Projetos e futuro

 

Aos seus 292 anos, a terra de Nossa Senhora da Assunção está amadurecendo. Hoje é dia de comemorar o Aniversário de Fortaleza. Terra alencarina de tantos ícones. Começando pela beleza natural, sua orla é de um verde que atrai fortalezenses e turistas. Como não falar do povo. Hospitaleiro e atencioso, tem na alegria um dos atrativos de acolhimento para quem aqui chega. Não é à toa que possui como principal vocação o turismo.Os calçadões da Beira Mar à Praia de Iracema, por exemplo, vão muito mudar.

O incentivo para que o investimento abrace a região vem em forma de até 95% de isenção fiscal. Isso vale para novos e os empresários que ali já permanecem. No espigão da João Cordeiro, a expectativa é que em 2019 vejamos a roda-gigante de 100 metros de altura girar. Vai ser maior que Cristo Redentor.

Os fortalezenses vão poder desfrutar dos antigos, mas não velhos cartões-postais, e dos novos que chegam. Quem vem de fora também. E nessa caminhada para desenvolvimento de equipamentos, muitos turistas vão visitar a Capital. O centro de conexões de voos (hub) da Air France-KLM/Gol vai trazer muita gente. Outras companhias não deixaram para trás. TACV, Latam, Azul, TAP, Avianca, Meridiana, Condor. Todas investiram e, até o fim do ano, serão pelo menos mais 36 cidades na conta dos caminhos que se interligam ao Aeroporto Internacional Pinto Martins, cuja concessionária é a alemã Fraport.

Com os “gringos”, as parcerias vêm se firmando também no Porto do Pecém localizado em São Gonçalo do Amarante, Região Metropolicana. A Port of Rotterdam, administradora do Porto de Roterdã (Holanda), está fechando negócio com o Governo do Estado. Fortaleza também ganha por ter boas opções de escoamento via céu e via mar. Isso estimula comercializações.

E desenvolvimento de negócios, sejam de médio, grande e pequeno porte, estão nos projetos para a Capital, por meio de parcerias público-privadas (PPPs). Até os terminais vão entrar. No vai e vem das pessoas, um milhão de usuários por dia passam pelos equipamentos. É potencial para desenvolver. Empresários já gostaram da ideia, e a Prefeitura vai transformar os terminais em minishoppings, para que a iniciativa privada possa realizar a exploração imobiliária e o município passa a arrecadar.

Para fluir, no entanto, é necessária a desburocratização. O desenvolvimento do Fortaleza Online, programa pelo qual podem ser emitidos, por exemplo, alvarás - muitos em até 48 horas - permite a flexibilização para setores como a construção civil.

Descobrir a vocação de cada local é também ideia para fazer a Cidade crescer. A Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos) deu origem às Zonas Especiais de Dinamização Urbanística e Socioeconômica (Zedus). Os bairros de Fortaleza serão tratados pela “sua especialidade”. Pode ser a gastronômica, o comércio, o entretenimento.São muitos planos para tocar. Há também muito o que consertar. Mas ficar parado não é a solução.

 

A onda de investimento tem que continuar chegando. Inteira, Fortaleza começa a se modificar. Nesses 292 anos, nos resta (re)conhecer os encantos desta Cidade, que a tantos acolhe. Gera emprego, gera renda. Por isso, nesta sexta-feira, é dia de desejar feliz aniversário, por tanto que passou, que tem passado e que ainda vai chegar a querida Fortaleza, terra da Iracema dos lábios de mel.

Voos maiores em menor tempo

Com menos de um ano sob nova administração, hub aéreo prestes a ser inaugurado e voos diretos, O Aeroporto Internacional Pinto Martins é peça fundamental no turismo da Cidade

O fluxo de passageiros no aeroporto de Fortaleza passará de 20 milhões de pessoas por ano ao fim dos 30 anos de concessão
 

O Aeroporto Internacional Pinto Martins vive momento de desenvolvimento. São novos voos diretos em negociação, hub aéreo a ser inaugurado em maio deste ano, e mercado aquecido. Há compromissos da gestão municipal, antes mesmo da Fraport assumir a administração, desde julho do ano passado. Trata-se de novo zoneamento urbano na redondeza, com ações de mobilidade e incentivo ao turismo para aumentar o tempo de estada dos turistas.

O planejamento urbano proposto pelo projeto Fortaleza 2040 inclui melhorias para a área, que também está dentro da Zonas Especiais de Dinamização Urbanística e Socioeconômica (Zedus) Aeroporto, cuja finalidade é estimular as atividades econômicas vinculadas ao equipamento.

“Eu diria que essas duas ações (novo zoneamento urbano e incentivos fiscais) foram ações importantes para a gente viabilizar o Aeroporto. Uma porque torna a Cidade mais competitiva, na perspectiva mesmo financeira de viabilidade econômica e, por outro lado, fazer um novo zoneamento no entorno do terminal também se abre a perspectiva de uma nova economia, vinculada ao funcionamento do Aeroporto, que acontece em todos os grandes aeroportos do mundo”, explica o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT).

A Fraport investirá aproximadamente R$ 800 milhões na realização das fases 1B e C das obras do aeroporto. Esse valor contempla contratação do consórcio, compra de equipamentos, desenvolvimento e gestão do projeto.

“Nossa meta é criar um portal aeroportuário moderno, eficiente e focado no cliente, aproveitando a experiência, energia e expertise da equipe local que formamos. Queremos oferecer o nível mais alto de qualidade em serviços, operação e segurança”, responde, em nota, a concessionária sobre o pacto com a Cidade.

Segundo o prefeito, a concessão de novos voos é uma forma de a Capital fazer crescer a permanência do turista, junto com os investimentos em infraestrutura e parcerias público-privadas (PPPs).

“Já há entre Prefeitura e Governo um diálogo para a gente replicar boas experiências que têm acontecido em outros aeroportos que são hubs internacionais. Um exemplo disso é Lisboa, lá existe o conceito de stopover,  que é mais ou menos assim, digamos, a parada noturna, a virada da noite. Então, muita gente que apenas passaria pelo aeroporto e faria conexão, ficaria na Cidade. Isso por si só já é bom para o Município, mas muito melhor é se essa pessoa que vem ao Brasil e para em Fortaleza, ela não só conecte aqui para Salvador, para Belém, para Manaus. Ela possa permanecer aqui, uma, duas noites e com isso consumir, gastar o seu dinheiro, gerar emprego, gerar renda e oportunidade”, diz.

Em média, são 150 pousos e decolagens por dia no Aeroporto de Fortaleza. Roberto Cláudio cita a possibilidade de, em quinze anos, a Capital cearense receber mais de 20 milhões de pessoas anualmente. O momento é de elaboração para esse boom de investimentos advindos do fluxo crescente.

“Imagina como essa mudança extraordinária de pessoas vindo para Fortaleza vai induzir investimentos, obviamente públicos, mas muito mais privados, em hotelaria, em hospedagem em geral, em serviços que vão progressivamente aumentar o interesse em se estabelecer aqui, porque haverá mais gente para consumir”, acrescenta o prefeito.

 

Destinos internacionais

Caiena - Guiana Francesa

Bogotá - Colômbia

Frankfurt - Alemanha

Buenos Aires - Argentina

Milão - Itália

Lisboa - Portugal

Praia - Cabo Verde

Miami - Estados Unidos

 

Destinos Nacionais

Belém – (PA)

Brasília - (DF)

Congonhas – (SP)

Belo Horizonte – (MG)

Curitiba – (PR)

Rio de Janeiro (RJ)

Guarulhos (SP)

Juazeiro do Norte (CE)

Manaus (AM)

Natal (RN)

Porto Alegre (RS)

Recife (PE)

São Luís (MA)

Salvador (BA)

Teresina (PI)

Campinas (SP)

 

Companhias aéreas em atuação no Pinto Martins

Avianca, Azul, Latam, Gol, TAP, Meridiana, Condor , TACV

Conveniência dentro de casa

Novas companhias aéreas ofertam maior número de voos no Aeroporto de Fortaleza
 

Novos destinos diretos para o Exterior também atendem à demanda de quem mora na Cidade. Estudante de engenharia Civil, Diego Rocha, 20, conseguiu aproveitar um voo direto para Frankfurt (Alemanha), no fim de dezembro passado.  “Minha namorada foi fazer intercâmbio e, a partir do momento em que ela decidiu, eu comecei a juntar dinheiro para poder visitá-la. Já estou planejando viajar no fim ano também em um voo direto de Fortaleza para Miami, que já começou há um tempo”, afirma.

O professor de logística aeroportuária da Fatec Guarulhos, Carlos Grotta, lembra que tanto a economia faz o setor de transportes crescer, como o inverso ocorre. “Vindo mais voos, tendo mais destinos, Fortaleza se ligará a outras cidades, aumentando o turismo, impulsionando a economia em todos os setores, pois estes se beneficiam da maior acessibilidade da Cidade com o resto do mundo. Enfim, aumentando a circulação de riqueza, inexoravelmente, a economia crescerá”, argumenta.

A chegada do hub poderá, na visão de Grotta, também especialista em transporte aéreo, tornar as passagens mais acessíveis. Mesmo assim, os preços vão depender da política de custos das companhias aéreas. “Mas é importante manter um bom receptivo na Cidade, pois é a imagem que será inicialmente vendida. Se a sua imagem for maculada, o tiro sai pela culatra e pode até piorar”, avalia.

Para o prefeito de Fortaleza, Roberto Claudio (PDT), o interesse da Fraport de mais voos coincide com o do Município. “Se você perguntar para mim qual é uma grande dívida que Fortaleza tem e qual é uma grande necessidade que nós temos, é crescer economicamente com mais igualdade. E a economia do turismo tem esse papel. Ela é uma economia que gera, muitas vezes, o primeiro emprego, tem o potencial de fazer crescer o PIB (Produto Interno Bruto) em si, crescer o bolo, mas esse bolo crescer de forma mais compartilhada”, observa.

Regularização de imóveis

Fortaleza será dividida de acordo com a vocação das regiões (Crédito: Camila de Almeida)
 

Somente neste ano, já foram 1.337 alvarás de funcionamento emitidos em Fortaleza - quantidade informada pela gestão com a ênfase para o atendimento específico ao qual os empresários passaram a receber com o Fortaleza Online. São ofertados 18 serviços pelo programa, incluindo licenças, consultas e autorizações. A previsão da Seuma é oferecer 30 até julho.

Um dos pontos facilitadores das emissões, proporcionado pela atualização, foram que as zonas especiais com até 250m² não precisam mais ter estacionamento.

Sobre a possibilidade do aumento de infrações de trânsito ou até de estímulo a flanelinhas, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), reforça a preocupação, em paralelo, de aumentar vagas de zona azul. “A nova zona azul vai inclusive utilizar áreas que são de calçadas hoje, que eram estacionamentos irregulares. A gente vai sair, para se ter uma ideia, de 2 mil para 9 mil vagas só neste ano. A zona azul, prioritariamente, deve ser estabelecida em áreas comerciais em que a rotatividade da vaga seja atrativo para o comércio também”, frisa.

O economista e professor adjunto da Universidade de Fortaleza (Unifor), Mário Monteiro, avalia as Zedus como importantes primeiras medidas. “A possibilidade que se abre é poder dar a chance para atrair determinadas atividades. Mas esse é só um passo inicial, ou seja, eu só estou declarando aquela região apropriada ou destinada a determinadas atividades. Tem de efetivamente promover aquilo, fazer acontecer, criar outros elementos, infraestrutura urbana, atrativos para que aquela área seja ocupada”, complementa.

Impulso 24 horas por dia

Os estabelecimentos localizados nas Zonas Especiais de Dinamização Urbanística e Socioeconômica (Zedus), distantes em até um quilômetro da orla marítima, podem funcionar 24 horas por dia, de segunda-feira a domingo. Os shoppings têm permissão para abrir às 8 horas, com fechamento até a meia-noite, por exemplo.

Para o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL), Assis Cavalcante, a regularização das Zedus foi uma medida relevante. “Os shoppings estão aproveitando bem, porque eles estão abrindo 13 horas e fechando às 20h, aos domingos. Possivelmente, neste ano, nós devemos nos sentar para fazer uma avaliação”, planeja.

Assis, por outro lado, lamenta não ter sido possível ainda o mesmo incremento no Centro da Cidade, devido aos elevados custos acordados em convenção coletiva do trabalho. “Nós só estamos usando no sábado até as 17h ou 17h30min, porque é muito caro você abrir fora do horário. Com cada empregado, é gasto R$ 85, mais um dia de folga na semana seguinte”, destaca.

Regularização de imóveis

Fortaleza será dividida de acordo com a vocação das regiões (Crédito: Camila de Almeida)
 

Somente neste ano, já foram 1.337 alvarás de funcionamento emitidos em Fortaleza - quantidade informada pela gestão com a ênfase para o atendimento específico ao qual os empresários passaram a receber com o Fortaleza Online. São ofertados 18 serviços pelo programa, incluindo licenças, consultas e autorizações. A previsão da Seuma é oferecer 30 até julho.

Um dos pontos facilitadores das emissões, proporcionado pela atualização, foram que as zonas especiais com até 250m² não precisam mais ter estacionamento.

Sobre a possibilidade do aumento de infrações de trânsito ou até de estímulo a flanelinhas, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), reforça a preocupação, em paralelo, de aumentar vagas de zona azul. “A nova zona azul vai inclusive utilizar áreas que são de calçadas hoje, que eram estacionamentos irregulares. A gente vai sair, para se ter uma ideia, de 2 mil para 9 mil vagas só neste ano. A zona azul, prioritariamente, deve ser estabelecida em áreas comerciais em que a rotatividade da vaga seja atrativo para o comércio também”, frisa.

O economista e professor adjunto da Universidade de Fortaleza (Unifor), Mário Monteiro, avalia as Zedus como importantes primeiras medidas. “A possibilidade que se abre é poder dar a chance para atrair determinadas atividades. Mas esse é só um passo inicial, ou seja, eu só estou declarando aquela região apropriada ou destinada a determinadas atividades. Tem de efetivamente promover aquilo, fazer acontecer, criar outros elementos, infraestrutura urbana, atrativos para que aquela área seja ocupada”, complementa.

O potencial do turismo

Com projetos de revitalização e parcerias público-privadas, Fortaleza expande perspectivas de turismo

A Beira Mar será um dos locais de investimento da Prefeitura de Fortaleza
 

Fortaleza costuma figurar entre os destinos mais procurados do País. A Capital ganha evidência internacional com a chegada do hub da Air France-KLM/Gol e da concessão da Fraport no Aeroporto Pinto Martins. Com projetos de requalificação, a ideia é se tornar cidade do empreendedorismo e dos negócios.

Representante comercial, o baiano Frances Soares, 43, é um dos turistas que visitam Fortaleza a trabalho. “Escuto falar na Bahia que aqui tem boas empresas no segmento moda praia, lingerie, vestuário feminino e infantil”, descreve.

O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE), Freitas Cordeiro, ressalta o impacto do comércio varejista no turismo. “Hoje, nós podemos receber qualquer evento nacional, internacional com um número maior de participantes. O Centro de Eventos veio munir Fortaleza de uma ferramenta para o turismo de negócios”, frisa.

Tornar a Cidade mais democrática ainda tem a ver com cultura e preservação do ambiente. O “Beira Mar de todos” ampliará a faixa de praia e o calçadão. O financiamento internacional é na ordem de R$ 250 milhões e deve ser assinado até o fim de abril, conforme Samuel Dias, secretário municipal de Governo da Prefeitura de Fortaleza. Parte desse dinheiro será designado ao polo comercial da Varjota, da rua Frederico Borges até a Ana Bilhar.

 

_A moda no atacado

Popular Centro de moda no bairro Jacarecanga, o Centro Fashion Fortaleza reúne feirantes formalizados advindos da rua José Avelino. Com venda maior em atacado, constitui polo de turismo comercial. “São sacoleiros que vêm do Norte e restante do Nordeste do Brasil. Do Maranhão, Belém do Pará, Piauí, Natal, cidades do Interior também”, afirma o diretor do equipamento, André Pontes.

 

_Turismo de lazer

A Beira Mar é o local preferido da comerciante Angela Sakamoto Alves, 65, que mora em Brasília com o marido cearense. Também comerciante, Fernando Alves, 64, saiu da Capital aos 18 anos. “Já viemos várias vezes, eu até prefiro ficar (hospedada) aqui na Beira Mar do que na casa da sogra para ir às feirinhas, visitar as lojas (de artesanato)”, explica.

 

_Aeroporto

“O que a gente estava precisando era melhorar a malha aérea, e tudo indica, com esse hub e outros voos internacionais que estão vindo, a gente se torne realmente um destino internacional”, aponta o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Ceará (ABIH-CE), Eliseu Barros.

 

PROJETOS

Praia de Iracema

_Revitalização da Ponte dos Ingleses

_Incentivos para atrair investidores

_Concessão dos Espigões (PPP)

1. João Cordeiro: Parque Temático com roda-gigante

2. Rui Barbosa: heliponto para voos panorâmicos

3. Náutico: ancoradouro para passeios de barcos e Museu do Mar

 

Beira Mar

_Espigões tematizados (Pier e Heliponto)

_US$ 83 milhões de investimentos na requalificação (CAF)

_Obra de Engorda artificial entre espigões da João Cordeiro e Rui Barbosa

_Início no 2º semestre de 2018

 

Barra do Ceará

_Passeio turístico na Barra do Ceará

_Iluminação da ponte sobre o Rio Ceará / Marco Zero (concurso de ideias)

 

Transporte

_Implantação de serviços de City Tour, com ônibus modelo Double Decker e panorâmicos pelos principais pontos turísticos da capital (Edital já publicado)

 

Mercado Central

_Parceria com Setfor e Sebrae, visando melhorar atendimento, atrair turistas e criação de heliponto na parte superior

 

Monsenhor Tabosa

_Melhorar atendimento e atrair turistas

 

Mercado dos Peixes

_Cursos de capacitação

_Padronização e incremento nos cardápio

 

Eventos

_Ironman na 5ª edição acontecerá no dia 25 novembro, com custo de R$ 10,5 milhões

_Rally dos Sertões 2018 envolve mais de 1.700 pessoas

Íntegra: Para consolidar Fortaleza como o portal da América do Sul

Roberto Cláudio (PDT), prefeito de Fortaleza, apresenta obras e faz apostas de negócios na Capital

Roberto Cláudio, prefeito de Fortaleza, lista os potenciais da Cidade
 

O esboço de Fortaleza como cidade portal da América do Sul, a partir do planejamento da gestão municipal é abordado pelo prefeito, Roberto Cláudio (PDT). Em entrevista, ele destaca algumas obras, aborda novidades e projetos como a roda-gigante, além de avaliar negócios atrativos.
A Capital tem a seu favor localização geográfica e, segundo o prefeito, Produto Interno Bruto (PIB) animador para consolidar-se, cada vez mais, como a cidade portal da América do Sul.

No aniversário de Fortaleza, os compromissos da gestão se renovam para tornar a Capital uma cidade melhor. Uma Fortaleza que faz jus às pessoas que vivem e ocupam os seus espaços.

O POVO - Como o senhor enxerga Fortaleza como esse portal da América do Sul?

Roberto Cláudio - Nós somos um portal de entrada para o País e há questões objetivas que demonstram que essa localização é atrativa para várias dimensões. Um deles é ser o centro de chegada de cabeamento (óptico) de todo o País, e os cabos certamente vêm por aqui porque é o ponto mais central de chegada. Além disso, passamos a ser, também por causa dessa localização, um ponto de concentração de voos, um hub de voos. Passamos a ter nossa área portuária, passamos a ter nela também uma nova centralidade econômica, interesse inclusive internacional pelo porto em si, pela sua eficiência de gestão, mas também pela sua localização.

OP - Quais obras citaria para fazer o turista permanecer na Cidade?

RC - Eu diria que essa coisa do incentivo direto, através desse formato de stopover (em voo com conexão, o viajante aproveita a descida para ficar mais tempo na cidade, de forma gratuita pela companhia, antes do destino final). Isso dá um atrativo para permanência aqui. Uma cidade que já tem essa vocação turística, mas por outro lado há um dever de casa para ser feito. Atrativos de infraestrutura, a Cidade ter novas opções, já temos algumas, mas, mais opções novas. A própria Beira Mar revitalizada, a Praia de Iracema que inicia um processo também de reocupação, de economia criativa, cultural, gastronômica que está sendo provocado lá. Os próprios novos polos do Centro, a praça da Estação feita pelo Governo, o novo polo gastronômico e cultural. O próprio eixo recuperado da José Avelino e Alberto Nepomuceno,  a nova Praça de Alencar, esse eixo que envolve o Teatro São José requalificado, e uma escada cultural, que é o novo Teatro São José com a nova biblioteca Menezes Pimentel. Tem o Dragão e o conjunto de investimentos também públicos e privados em equipamentos culturais mais embaixo. Então, quanto maior a diversidade da programação dessa Cidade, de espaços de infraestrutura pública, isso é um papel importantíssimo que está sendo feito e deve ganhar mais velocidade. O morro de Santa Terezinha, que vai ser entregue agora e num segundo momento, vai ter inclusive um bondinho em trilho para fazer um passeio vendo a orla. Esse conjunto de coisas novas e de atrativos novos, que dão diversidade de programação à Cidade são importantes.

OP - Quais projetos devem ser entregues ainda nesse ano?

RC - O morro de Santa Terezinha é entregue nesse ano. A Beira Mar é iniciada nesse ano, a segunda etapa do Vila do Mar é entregue nesse ano. O projeto da Praia de Iracema é em prazo médio, mas já aconteceram investimentos privados em restaurantes e bares nesse ano lá. Também algumas modificações de ocupação do espaço público, na Praia de Iracema serão nesse ano. O Governo do Estado deve iniciar obra da Estação das Artes e a Prefeitura deve entregar o Teatro São José e a praça em agosto desse ano. Deveremos também iniciar a praça José de Alencar como mais um advento do Cetro. Recentemente escolhemos, por escolha do povo, o parque Criança. A estação Coração de Jesus vai passar por um projeto de escolhe concurso público de ideias. É possível que até o fim do ano a gente inicie a obra de requalificação também de mais esse espaço do Centro. Eu diria que são alguns exemplos de investimentos em infraestrutura que devam ser entregues ou iniciados nesse ano e que têm a ver mais diretamente com atração do turismo.

OP - Por falar em turismo, o que a roda-gigante planejada para o espigão  da João Cordeiro terá de diferente?

RC - Ela é um atrativo novo que tem uma nuance, uma sutileza, ela não envolve nada de recurso público. Então, é um arranjo inovador em que a gente concede um espigão que hoje tem o uso basicamente de lazer para a Cidade, e continuará a ter esse mesmo uso livre de lazer, mas pelo potencial inexplorado dele ele pode ali instituir, através de uma concessão de uso privado, um atrativo que pode virar primeiro um ícone importante da Cidade, mas pode gerar novos negócios. A ideia é que nessa área o espigão seja alargado e tenha conjunto de serviços, restaurantes, bares, lojinha souvenir, outros atrativos para crianças, e uma roda-gigante que se assemelha a alguns outros ícones do mundo, que atraem turistas, porque dali você tem uma visão especial da Cidade. São cabines que cabem de 24 a 32 pessoas dentro delas. É tirar proveito de uma oportunidade de investimento privado para atrair atenção para o turismo de Fortaleza.

OP - Que tipos de negócios o senhor enxerga como mais atrativos e como vocação de Fortaleza?

RC - Eu diria que primeiro o turismo. A Fraport, com a concessão do Aeroporto e os novos voos dão uma possibilidade real de um pacto de curto prazo. É preciso que a gente se planeje para esse turismo, mais diverso de alternativas, e que ocupe uma centralidade maior nas preocupações econômicas da Cidade. Então, eu diria que esse, essa é a ponta de lança, é a nossa maior oportunidade, mas há uma outra oportunidade pouco explorada pela cidade da economia criativa em Fortaleza, na economia da cultura, na economia dos pequenos negócios de tecnologia, na economia dos negócios limpos na Cidade, que nunca foi muito bem planejada. A gente está dentro do Iplanfor (Instituto de Planejamento de Fortaleza) montando especificamente para iniciar a execução, inclusive já com território específico, que é o Centro e a Praia de Iracema. Começar por aí, um plano de economia criativa, sólido. Inclusive Fortaleza vai participar de uma competição junto à Unesco para ser uma cidade da gastronomia. Isso, esses tipos de selos que são importantes para garantir uma atração e uma atenção internacional para esse tipo de mercado aqui na Cidade. Então, o que eu posso dizer para você, é que uma coisa nova que a gente deva lançar ainda esse ano, é um plano para a economia criativa de Fortaleza. Inclusive, envolvendo já um território específico, Centro e Praia de Iracema, entenda-se por economia criativa a economia da cultura, a economia da gastronomia, a economia da tecnologia da informação, a tecnologia dos pequenos negócios de artesanatos criativos e que nós queremos dar a eles uma nova dimensão. Nós fizemos agora tanto a lei do comércio, como a Zonas Especiais de Dinamização Urbanística e Socioeconômica (Zedus) , como também os incentivos tributários para novos negócios em áreas de baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). São incentivos concretos que foram dados recentemente no ano passado para a agente poder ampliar o que já é a principal força econômica da Cidade.

OP - Qual o impacto já sentido dessas estratégias para maximizar os resultados de investimentos e oportunidades?

RC - A gente viu lá que a nova Luos (Lei de Uso e Ocupação do Solo), a Zedus e a nova lei do comércio, principalmente a Luos, tiveram impacto extraordinário em número de alvarás. Isso quer dizer novos negócios, ou novos negócios formais, que se abrem, que vão assinar carteira de trabalho, vão gerar emprego. A própria Águeda (Muniz, secretária de Urbanismo e Meio Ambiente) aponta esse ano uma mudança muito significativa desses primeiros três meses em relação aos três meses do ano passado, de busca por abertura de negócios, alvarás, de novos negócios sendo abertos na cidade de Fortaleza. Não dá para precisar bem o que é, o que gerou. Foi um pouco leve e discreta a melhora da economia, mas  houve um conjunto de incentivos legais da Luos, o horário do comércio, da Zedus, essa desburocratização. Fortaleza tem uma posição competitiva já mesmo ainda com a economia sem estar aquecida. A gente tem uma rede de farmácias, rede de varejo procurando abrir aí sete lojas simultâneas, dez lojas simultâneas na Cidade, já no começo desse ano, e isso é um sinal importante. Não tem como a gente precisar o que foi, mas o conjunto dessas circunstâncias certamente deu uma nova atração, uma nova oportunidade.

OP -  Quem são os interessados em investir nos shoppings em terminais de ônibus?

RC - Eu imagino que venha a ter interesses distintos nos distintos terminais, até porque eles são localizados em áreas diferentes da Cidade, com demandas econômicas diferentes. Em algum pode haver interesse de uma universidade, por exemplo, em cima do terminal. Outros podem ser que haja o interesse de um centro comercial, outro de escritórios, outro de um mix de negócios. Vai depender muito da localização e do perfil e da área que cada terminal vai ofertar. O mais importante eu nem creio que seja isso, o mais importante eu acho que é a contrapartida pública disso. É isso que é o bom negócio na perspectiva do público. Esse investimento privado vai gerar aí uma contrapartida  para a gente aumentar terminais, modernizar, dar mais segurança, melhorar a experiência do usuário de transporte público dentro do terminal, sem que a gente use dinheiro público. Então, em outras palavras, esse investimento privado vai dar dinheiro para o município fazer investimentos assim transformadores, para melhorar a experiência do usuário dentro do terminal.

OP - E no caso das operações urbanas consorciadas?

RC - Um exemplo prático, o sítio Tunga, foi feito lá o loteamento do sítio Tunga com novo potencial imobiliário e eles estão fazendo uma nova avenida que é paralela a Washington Soares. Vai servir para desafogar o trânsito da Cidade. Estão entregando, dentre outras coisas, mais duas principais, entregando um parque verde de cinco hectares para a Cidade, que será um parque todo adaptado à terceira idade, o parque da longevidade. Um outro exemplo, o riacho Maceió, aprovamos lá também um empreendimento imobiliário. Em contrapartida, uma área que era de riacho contaminado, de esgoto sujo, abandonado, virou uma das mais usadas áreas verdes e espaços públicos. Um outro exemplo, o RioMar Presidente Keneddy, modificando a possibilidade de construir em quarteirões que não se podia construir o shopping e ganhamos novas vias, alargamento de vias, novos canteiros centrais, novas calçadas, investimentos que a Prefeitura deveria fazer e que foi feito pelo privado.

OP - Em cima dos eixos do Fortaleza Competitiva (Desburocratização; operações urbanas consorciadas; parcerias-público privadas (PPPs); concessões de alguns ativos da Capital; formatação de um novo conjunto de legislações tributárias), quais ainda precisam ser fortalecidos?

RC - Eu acho que a gente está bem equilibrado no nosso cronograma. O que mais tem avançado é a desburocratização. A gente tem conseguido avançar bem nos prazos, e está com uma série de procedimentos já em virtude de mudanças na legislação, em mudanças na tecnologia. Temos conseguido fazer com que a legislação  já funcione hoje completamente online, baseada no novo marco regulatório. A aprovação do Código das Cidades, que possivelmente acontecerá agora em abril, dará um novo ânimo ao que falta, então, a gente está investindo na tecnologia em paralelo. Mas falta aprovar o código para dar novas permissões legais a alguns procedimentos que serão simplificados. Com aprovação, eu diria que dentro de um ano e meio a gente vai ter uma Cidade com procedimentos administrativos de abertura de empresa, licenciamento, alvará, gestão de resíduo.

OP - A pauta da desburocratização vai estar completa em quanto tempo?

RC - Então, desburocratização é essa pauta que deva estar completa em 18 meses a partir de abril. Temos a pauta de operações urbanas e PMIs que estão acontecendo e deverão ganhar um novo ritmo e corpo no segundo semestre desse ano. Temos a pauta também do trabalho, que a gente iniciou uma série de esforços de capacitação, mas deveremos lançar no segundo semestre a Remuq, que é a Rede Municipal de Qualificação, que é uma integração de todos esforços de qualificação através de uma pesquisa que está sendo feita, de mercado, de entender onde precisa se formar, para quem precisa se formar, e a gente integrar todo o dinheiro que a gente tem. Também temos o esforço importante de apoio ao micro e pequeno. Temos aí o empreendedorismo sustentável, com políticas de crédito, de qualificação, de formalização ao empreendedor. Lançamos recentemente o catálogo do artesão, Lançamos recentemente também um financiamento para mulheres empreendedoras e temos alguns esforços também que acontecerão nos Cucas, com investimentos em startups e inovações para empresas jovens na cidade de Fortaleza. Já somos a capital mais desburocratizada do País. A Endeavor, que é essa avaliação externa, no conjunto de tudo que é desburocratização, colocou Joinville em primeiro colocado, e Fortaleza em segundo, mas, como a capital mais desburocratizada do País.

Confira edição digital

Especial comemora os 292 anos de Fortaleza