro Acioli, Diga Astrasgud tem como tema a linguagem. Com alguns textos autobiográficos, as narrativas conduzem o leitor ao universo da língua portuguesa
e de suas possibilidades.

Autora:
Socorro Acioli
Ilustrações: Carlus Campos
Segmento: Infantojuvenil
Editora: Demócrito Dummar
Ano: 2017
Número de páginas: 64
Preço livro físico: R$ 29,90
Preço e-book: R$ 17,90

 

O Encontro do Mágico com a Borboleta
Todo ilustrado com material retirado do lixo, o livro conta a história de um mágico, que revela que a magia da reciclagem realmente funciona, e traz uma proposta concreta para tornar o mundo melhor.

Autora: Marisol Ginez Albano
Ilustrações: Marisol Ginez Albano
Segmento: Infantojuvenil
Editora: Imeph
Ano: 2017
Número de Páginas: 36
Preço: R$ 36

Como nasceu o Ceará?
Ilustrada pela própria autora, a obra conta o nascimento do Ceará. A partir dos espetáculos de escola, Ana Miranda escreveu o livro em forma de poesia, simplificando a memorização e de forma que a história possa ser encenada.

Autora: Ana Miranda
Ilustrações: Ana Miranda
Segmento: Infantil
Editora: Edições Demócrito Rocha
Ano: 2014
Número de páginas: 72
Preço: R$ 54

Você sabe quem eu sou? Então vou te contar

A obra conta a narrativa de Daniella, uma menina de 21 anos que tem Síndrome de Cornélia D’Lange. Pela escrita de sua mãe, ela fala sobre seus primeiros anos e sua maneira de ver, entender e explicar o mundo.

Autora: Herica B. T. Secali
Segmento: Infantil
Editora: Pandorga
Ano: 2017
Número de páginas: 32
Preço: R$ 29,90

Os Animais Têm Razão
Em um cordel, com texto engraçado e irônico, o autor narra uma reunião imaginária entre vários bichos na qual eles discutem o comportamento humano com relação à questão ecológica.

 

Autor: Antonio Francisco
Ilustrações: Rafael Limaverde
Segmento: Infantojuvenil
Editora: Imeph
Ano: 2010
Número de páginas: 48
Valor: R$ 40

 

Clara Cabelo Laranja
O livro conta a história de Clara, que mora em um mundo preto e branco e tenta esconder seu cabelo laranja. Um dia, ela chegou a um mundo colorido. Guiada por Seu Cartola, Clara viaja por um lugar onde as diferenças  são respeitadas.

Autora:
Fabiana Gutierrez
Ilustrações: Carla Douglass
Segmento: Infantil
Editora: Cria
Ano: 2017
Número de páginas: 34
Preço: R$ 38,70
 

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