Fortaleza Revela

Conceito

O projeto dá protagonismo aos personagens do cotidiano da Capital, com a proposta de apresentar o perfilado a partir das suas ocupações na Cidade e do modo com que se relaciona com o bairro onde vive. São 119 bairros e muitas são as histórias de vida que atravessam Fortaleza todos os dias. 

Nossa busca é entender o "DNA" de quem habita a Capital a partir da relação direta com o espaço urbano. Nossa compreensão é de que nas entrelinhas das vidas do "cidadão comum" moram narrativas extraordinárias. 

A voz rebelde e doce de Mumu

Foto: Mateus Dantas/ O POVO

O nome no registro é Phelipe Cruz, mas é pela alcunha de Mumu que o rapaz de 19 anos é mais conhecido na cena cearense. Artista múltiplo – “eu canto, atuo, toco, me expresso em diversas linguagens” –, há três anos Mumu caiu de encantos pelo ukulele, instrumento musical havaiano de cordas. “Descobri o ukulele quando eu procurava um instrumento para aprender a tocar, porque eu também componho e queria estender as composições para a música”, conta, revelando mais um talento.

A escolha do instrumento se deu pela facilidade do aprendizado, que Phelipe obteve sozinho assistindo a vídeos pela internet. Mas o que era comodidade transformou-se em paixão. “Sou louco pelo ukelele!”, assegura. “Com ele, consegui inclusive ‘domar’ minha voz, que era muito rebelde”, ri-se o moço, que começou a cantar aos 11 anos na igreja católica perto de sua casa, na Sabiaguaba, onde mora até hoje.

“Gosto muito deste contraste entre a tranquilidade da Sabiaguaba, onde o tempo parece não ter pressa, e a loucura do Centro de Fortaleza, onde eu desenvolvo minhas atividades”, afirma ele, um apaixonado pelo Theatro José de Alencar

 

A grandeza da Pikena

(Foto: Aurélio Alves/O POVO)
(Foto: Aurélio Alves/O POVO)

Não são poucos os que estranham o fato de Rafaela Araújo Dantas ser uma bem-sucedida jogadora de basquete. Do alto de seu 1 metro e 60 centímetros, ela destoa da média da estatura de jogadoras do esporte, que costuma ser 20 centímetros a mais. Porém, foi a prática desta modalidade que, desde os 11 anos de idade, garantiu seus estudos e até sua formação em Direito.

"Desde a 5ª série ganho bolsas de estudos para jogar basquete e foi assim até a faculdade”, conta Rafaela, mais conhecida nas quadras pelo apelido de Pikena. “É claro que a minha altura sempre foi, aparentemente, um problema. Mas a gente compensa com outras habilidades, como velocidade e posicionamento em quadra, por exemplo".  

 

As mágicas de Charles

(Foto: Julio Caesar/O POVO)

Taxista há 17 anos, Charles Augusto, 35, é também mágico. Na labuta diária, porém, ele tem de ser ainda homem bala, equilibrista e até palhaço. Com a precisão de quem faz nascer a ilusão da ponta dos dedos, o fortalezense corre pra dar conta da pressa dos seus passageiros, balancear a relação com os aplicativos de transporte e divertir os clientes na busca por fidelização.

Charles transforma seu carro também em boate (tem jogo de luz no banco traseiro) e faz as vezes ainda de bodega (com variedade de bombons e até remédio pra uma dorzinha de cabeça). No contato com os turistas que transporta, o taxista-mágico aprendeu a olhar a Capital com jeito de surpresa e elege o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura como um dos seus preferidos para espairecer do corre-corre.

As jornadas de Gomes Avilla

(Foto: Julio Caesar/O POVO)

"Eu me sinto uma reencarnação do futuro no presente". É com esse passeio virtual entre os tempos que o designer e artista visual Gomes Avilla, 22, apresenta-se. Sua figura não passa desapercebida. Com referências estéticas e de personalidade que vão do britânico David Bowie à russa Elke Maravilha, Gomes é um mistura de fashionista de primeira hora, webcelebridade e figura constante na cena cultural e social alencarina.

Morador da vila Manoel Sátiro, ele trabalha na assessoria de comunicação do Centro Cultural Bom Jardim. Também cria ilustrações e faz produção de moda e de eventos. Para o futuro, mira a ambição de se graduar em Comunicação Social. "Tenho muito interesse em me formar. Comecei a atuar no mercado antes da vida acadêmica até para saber se é realmente o que eu queria. Mas hoje não tenho dúvida, minha carreira está na Comunicação. Tanto em Jornalismo quanto em Publicidade", afirma.

(Foto: Julio Caesar/O POVO)

Fátima e os leões

(Foto: Aurélio Alves/O POVO)

Há 19 anos, Fátima Porto Silva trocou a Campina Grande natal por Fortaleza, em busca de dias melhores para si, o marido e o filho. Aqui, encantou-se por tudo. “Achei lindas as praias! Gostei das pessoas, do clima, da cidade. Não saí mais. É como se eu fosse daqui”, diz, com brilho nos olhos. Nestas quase duas décadas, fez do número 376 da rua General Bezerril, no Centro, seu lar. 

 

 

O endereço, assim, solto no mundo, talvez nem evoque lembrança. Mas quando se sabe que é lá que funciona o Lions Bar e Restaurante, a coisa muda de figura. Junto de Eufrásio, o marido, e David, o filho, Fátima é a dona do local, que mudou a cara da diversão no Centro de Fortaleza, reunindo as mais diversas tribos nos últimos anos. “Tudo é feito com muita harmonia. Eu adoro receber bem as pessoas. E me divirto, viu? Quem diria que nessa idade (67) eu fosse andar em baladas?”, ri-se.

(Foto: Aurélio Alves/O POVO)
 

Fátima e os leões do Centro

As jornadas de Gomes Avilla

As mágicas de Charles

Rafaela e os ensinamentos das quadras

Fortaleza Revela: A voz rebelde e doce de Mumu

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