O Vovô voltou! Alvinegro de Porangabuçu se garante na elite do futebol

O time comandado por Marcelo Chamusca repetiu o feito de 2009, quando o Vovô subiu para a Série A do Brasileiro

Por Lucas Mota

 

O Ceará está de volta à Série A do Campeonato Brasileiro. Com uma campanha vitoriosa, o Alvinegro de Porangabuçu conseguiu o segundo acesso em menos de uma década. O time comandado por Marcelo Chamusca repete na temporada 2017 o feito de 2009, quando o Vovô subiu para a elite do futebol nacional.

O Alvinegro carimbou o retorno à Primeira Divisão na 37ª rodada, antes mesmo de iniciar o duelo contra o Criciúma, no Heriberto Hülse-SC. Isso porque Londrina (5º), com 59 pontos, e o Oeste (6º), com 58, não venceram seus jogos e não tinham mais condições de alcançarem o Vovô, com seus 63 somados até a 36ª rodada. Assim, o Ceará voltou à elite do futebol faltando uma rodada para o fim da Série B.

Sem estrelas, o elenco de Ceará se destacou na competição pela força do coletivo. O clube conseguiu montar um grupo nivelado, que não perdia em qualidade com ausências de titulares ao longo do torneio. Além disso, acertou em cheio com a mudança de treinador após demitir Givanildo Oliveira na 8ª rodada e contratar Marcelo Chamusca.

Outro ponto a favor na campanha do Alvinegro foi a torcida. A jornada do time de Porangabuçu é marcada pelo apoio do torcedor, que compareceu ao estádio e promoveu festas em embarques e desembarques do elenco e da comissão técnica  no Aeroporto Internacional Pinto Martins.

A campanha do acesso

A equipe iniciou a Série B oscilando, com um desempenho fraco dentro de casa, sob o comando de Givanildo Oliveira. Chegada de Marcelo Chamusca colocou o time em novo patamar na competição

Por Lucas Mota

O Ceará fez uma campanha impecável em 2017 e não deixou o acesso escapar como nas temporadas de 2013 e 2014, quando o time fracassou nas rodadas finais. O Vovô começou o ano bem com o título do Campeonato Cearense diante do Ferroviário. Entretanto, o futebol do time não era tão vistoso, nem passava confiança aos torcedores.

A equipe iniciou a Série B do Campeonato Brasileiro oscilando, com um desempenho fraco dentro de casa, sob o comando de Givanildo Oliveira. Apesar de ter conquistado o Cearense, o técnico só durou até a 8ª rodada da Segundona, com três vitórias, dois empates e três derrotas.

Marcelo Chamusca estreou pelo Ceará na 10ª rodada e conseguiu dar padrão de jogo ao time. O elenco ganhou confiança e engrenou na competição. O Alvinegro se destacou pela regularidade e o desempenho fora de casa, se tornando o 3º melhor visitante da Segundona até a 36° rodada.

Para conseguir o tão sonhado acesso, o Alvinegro de Porangabuçu somou 63 pontos, com 18 vitórias, nove empates e nove derrotas. O Ceará marcou 44 gols e sofreu 31. O aproveitamento do time é de 58,3%.

No primeiro turno, o Ceará pulou de 12º, com a chegada de Chamusca, para terminar em 4º. O aproveitamento de 54,4% foi construído em nove vitórias, quatro empates e seis empates, com 24 gols marcados e 17 sofridos.

Já no segundo turno, o Vovô manteve o bom desempenho, assegurando aproveitamento de 62,7% até a 36ª rodada. Foram nove vitórias, cinco empates e apenas três derrotas, com 20 gols marcados e 14 sofridos.

Ceará - Campanha do acesso (até a 36ª rodada)

36 jogos - 63 pontos

18 vitórias

9 empates

9 derrotas

44 gols pró

31 gols contra

Ceará como mandante (35 pontos)

18 jogos

10 vitórias

5 empates

3 derrotas

25 gols prós

14 gols contra

Ceará como visitante (28 pontos)

18 jogos

8 vitórias

4 empates

6 derrotas

19 gols prós

17 gols contra

Resultados do Vovô na Série B 2017:

1ª RODADA - CRB 1 X 0 CEARÁ

2ª RODADA - CEARÁ 0 X 0 BOA ESPORTE

3ª RODADA - NÁUTICO 0 X 2 CEARÁ

4ª RODADA - CEARÁ 1 X 0 LONDRINA

5ª RODADA - AMÉRICA-MG 1 X 0

6ª RODADA - BRASIL DE PELOTAS 2 X 3 CEARÁ

7ª RODADA - CEARÁ 1 X 3 SANTA CRUZ

8ª RODADA - CEARÁ 1 X 1 LUVERDENSE

9ª RODADA - VILA NOVA 1 X 1 CEARÁ

10ª RODADA - CEARÁ 3 X 0 OESTE

11ª RODADA - PARANÁ 1 X 0 CEARÁ

12ª RODADA - FIGUEIRENSE 0 X 2 CEARÁ

13ª RODADA - CEARÁ 0 X 2 INTERNACIONAL

14ª RODADA - CEARÁ 2 X 0 JUVENTUDE

15ª RODADA - GUARANI 2 X 2 CEARÁ

16ª RODADA - CEARÁ 0 X 1 GOIÁS

17ª RODADA - PAYSANDU 1 X 2 CEARÁ

18ª RODADA - CEARÁ 3 X 1 CRICIÚMA

19ª RODADA - ABC 0 X 1 CEARÁ

20ª RODADA - CEARÁ 1 X 0 CRB

21ª RODADA - BOA ESPORTE 4 X 1 CEARÁ

22ª RODADA - CEARÁ 1 X 0 NÁUTICO

23ª RODADA - LONDRINA 3 X 2 CEARÁ

24ª RODADA - CEARÁ 1 X 1 AMÉRICA-MG

25ª RODADA - CEARÁ 2 X 1 BRASIL DE PELOTAS

26ª RODADA - Santa Cruz 0 x 0 Ceará

27ª RODADA - Luverdense 0 x 1 Ceará

28ª RODADA - Ceará 2 x 0 Vila Nova

29ª RODADA - Oeste 0 x 1 Ceará

30ª RODADA - Ceará 1 x 0 Paraná

31ª RODADA - Ceará 2 x 2 Figueirense

32ª RODADA - Internacional 0 x 1 Ceará

33ª RODADA - Juventude 1 x 0 Ceará

34ª RODADA - Ceará 2 x 2 Guarani

35ª RODADA - Goiás 0 x 0 Ceará

36ª RODADA - Ceará 2 x 0 Paysandu

Marcelo Chamusca: o comandante alvinegro

Equipe vivia oscilação antes da chegada de Chamusca. Técnico conseguiu dar padrão de jogo e fazer o elenco engrenar na competição

Por Brenno Rebouças

Marcelo Chamusca (Foto: Julio Caesar/O POVO)
 

Na 8ª rodada da Série B, enquanto Givanildo Oliveira caía do comando do Ceará, Marcelo Chamusca entregava o cargo de treinador na Curuzu após uma sequência de quatro jogos sem vitórias, que havia feito o Paysandu cair da liderança para a 10ª colocação da Série B. O acerto com o Vovô foi rápido e três dias depois ele chegava a Porangabuçu.

Acompanhou o empate por 1 a 1 entre Vila Nova e Ceará, na 9ª rodada, pela televisão e quatro dias depois estreava no comando do Alvinegro, diante do Oeste, no Presidente Vargas, aplicando 3 a 0 sobre o adversário. O começo da campanha de Chamusca no Ceará foi irregular, mas depois ele conseguiu dar um padrão de jogo ao time, encaixou uma formação e com a ajuda de alguns reforços, como o atacante Lima, o Vovô entrou pela primeira vez no G-4 ainda antes da virada do turno.

Após seis rodadas na zona de classificação o Ceará tropeçou em algumas partidas e deixou o G-4, mas não se afastou muito dos quatro primeiros, o que foi essencial para retornar após mais quatro rodadas. Diante do Vila Nova, abrindo uma sequência de confrontos diretos, na qual venceu todas as partidas, o Alvinegro retornou à zona de classificação e não saiu mais. Na reta final da Série B, incomodou até o Internacional, na luta pelo título do certame.

A maneira de encarar as partidas, montando uma estratégia específica para cada adversário, foi fundamental para o sucesso do Ceará na Série B. Bem como o controle emocional proposto por Chamusca, que pedia pensamento sempre apenas no jogo seguinte. Por diversas vezes, o treinador declarou que não fazia projeções para jogo do acesso.

E por falar em acesso, esse foi o terceiro da carreira do treinador, que já havia levado o Salgueiro da Série D pra Série C e o Guarani-SP da Série C para a Série B. Agora, com o Ceará, completa a lista, com um acesso da Série B para a Série A.

Ainda considerado emergente, mas chamando a atenção de grandes clubes, agora, Marcelo Chamusca tem dois títulos estaduais (um no Pará e outro no Ceará, pelo Fortaleza).

VÍDEO

João Marcos: ídolo alvinegro se consagra com segundo acesso

Conquista do Ceará passa por força do coletivo; confira os protagonistas

Por Lucas Mota

Uma das principais virtudes do Ceará na competição foi montar um elenco forte e nivelado, sem depender de um único jogador para desequilibrar partidas. A cada rodada surgia um novo protagonista, mostrando o equilíbrio do grupo. Quando vinha um resultado negativo, o time se mantinha focado para a próxima batalha. O mesmo foco era mantido com os triunfos, sem que a equipe se deslumbrasse ao longo do campeonato.

Marcelo Chamusca utilizou várias formações durante a Segundona. Ora por suspensões, ora por opção técnica. O treinador conseguiu manter em aberto a titularidade da equipe, mostrando que ninguém tinha lugar cativo. No time de Chamusca, entraria quem estivesse em melhor momento. O resultado da filosofia implantada pelo comandante alvinegro foi uma equipe regular e forte no coletivo, que pouco oscilava entre as rodadas.

"O mais importante é a união do grupo. A gente sempre fala muito nisso aqui. É fundamental ter um grupo em que todo mundo reme pro mesmo lado. Podemos não ser amigos íntimos, mas, dentro de campo, tem que estar todo mundo comprometido e se ajudando, e nós temos isso aqui. Além disso, não temos nenhuma estrela. A nossa força é o coletivo, é isso que tem feito a diferença", resumiu o meia Pedro Ken sobre o diferencial da equipe.

O Ceará não teve um, mas vários protagonistas na conquista do acesso. Confira os principais nomes.

Paredão

Um dos líderes do elenco e destaque defensivo do Alvinegro na temporada, o goleiro Éverson fechou o gol do Ceará. O "paredão" salvou a equipe em diversos momentos na competição, com defesaças ao melhor estilo "milagre". Mantendo o alto nível em toda a competição, o guarda-metas só não atuou em uma partida, por suspensão do terceiro cartão amarelo.

Éverson fechou o gol do Ceará na temporada (Foto: Mateus Dantas/O POVO)
 

Na única ausência de Éverson no campeonato, o reserva imediato, Fernando Henrique, deu conta do recado. O "goleiro-espetáculo" fez jus ao apelido na sua contribuição na Segundona diante do Paraná, em confronto direto na briga pelo G-4, no Castelão. O Ceará vencia o Tricolor da Vila por 1 a 0, quando aos 42 minutos do segundo tempo, o atacante Feijão teve a chance de empatar, mas FH, numa defesa plástica, garantiu a manutenção do resultado.

Xerifes

Na zaga, o Ceará esteve bem representado com Rafael Pereira e Luiz Otávio. Apesar de algumas falhas durante a campanha, o setor mais acertou do que errou. A dupla titular deu conta do recado e passou segurança ao goleiro Éverson. O reserva imediato, Tiago Alves, merece destaque também. Quando entrou, o zagueiro manteve o equilíbrio do substituído.

Rafael Pereira e Luiz Otávio formaram a dupla titular do Ceará (Foto: Tatiana Fortes/O POVO)
 

Lateral com passe refinado

O lateral esquerdo Romário virou titular absoluto com a chegada de Chamusca. O jogador mostrou qualidade para atacar e eficiência para desarmar. Com a bola nos pés, o camisa 6 se tornou o líder de assistências do clube na temporada.

Romário manteve a regularidade até o fim do campeonato (Foto: Julio Caesar/O POVO)
 

Coringa e cobrador de faltas com qualidade

Vai ser difícil o torcedor esquecer o confronto diante do Figueirense, na 31ª rodada, no Castelão. O Ceará perdia por 2 a 1, quando aos 49 minutos do segundo tempo Pio acertou uma falta de longe para o fundo das redes. A torcida foi ao delírio.

Contra o Figueirense, Pio teve seu grande momento na competição. Com chute calibrado, o jogador se destacou nas cobranças de falta. Na temporada, o atleta foi o coringa de Chamusca, atuando no meio e na lateral direita.

Pio comemorou muito o gol de falta contra o Figueirense, no fim da partida (Foto: Julio Caesar/O POVO)
 

Quarteto do meio

Na campanha do acesso em 2009, o Ceará formou um meio-campo com a base formada pelo "trio de ferro", como ficou conhecido, além do armador Geraldo. A trinca era composta por João Marcos, Heleno e Michel. Na jornada em 2017, o time atua com três atletas no meio, mas possui quatro protagonistas no setor: Raul, Richardson, Ricardinho e Pedro Ken.

Na formação de Chamusca, a equipe tem um trio titular com mais criatividade do que em 2009, priorizando a posse de bola e a troca de passes. Pedro Ken, pode-se dizer, foi o único titular absoluto do setor. Raul, Ricardinho e Richardson se revezavam na escolha do treinador para mais duas posições. O quarteto foi fundamental na campanha e tem espaço privilegiado na lista de protagonistas do acesso.

Pedro Ken dominou o meio de campo do Ceará (Foto: Mateus Dantas/O POVO)
 

Velocistas

As chegadas de Lima e Leandro Carvalho ao Ceará deram mais qualidade no setor ofensivo. Os dois estrearam em agosto e, pouco tempo depois, assumiram a titularidade na equipe, atuando pelas pontas.

Antes da dupla, o Vovô tinha dificuldade no setor com Lelê e Cafu. Nenhum dos dois conseguiu emplacar no time titular. Lima, que veio por empréstimo do Grêmio, convenceu com um futebol habilidoso e criativo. Já Leandro foi emprestado pelo Paysandu e desequilibrou as zagas adversárias com sua velocidade.

Leandro Carvalho e Lima formaram a dupla de pontas titular do Ceará (Foto: Mateus Dantas/O POVO)
 

Artilheiro

Élton foi contratado para jogar a Série B. O atacante começou mal a competição e passou a ser visto com desconfiança pela torcida. Mesmo sem anotar gols, ele ganhou um voto de confiança de Marcelo Chamusca. O atleta só foi balançar as redes na 23ª rodada, desencantando com dois gols. O centroavante marcou mais seis tentos e virou artilheiro da equipe na Segundona.

No mesmo setor, o Ceará também ganhou uma revelação no torneio. Com 19 anos, o centroavante Arthur fez sombra para Élton na competição e chegou a ser artilheiro da equipe com quatro gols.

Élton foi a referência do ataque alvinegro na temporada (Foto: Julio Caesar/O POVO)
 

Experiente e decisivo

Assim como Sérgio Alves em 2009, Magno Alves foi importante na campanha em 2017, aliando experiência e faro de gol. Aos 41 anos, o Magnata subiu de produção na reta final do campeonato, ganhou mais chances e fez dois gols valiosos contra o Vila Nova e o Guarani, ambos no Castelão, ressaltando sua condição de ídolo da torcida do Ceará.

Magnata ressaltou condição de ídolo na temporada (Foto: Julio Caesar/O POVO)
 

A força da torcida alvinegra; veja os números

O torcedor do Ceará apoiou, gritou e compareceu tanto no estádio, quanto no aeroporto. A força das arquibancadas deu um fôlego a mais ao elenco

Torcida fez o seu papel de apoiar o time (Foto: Julio Caesar/O POVO)
 

Se dentro de campo o time correspondeu, fora das quatro linhas a torcida fez o seu papel. O torcedor do Ceará apoiou, gritou e compareceu tanto no estádio, quanto no aeroporto. A força das arquibancadas deu um fôlego a mais na longa caminhada do Vovô.

"A torcida é nosso combustível, o que alimenta o clube. Pra gente que está vestindo a camisa é importante jogar com estádio cheio, com o torcedor do nosso lado. Cada vez que o torcedor inflamar o estádio, joga o adversário pra trás. É o nosso 12° jogador para nos empurrar para mais uma vitória", exaltou Richardson a torcida do Alvinegro de Porangabuçu.

"Olha, é a primeira vez que vejo isso"

Rafael Carioca

O lateral esquerdo Rafael Carioca se espantou com a recepção calorosa da torcida ao time no Aeroporto Internacional Pinto Martins, no retorno à Capital após vencer o Oeste fora de casa, na 29ª rodada. Na ocasião, centenas de torcedores lotaram o saguão do local.

"Olha, é a primeira vez que vejo isso. Vim do Paraná Clube (para o Ceará). Foram quatro anos brigando pelo lado oposto e agora pelo início da tabela. Isso é muito bom", disse o jogador.

É só verificar os números para constatar a presença do torcedor na jornada do Ceará na Série B. O Alvinegro de Porangabuçu possui os maiores públicos pagantes do campeonato. Em 1º lugar no ranking, está o confronto entre Ceará e Paysandu, no Castelão, com 45.197 pessoas. Na segunda posição está o duelo entre o Vovô e o Londrina, no Castelão, ainda na 4ª rodada da competição, com 41.111 torcedores presentes.

A torcida ajudou o clube não só na motivação aos jogadores, mas também na arrecadação. Com a presença do torcedor no estádio, o Ceará conseguiu alcançar a segunda maior renda bruta acumulada durante a competição entre os participantes da Segundona, com R$ 5.299.718. O Alvinegro se consolidou no posto atual na 13ª rodada e não saiu mais. O Internacional lidera este quesito com renda líquida de R$ 9.675.144.

Torcida lotou saguão do Aeroporto Internacional Pinto Martins (Foto: Mauri Melo/O POVO)
 

Relembre entrevista com Pedro Ken: meia conseguiu 5° acesso da carreira no Ceará

Por André Almeida

Pedro Ken foi titular absoluto do Ceará comandado por Marcelo Chamusca, na campanha do time na Série B 2017 (Foto: Mateus Dantas)

Entrevista com Pedro Ken foi publicada no jornal O POVO, na edição do dia 26 de outubro

Em março, quando aceitou a proposta do Ceará e decidiu encerrar o difícil período de dois anos jogando pelo Terek Grozny, da Rússia, Pedro Ken sabia que seria uma ótima oportunidade para retomar a carreira no Brasil. Principalmente porque sabia que poderia — e está próximo de — atingir um feito marcante: conseguir o seu 5º acesso da Série B para a Série A do Campeonato Brasileiro.

O meia disputou a Segundona quatro vezes, por Coritiba (2007), Vitória (2012 e 2015) e Vasco (2014). Em todas, conseguiu a subida de divisão. Aos 30 anos, o curitibano de fala mansa, embora seja um dos atletas mais experientes do grupo, é daqueles que foge da badalação. Nas horas vagas, gosta de ir à praia, assistir a filmes e séries. Fã de Game of Thrones e Breaking Bad, Ken faz o tipo “jogador-operário”, que se sacrifica pelo time. Por isso ganhou a titularidade na equipe de Marcelo Chamusca, admite.

Ao O POVO, o atleta, que chegou a cursar dois semestres de Educação Física em Curitiba e precisou trancar a matrícula por causa do futebol, falou sobre a expectativa de conquistar mais um acesso, seu papel dentro de campo e o diferencial do elenco do Ceará.

O POVO - Você está em sua quinta disputa da Série B, e perto de mais um acesso. A que se deve esse desempenho?

Pedro Ken - Acho que é uma mistura de sorte com competência (risos). Trabalhei muito e tive momentos bons nos clubes que passei, todos de massa, e neste ano, se der tudo certo, com mais uma grande equipe, que é o Ceará, espero completar uma mão cheia de acessos. Vai ser bom demais.

O POVO - Em que a experiência adquirida na Série B ajuda agora?

Pedro Ken - Bastante coisa. Tenho uma certa liderança no grupo, não só pela experiência dos acessos, mas por ser um dos atletas que tem mais rodagem. Precisamos ter equilíbrio em momentos de dificuldade e até quando estivermos bem, para não deixar a empolgação tirar o rumo. É esse tipo de coisa que procuro passar. Além de ajudar dentro de campo, auxiliando na parte tática também. Tudo que já vivi me ajuda nisso.

O POVO - Qual o diferencial do elenco do Ceará?

Pedro Ken - O mais importante é a união do grupo. A gente sempre fala muito nisso aqui. É fundamental ter um grupo em que todo mundo reme pro mesmo lado. Podemos não ser amigos íntimos, mas, dentro de campo, tem que estar todo mundo comprometido e se ajudando, e nós temos isso aqui. Além disso, não temos nenhuma estrela. A nossa força é o coletivo, é isso que tem feito a diferença.

O POVO - Em qual posição prefere de jogar?

Pedro Ken - Jogo muito como volante e meia, mas não tenho posição preferida. Sempre mudei muito de posição, até durante os jogos. Acho que, independente de onde esteja jogando, o importante é cumprir a minha função. Às vezes as pessoas só veem quem está fazendo gol, e não entendem que existe todo um mecanismo pra que aquilo funcione. Por exemplo, um cara que hoje é muito importante pra gente é o Romário, líder de assistências do time. E a minha função é fazer a cobertura pra que ele possa atacar, e acabo não aparecendo tanto pra torcida. É importante que as pessoas comecem a valorizar também o jogo sem a bola, que às vezes é mais importante estar sem a bola que com ela.

O POVO - Que parcela tem Chamusca na atual campanha?

Pedro Ken - Total. É só ver o crescimento que a gente teve a partir do momento que ele chegou, com todo mundo dentro e fora de campo muito comprometido. É um estudioso do futebol, se dá bem com o grupo, sabe levar bem as situações e é um líder fundamental pra gente.

O POVO - Como você se tornou homem de confiança dele?

Pedro Ken - Posso não ser um cara que vai “acabar com o jogo”, como se diz, mas também não vou estar horrível. É muito difícil. Mantenho sempre uma regularidade, e isso é importante pro treinador, porque ele sabe que pode contar. Às vezes não apareço tanto para quem vê de fora, mas sei da minha importância para o time, como um ponto de equilíbrio. Ele me deu essa confiança e tenho correspondido.

O POVO - Os jogadores fazem as contas para o acesso?

Pedro Ken - A gente conversa sobre o cenário, os outros times, para saber como estão, mas pensamos na gente e jogo a jogo, sem projeções. Pensamos sempre no próximo adversário.

VÍDEO
Na ocasião, o meia Pedro Ken falou ainda sobre a postura que o Vovô deveria ter contra o Internacional, no duelo válido pela 32ª rodada da Série B. O Alvinegro bateu o Colorado por 1 a 0 em pleno Beira-Rio, em Porto Alegre.

 

Relembre o acesso do Ceará em 2009

Por Lucas Mota

Geraldo, líder do time na campanha do acesso em 2009, agradece apoio do torcedor no jogo que garantiu a subida do Alvinegro, diante da Ponte Preta, em Campinas (Foto: Marcos Camos, em 21/11/2009)
 

Após 16 anos longe da Primeira Divisão, o Ceará conseguiu retornar à Série A em 2009. O time garantiu a 3ª posição na competição e ainda viu o maior rival, o Fortaleza, ser rebaixado para a Série C.

O Alvinegro iniciou a Segundona com duas derrotas e um empate. A diretoria demitiu o técnico Zé Teodoro e contratou PC Gusmão, que estreou na 4ª rodada e levou a equipe até o acesso. O treinador conseguiu formar um time obediente taticamente e com padrão de jogo.

O Ceará de Gusmão se destacou por ser forte defensivamente e eficiente nos contra-ataques. O técnico comandou uma arrancada impressionante, tirando o time da lanterna para terminar a temporada no top 3. O Alvinegro conseguiu uma série invicta de 11 jogos.

O time de 2009, Geraldo foi o líder e destaque ofensivo. O G10 terminou como o artilheiro do Alvinegro, com 13 gols. Com fortes características defensivas, a formação de PC Gusmão buscava a marcação intensiva no meio-campo com o "trio de ferro": Heleno, João Marcos e Michel. A zaga era comandada pelo xerife Fabrício, que atuava ao de Erivelton. Nas alas, Boiadeiro e Fábio Vidal eram os titulares absolutos.

"Chegamos à lanterna, mas a recuperação foi incrível. Esses jogadores são heróis"

Técnico PC Gusmão

No ataque, o ídolo Mota reforçou a equipe a partir da 19ª rodada da Segundona e foi fundamental na reta final. Preto, que foi titular em mais metade do campeonato, foi o vice-artilheiro. O time ainda tinha Wellington Amorim, Misael e o também ídolo Sérgio Alves.

Entre as vitórias marcantes da campanha, destaque para o duelo diante do Vasco, no Maracanã. O Vovô surpreendeu e venceu os Cruzmaltino por 2 a 0, com gols de Wellington Amorim e Mota. O Alvinegro também conseguiu sair invicto da competição nos confrontos contra o principal rival, com empate por 0 a 0 no 1º turno e vitória por 1 a 0 no 2º turno, gol de Mota.

O jogo do acesso veio na penúltima rodada diante da Ponte Preta, no estádio Moisés Lucarelli, em Campinas. O Alvinegro superou o adversário por 2 a 1. Os gols a favor do Vovô foram de Renan, este contra, e Fabrício.

"Os jogadores merecem, chegamos à lanterna, mas a recuperação foi incrível. Esses jogadores são heróis", disse o técnico PC Gusmão após o acesso naquele ano.

Jogadores fazem a festa após a partida (Foto: Marcos Camos, em 21/11/2009)
 

De 2012 a 2016: confira as tentativas de acesso do Ceará

Neste período, a equipe chegou perto por duas vezes, fez campanhas de meio de tabela e brigou uma vez para se salvar do rebaixamento

Por Lucas Mota

O Ceará precisou de seis anos para retornar à Série A. Após o acesso em 2009, o Alvinegro de Porangabuçu caiu dois anos depois, começando uma nova jornada rumo à Primeira Divisão. Neste período, a equipe chegou perto por duas vezes, fez campanhas de meio de tabela e brigou uma vez contra o rebaixamento.

Em 2012, Mota foi uma das referências do time (Foto: Fabio Lima/O POVO)
 

No ano de 2012, o Ceará voltava a jogar a Série B como um dos favoritos em retornar à divisão acima. Do elenco do ano anterior, o Vovô perdera peças importantes, como o volante e ídolo Michel, o lateral Boidadeiro, o atacante Marcelo Nicácio e o zagueiro Fabrício. Foram várias contratações, mas poucas vingaram no clube. Entre os jogadores que disputaram aquela temporada pelo Alvinegro, estão Apodi, Mota, Ederson, Itamar e Magno Alves. A equipe terminou na 11ª posição, com 47 pontos.

Rogerinho em ação pelo Ceará em 2013 (Foto: Fábio Lima/O POVO)
 

O torcedor do Ceará ficou com o grito de comemoração do acesso engasgado até a última rodada, em 2013, terminando a participação do time com sentimento de frustração. O Alvinegro manteve jogadores como Mota e Magno Alves no elenco, trazendo reforços como Lulinha, Rogerinho, Thiago Humberto, Ricardinho e Leo Gamalho. A equipe se destacou na competição e ficou a uma vitória de garantir a subida. No último jogo do campeonato, o Vovô precisava vencer o Joinville e torcer por uma combinação de resultados, que acabou ocorrendo, mas a vitória diante do rival não veio. O clube terminou em 7º, com 59 pontos.

Na temporada de 2014, ano do centenário, o Vovô começou com tudo e abriu ótima vantagem no primeiro turno, terminando na liderança. Mas veio a pausa da Copa do Mundo do Brasil, e na retomada da Série B, o Ceará não conseguiu manter o desempenho, chegando na reta final da competição com poucas chances de acesso. A equipe terminou em 8º, com 57 pontos. Elenco contava como jogadores como Nikão, Souza, Felipe Amorim, Ricardinho, Bill e Magno Alves, que foi o artilheiro da Segundona.

Ceará começou 2015 com o título da Copa do Nordeste (Foto: Fábio Lima/O POVO)
 

O ano de 2015 começou com a alegria do título da Copa do Nordeste, mas terminou em sufoco. O Ceará lutou para não cair naquela temporada da Série B. O time só se salvou da degola na última rodada, em duelo contra o Macaé, quando o Alvinegro venceu por 1 a 0, gol de Rafael Costa. O Vovô encerrou a participação no campeonato em 15º, com 45 pontos. O técnico Lisca saiu como herói na arrancada da equipe contra o rebaixamento. O elenco contava com jogadores que conquistaram o acesso em 2017, como Ricardinho, João Marcos, Tiago Cametá e Éverson, além do próprio Rafael Costa.

Em 2016, o Ceará fez uma campanha mediana, terminando em 10º na competição, com 54 pontos. Na 36ª rodada do torneio, o time foi derrotado pelo Vila Nova por 3 a 2, encerrando qualquer possibilidade de acesso. Participação na Segundona foi marcada por oscilação da equipe. Dos remanescentes do grupo daquela temporada que conquistaram o acesso, estavam Éverson, Cametá, Richardson, Felipe Menezes, Lelê, Ricardinho e Raul.

Ceará em imagens na campanha do acesso