diabetes

Sobre

A doença que configura entre as principais causas de morte no Brasil ainda é renegada e de completo desconhecimento para boa parte da população. O País chega mesmo a ocupar o 4º lugar no mundo entre os que os habitantes menos sabem do próprio diagnóstico de diabetes mellitus, um tipo da enfermidade. Nada mais salutar que abordarmos o tema, ajudando a esclarecer pontos básicos de como identificar e tratar a doença. Diabetes não pode ser ignorado.

Infográfico

Infografico
Informações titulo

Por que não queremos falar da doença?

Doença que afeta mais pessoas a cada dia, a diabetes precisa de conhecimento e aceitação para ser combatida de forma correta. Trabalhos de conscientização auxiliam no processo de aprendizado dos pacientes

Por Hamlet Oliveira
O silêncio é uma das principais marcas da diabetes. Com manifestação por meio de sintomas que podem passar despercebidos, como urina em excesso ou perda de peso, a doença vem crescendo em todo o mundo, com 425 milhões de diagnosticados, dados de 2017. Só no Brasil, estima-se que mais de 13 milhões sofram com a doença. Por conta da falta de conhecimento de muitos, o número tende a crescer.
 
Mesmo com todo o processo de conhecimento e campanhas de conscientização, especialistas apontam que ainda ocorre resistência por parte dos pacientes em aceitar a condição e os riscos da doença. Para Hermelinda Pedrosa, endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SDB), o mais comum é que os novos pacientes afirmem apenas estarem com “a glicemia um pouco elevada”, sem darem a importância necessária a diabetes. “Isso é uma coisa que precisa ser desmontada, porque ela (diabetes) é silenciosa e pode trazer complicações muito graves, ou ser diagnosticada muito tarde”, afirma.
 
Em 2018, o tema da campanha do Dia Mundial do Diabetes, celebrado em 14 de novembro, foi Diabetes e a família. De acordo com Hermelinda, essa pauta merece destaque, pois o apoio familiar é importante para a condução do tratamento. No caso de diagnósticos do tipo 1, que em geral ocorrem na infância ou início da adolescência, a aceitação tende a ser maior, pois é algo que faz parte do cotidiano da pessoa.
 
“O paciente da diabetes tipo 2 pode ter um comportamento de forma errática por mais tempo, pois eles têm dificuldade de ter aderência ao estilo de vida. O paciente tipo 2 não é só a glicemia, é o peso, a pressão arterial, problemas relacionados à gordura no sangue, tudo coexiste quando se tem a doença.” A especialista alerta que, em ambos os casos, existe risco do desenvolvimento de depressão, o que reforça a importância do apoio constante da família.
 
No caso de Antenor Moreira de Freitas, 69, portador do tipo 2, os primeiros sinais da doença vieram há 13 anos, com um glaucoma que afetou a visão do olho esquerdo. Depois de continuar a não se cuidar, começaram a surgir problemas vasculares nas pernas. “Desci do ônibus e caí, minha perna não aguentou mais. Dei um arranhão no dedo, aí foi o começo. O médico olhou, passou um remédio e mandou pra casa. Continuou doendo. O médico mandou procurar um especialista vascular. Aí eu procurei e ele disse que ia ter que amputar meu dedo”, conta Antenor. Ambas as pernas foram amputadas devido a complicações da doença. 
 
Desde então, Antenor vem se reabilitando por meio do uso de próteses. O avanço foi atrasado por conta de um AVC sofrido em junho de 2018, quando perdeu novamente a capacidade de andar. Aos poucos, os exercícios diários vêm melhorando o caminhar. 
 
Mudança de vida
Diretora da ADJ Diabetes Brasil, a endocrinologista Denise Franco reforça que a diabetes tipo 2 ainda possui o estigma social, ligado a um comportamento sedentário. Dessa forma, as limitações impostas pela nova rotina também podem ser fatores que comprometem o cotidiano dos diagnosticados.
 
“Você tem a mudança de estilo de vida, tem que ter o ajuste da medicação, tomar nos horários corretos. A insulina tem toda uma rotina, ajustar a ponta de dedo, a dose de insulina que vai tomar, isso faz uma diferença grande na vida de quem tem diabetes. Tem gente que leva de maneira mais fácil e outras que olham com mais dificuldade”, conta Denise.
 
Apoio em conjunto  
Criada em 2006, a Associação Cearense de Diabéticos e Hipertensos (Acedh) busca levar conhecimento para os diagnosticados com a doença. Helena Rocha, fundadora da Acedh, explica que o trabalho atual é para o empoderamento do paciente por meio de ações educativas. Um dos pilares do tratamento, ressalta, é o aspecto multidisciplinar, ao envolver endocrinologistas, nutricionistas, enfermeiros, educadores físicos e outros. A associação, que conta com mais de dez mil membros, tem parceria com a ADJ para apoiar a expansão do atendimento ao diabético no Brasil.
 
Helena explica que a abrangência do tratamento feito no Ceará precisa crescer, com uma futura inauguração de mais centros especializados. “Precisamos de um alto investimento em infraestrutura e na compra dos insumos para que não faltem para os portadores da doença.” Hoje, o atendimento da Acedh é realizado na rua Jorge Dumar, 2340, no bairro Montese.
 
Quanto à relação dos pacientes com familiares e amigos, Helena ressalta que a Acedh, além de promover a integração, também realiza eventos com profissionais como forma de tirar dúvidas mais comuns dos portadores de diabetes. “A associação promove esses encontros buscando ouvir o paciente, trabalhando o empoderamento, sempre deixando claro que o diagnóstico do diabetes não é uma sentença de morte, mas uma mudança de vida e de adoção de hábitos saudáveis que se traduzem numa melhor qualidade de vida.”
 
De acordo com Shérida Paz, enfermeira, professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e educadora em diabetes, aspectos culturais, biológicos, psicológicos e econômicos são discutidos quando se fala da enfermidade. “Os pilares do manejo adequado da diabetes incluem alimentação saudável, prática regular de exercício físico, gestão das emoções e cuidados com insulinas e/ou medicamentos via oral. Por isso, o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar é fundamental para o tratamento e manejo da doença, uma vez que cada profissional contribuirá especificamente em sua área e, juntos, potencializam os cuidados, as orientações e o apoio que a pessoa com diabetes precisa.”

Infográfico

Infografico
Informações titulo

Desde cedo convivendo com diabetes

Disciplina e aprendizado foram pontos importantes para que o cotidiano de Anita Beatriz pudesse manter a diabetes sob controle. Apesar de toda a pressão da adolescência, a jovem leva uma vida já habituada às particularidades da condição

Por Hamlet Oliveira

Os primeiros sinais foram característicos. O excesso de água aliado à perda de peso constante fez com que os pais de Anita Beatriz, 13, então próxima de completar sete anos, a levassem ao médico. A partir do diagnóstico de diabetes tipo 2, um tratamento foi iniciado, mas o peso da jovem continuou a cair. A piora ocasionou uma internação de cinco dias, que resultou na descoberta de que a diabetes de Beatriz era, na verdade, tipo 1.

Hoje na adolescência, Bia, como prefere ser chamada, possui todo o conhecimento de quem já possui anos de experiência com a diabetes. Sabe os horários corretos para realizar a checagem da glicemia, que ocorre, em média, oito vezes ao dia, e aprendeu a contar os carboidratos que ingere para controlar a taxa glicêmica no sangue.

No braço esquerdo, uma tatuagem recente informa o tipo sanguíneo de Bia e o tipo de diabetes que possui. “Ela [a tatuagem] é para caso eu passe mal ou tenha alguma coisa na rua, a ambulância não me dê soro glicosado, porque as primeiras coisas que eles fazem é injetar soro na pessoa. Se eu tiver com hipo[glicemia], eu posso melhorar, mas se eu tiver com a hiper[glicemia], eu posso entrar em coma”, explica.

Além do teste de glicemia capilar, que perfura a ponta do dedo para medir a partir de uma gota de sangue, Beatriz também utiliza o aparelho FreeStyle Libre, que a partir de um sensor acoplado no braço realiza a medição sem a necessidade de tirar sangue.

Priscila Santana, estudante de enfermagem e mãe de Beatriz, explica que a filha prefere utilizar o Libre quando está fora de casa, para não se expor. “No caso dela, tem a questão da aceitação. Ela odeia fazer a verificação na rua porque as pessoas leigas ficam falando o que não sabem. Se vai comer alguma coisa na rua, ela vai comer e vai corrigir [a glicemia]. Então as pessoas ficam falando ‘vai comer doce, você não pode, tá tomando insulina, você vai morrer’”, comenta Priscila.

Até os dez anos de idade, o tratamento de Beatriz seguiu o curso habitual, com verificações constantes e idas a especialistas. Porém, no início da adolescência, tornou-se mais conturbado. A pressão constante de uma rotina equilibrada fez com que Bia desenvolvesse depressão e passasse a sabotar o tratamento, deixando de tomar os remédios e comer em excesso alimentos que aumentam a glicemia, como doces.

Já aos 13 anos, Bia começou um tratamento junto a psiquiatra e psicólogo para alinhar novamente o tratamento. De acordo com Priscila, a rotina normalizou-se. “Ela tem todo o apoio da família. Levamos ela para encontros com outros diabéticos, para ela ver que não está sozinha.”

Para Denise Franco, endocrinologista e diretora da ADJ Diabetes Brasil, tais práticas dos adolescentes tendem a ser comuns por conta da personalidade tradicional da idade, que não aceita bem limites. A especialista também aponta que o desenvolvimento de transtornos alimentares pode ocorrer. “A coisa mais importante a se dizer é que a diabetes não se trata sozinha. Formar um grupo de apoio, um grupo de adolescentes, por exemplo, às vezes, funciona bem. Indo em uma associação, você vai encontrar outras pessoas. Mesmo quem tem tipo 2 pode ter lá um ambiente mais favorável, pois não vai estar só nesse mundo com as mudanças”, conta.

Infográfico

Infografico
Informações titulo

"Eu tinha muita pressa em viver"

Há 30 anos com diabetes, o músico Renato Assunção perdeu uma perna em decorrência da doença. Mesmo com as complicações, não se deixou abater e mantém uma rotina de apresentações e cuidados com a saúde

Por Hamlet Oliveira
Músico, ex-piloto de aeronaves e portador de diabetes tipo 1 desde os dez anos de idade, Renato Assunção, 40, perdeu a perna esquerda na altura da coxa em decorrência da doença há cinco anos. Após um período de meses em hospitais, Renato se mantém sem o uso de próteses, mas continuou com a capacidade de dirigir seu carro, além de ter conseguido voltar aos palcos da noite de Fortaleza. “Onde me pega de um lado, eu corro pro outro.”
 
Há 30 anos com o diagnóstico, Renato vê com satisfação algumas mudanças sobre como tratar a doença para os portadores de diabetes e para quem pode adquirir a enfermidade. “Eu perdi ano escolar, pois fiquei muito tempo no tratamento. Há 20 e tantos anos, não tinha produtos diet como têm hoje. Não tinha praticamente nada disso. Tinha que não comer. Na época, não era nutricionista, era o próprio endocrinologista [que fazia as recomendações], ele era um faz tudo”, recorda.
 
Aos dez anos, os primeiros sintomas vieram na forma de urina em excesso e perda de peso. Em busca de reduzir a fraqueza do filho, a mãe de Renato o alimentava com comidas que continham açúcar em excesso, piorando a situação. A descoberta da doença ocorreu após o jovem ser levado ao hospital e ter ficado em coma induzido. Na época, o índice de glicose no sangue de Renato chegou a 595 mg/dl [é considerado normal até 99 mg/dl], o que demandou um tratamento intensivo para voltar à normalidade. O músico explica que seu pâncreas é incapaz de produzir insulina, de forma que todo o açúcar acaba retido no organismo.
 
No caso da amputação da perna, Renato explica que teve um problema vascular, decorrente dos 15 anos como fumante. “Fiz algumas tentativas de desobstrução e, numa dessas, a veia se rompeu, tive uma trombose e tive que amputar. Até então não estava bem controlada a diabetes, porque cantando na noite, dormindo tarde, jantando depois [do horário], é uma coisa muito difícil. Para o diabético ter uma vida normal, precisa ter um trabalho normal.”
 
Com a trombose, Renato foi colocado em coma induzido novamente, aos 35 anos. Uma traqueostomia foi realizada para que o músico conseguisse respirar. No período, Renato foi desenganado três vezes pelos médicos na UTI, com os familiares chegando a acionar uma funerária para os preparativos. Porém, a recuperação gradativa ocorreu.
 
Atenção máxima aos membros
De acordo com Vânia Rebouças, cirurgiã vascular e médica hiperbarista, o uso contínuo do cigarro causa o surgimento de placas de gordura e calcificação nas artérias. “O cigarro é um grande fator, tanto no paciente diabético, quanto no não diabético, mas o diabético fumante vai estar aumentando sua predisposição a desenvolver uma doença arterial periférica, em um período precoce”, conta.
 
“Quando o paciente desenvolve qualquer lesão, às vezes mínima, como uma micose entre os dedos, uma topada, unha mal cortada, pode desencadear uma lesão grave, porque o fluxo de sangue nos membros não é suficiente para cicatrizar aquela lesão”, fala a especialista. Vânia também ressalta que o cuidado com os membros deve ser constante, pois pode ocorrer perda de sensibilidade. Dessa forma, não haveria dor e o paciente pode não dar a devida atenção a uma ferida.
 
A recuperação 
A volta aos palcos aconteceu aos poucos, por conta da traqueostomia. “Se não tivesse sido muito bem feito, eu não cantaria nunca mais. Quando você estuda canto, você tem toda uma parte corporal que faz com que o som melhore. Então, como passei a cantar sentado, toda a parte respiratória mudou. Ou me adaptava ou parava. Eu tinha muita pressa em viver, já prevendo esse problema do diabetes. Fazia muitos shows. Tudo que eu queria fazer de sonhos eu realizei”, ressalta o músico.
 
Hoje, a rotina com a doença é de controle e atenção, com verificações diárias das taxas de açúcar no sangue por Renato. Um personal trainer e um fisioterapeuta também o acompanham. Contudo, quanto ao recebimento de medicamentos, só recentemente o músico conseguiu insulina via sistema público de saúde. Os gastos mensais com a doença já chegam a R$ 5.500.

Novos hábitos de vida

Francisco das Chagas, comerciante, teve a visão afetada em decorrência da diabetes. Após levar a doença com seriedade, passou a adotar uma rotina alimentar voltada para a prevenção de novas complicações

Por Hamlet Oliveira

Antes do diagnóstico de diabetes tipo 2 afetar sua vida, o comerciante Francisco das Chagas Filho, 58, conhecido como Chaguinha, trabalhava com venda de polpas de frutas no mercado São Sebastião. A doença foi descoberta em 2002, após um excesso de coceira nas pernas. De lá para cá, a falta de cuidado com a alimentação junto ao consumo de bebida alcoólica resultou em um glaucoma, que tirou a visão dos dois olhos de Chaguinha.

Em 2017, a aparição de calos nos dedos dos pés assustou o ex-comerciante, afastado dos negócios desde os problemas de visão. Uma angioplastia foi feita para continuar a transmissão de sangue para os pés e reduzir os riscos de uma possível amputação. Outros exames mostraram uma sequência de veias obstruídas e um Acidente Vascular Cerebral (AVC) não detectado.

Aos poucos, a visão de Chaguinha começou a escurecer. Um oftalmologista detectou, então, que ambos os olhos estavam preenchidos por sangue. “Operei o olho direito, mas não enxerguei. Deu derrame de novo no olho, depois de 40 dias. Ele [o médico] me operou de novo, comecei a enxergar bem pouco, mas no outro dia apagou tudo”, conta. Depois de uma terceira intervenção, parte da visão do olho direito retornou, mas somente 30%. Novas cirurgias no olho esquerdo irão buscar recuperar parte da visão do órgão.

Na rotina atual de Chaguinha, a atenção com os alimentos virou prioridade. Pouca quantidade de carne, além de evitar itens como pães, leites e tapiocas, por meio das indicações do nutricionista que o acompanha. As medições de glicemia capilar também ocorrem diariamente, para controle dos índices glicêmicos. “No começo foi difícil porque eu era teimoso, foi preciso o susto para eu me acalmar. Todo diabético é teimoso, só quando tem um susto grande que acalma. Eu tenho muito cuidado, fico me policiando direto”, declara Chagas.

Visão afetada

De acordo com André Jucá, oftalmologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), a diabetes é a causa da retinopatia diabética, condição que causa danos à retina. Por conta disso, o especialista recomenda um exame anual do fundo da retina para os pacientes diagnosticados com diabetes, como forma de prevenir a doença, ou tratar enquanto ainda se encontra em estágios iniciais.

Em relação aos tipos 1 e 2 da diabetes, ambos causam os mesmos problemas, mas a tipo 2, por muitas vezes ser descoberta em estágio avançado, já pode ter provocado algum sintoma. “Daí a importância de todo o diabético fazer a prevenção. Ambos podem complicar, mas no tipo 1 o paciente já sabe que tem a doença. E muita gente com tipo 2 não sabe que é diabético. Alguns pacientes diagnosticamos diabetes por causa desses problemas nos olhos”, explica.

Principais tecnologias para o controle de diabetes

A busca pelo controle da diabetes é um passo constante tanto para pacientes do tipo 1 quanto do tipo 2. Além dos testes de controle habituais, como a medição por meio de uma gota de sangue da ponta do dedo, novas tecnologias e aplicativos auxiliam os pacientes a manterem uma rotina saudável.

FreeStyle Libre

Aparelho de medição dos níveis de glicose no sangue, o Libre permite mais conforto para o usuário, pois elimina o excesso de checagens pela ponta do dedo. Por meio de um sensor acoplado no braço do paciente, o objeto faz as medições em questão de segundos, armazenando os índices glicêmicos do decorrer do dia, além de mostrar se está ocorrendo hipo ou hiperglicemia. O sensor precisa ser trocado a cada 14 dias.

Bomba de insulina
Por meio de uma agulha acoplada à pele e um medidor junto ao corpo, o aparelho realiza a aplicação de insulina 24 horas por dia, de acordo com a demanda de cada paciente. As medições precisam passar pelo crivo do médico responsável pelo acompanhamento e devem ser ajustadas mediante a alimentação e prática de exercícios físicos de cada um. Apesar dos benefícios, o alto custo do aparelho é um impeditivo para a maioria dos pacientes, que precisam recorrer a ações judiciais para conseguirem direito à bomba.

Canetas para aplicação de insulina
Para uso mais discreto da substância, as canetas funcionam de forma prática, podendo ser descartáveis ou permanentes. Um dos benefícios é a não necessidade de levar insulina de forma refrigerada, pois os cartuchos da caneta podem ser mantidos em temperatura ambiente. Caso seja da modalidade permanente, refis de insulina devem ser comprados à parte, como também as agulhas.

Aplicativos para o dia a dia:


MySugr
Por meio de uma interface simples, o app permite as entradas das taxas diárias de insulina, além de trabalhar para incentivar que o paciente faça sempre seus registros de forma correta, para gerar relatórios precisos. Disponível gratuitamente para Android e iOS, com a possibilidade de ser expandido para uma versão Pro, mediante pagamento.

Glic
Aplicativo 100% nacional, o Glic faz todo o acompanhamento das taxas de glicemia, para o paciente avaliar a curva de aumento ou queda no índice de glicose no sangue. Outro benefício é o suporte para calcular a quantidade de carboidratos ingerida a cada alimento, assim como a quantidade de insulina que deve ser injetada para manter os níveis glicêmicos normalizados. Disponível gratuitamente para Android e iOS.

Glucose Buddy
Há mais de nove anos no mercado, o app também permite o acompanhamento dos níveis de glicemia e dos alimentos ingeridos, com a possibilidade inserção dos dados tanto pelo smartphone quanto pelo computador. Disponível gratuitamente para Android e iOS, com versão premium facultativa.

Infográfico

Infografico
Informações titulo

Os entraves para o tratamento correto

Para combater a diabetes, pacientes ainda precisam ter mais conhecimento sobre a doença, assim como efetiva aderência a tratamentos para a mesma. O sistema de saúde do Brasil também tem muito a evoluir

Por Adailma Mendes

Desconhecimento sobre a doença, não aceitação do diagnóstico e falta de acesso ao tratamento correto são dificuldades substanciais na realidade dos diabéticos. Todos esses pontos afetam as possibilidades de um acompanhamento médico ideal, com multidisciplinaridade no atendimento, e, ainda, de fornecimento de medicamentos e de aparelhos necessários à manutenção da boa saúde do paciente.

Um retrato desse quadro está em estudo da Universidade de São Paulo (USP), realizado em 2014, que revelou que 77% das pessoas com diabetes tipo 2 não aderem ao tratamento. O que Vanessa Pirolo, consultora de Advocacy da ADJ Diabetes Brasil, explica é que boa parte da população brasileira é atendida por clínicos gerais e "eles não têm conhecimento suficiente de diabetes para dar o tratamento adequado". Para a consultora, falta ainda atenção dos profissionais de saúde. "Como as pessoas vão fazer uma consulta de dez minutos, se a pessoa com diabetes precisa mostrar como são seus hábitos, como é sua alimentação, sua atividade física?"

Segundo levantamento realizado pela Abril Inteligência com a curadoria do endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri e o apoio do laboratório AstraZeneca, junto a 1.050 pessoas com e sem diabetes, menos da metade das pessoas com diabetes relatou ter passado por exames cardiológicos e/ou renais no último ano, e apenas 16% tiveram os pés examinados, dado que vai ao encontro dos impactos socioeconômicos da doença aos sistemas de saúde no Brasil.

Internações devido a diabetes e a condições relacionadas custaram ao Sistema Único de Saúde (SUS) R$ 463 milhões em 2013, 4,3% dos custos totais de hospitalização de todo o Sistema, segundo o estudo “Disease and Economic Burden of Hospitalizations Attributable to Diabetes Mellitus and Its Complications: A Nationwide Study in Brazil”.

Muitos pacientes acabam por descobrir a diabetes somente após terem alguma complicação decorrente da doença já instalada ou quando entram em coma. "Estima-se que metade da população com diabetes não sabe que tem a doença. A ausência de sintomas nas fases iniciais torna o cenário ainda mais alarmante, ao levarmos em conta que, apesar de 7 em cada 10 portadores de diabetes afirmarem que seguem corretamente o tratamento, grande parte não possui a clareza de que o controle da doença inclui uma série de fatores que vão além da administração dos medicamentos", coloca o médico Alexandre Hohl, endocrinologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Para o especialista, a "inércia terapêutica" pode ser, assim, tanto por conta do profissional de saúde como do paciente. "Por desconhecimento ou não cumprimento de protocolos que buscam o controle do diabetes, demora em intensificar o tratamento com outros medicamentos, o que é essencial para a prevenção de uma série de complicações associadas", destaca Hohl.

Hoje o SUS oferece, segundo a ADJ Diabates Brasil: cloridrato de metformina 500 mg; cloridrato de metformina 850 mg; glibenclamida 5 mg; insulina humana 100 UI/ml; insulina humana regular 100 UI/ml; e, para pessoas com diabetes tipo 1, insulina NovoRapid.

Junto aos planos de saúde, é preciso ver o que cada um oferece. Segundo Vanessa, "a pessoa, muitas vezes, entra com processo judicial para conseguir bomba de insulina e seus insumos, além da insulina análoga de ação lenta, entre outros medicamentos". 

Correndo atrás do prejuízo 

A indicação da ADJ Brasil é que para casos em que seja negado o acesso a medicamentos e/ou insumos, o paciente vá acompanhado de uma testemunha, pergunte o nome da pessoa que o atender e, se o funcionário informar que não tem o medicamento, solicitar que lhe seja fornecido por escrito uma declaração. “Se [o funcionário] não quiser dar, poderá chamar a polícia e lavrar um B.O. [Boletim de Ocorrência] ou poderá redigir de próprio punho uma declaração informando o que aconteceu e assinar junto com a testemunha. Em seguida, poderá fazer uma queixa na Ouvidoria da prefeitura e do SUS; ir à Defensoria Pública e/ou ao Ministério Público”, explica Vanessa.

Caso a situação requeira processo judicial após retorno negativo ou inexistente da Ouvidoria, deve-se conversar com advogado para que ele requeira no processo as medidas cabíveis para o cumprimento da ordem judicial. "Se mesmo assim, não conseguir uma resposta, é muito importante que as pessoas apresentem por escrito suas queixas às associações de pacientes, com nome e RG, porque somente dessa forma a entidade poderá fazer uma representação para o Ministério Público, para o Conselho Municipal e Estadual de Saúde, e levar as queixas à mídia. Tudo com embasamento", orienta a consultora de Advocacy da ADJ Diabetes Brasil.

Uma Produção