O futuro de profissões e de profissionais

Tendências em capacitação, oportunidades no mercado de trabalho, novas teorias do mundo conectado e a necessidade evidente de autoconhecimento dos profissionais estão por toda parte na estreia da Carreiras S/A. A marca nasce navegando por novas visões de empresas e de colaboradores e, ainda, relembrando máximas que o tempo não derrubou, como o valor de ser proativo e de não delegar a própria carreira a ninguém e a nenhuma instituição. Veja a seguir as principais matérias sobre a revista Carreiras S/A, produção do LAB 282 do Grupo de Comunicação O POVO, e a publicação na íntegra.

O profissional dos sonhos para as empresas

Dominar línguas estrangeiras, conhecimentos tecnológicos, capacidade de liderança, determinação e espírito de equipe estão entre as características elencadas por companhias na hora de contratar

Por Paulo Emanuel Lopes

A busca por colocação profissional é um desafio para os indivíduos, assim como o preenchimento de cargos e funções pelas organizações que buscam perfis de profissionais dos sonhos. O profissional ideal vai variar de acordo com a área de atuação da empresa, mas é possível elencar habilidades que são quase unanimidade entre especialistas, a exemplo da capacidade de liderança, boa comunicação e relacionamento interpessoal.

“Ser um profissional preparado, que sabe fazer acontecer e tem iniciativa, não é tudo. É importante aderir à cultura da empresa, possuir um bom espírito de equipe, brilho no olho, inteligência emocional e identificação com os valores organizacionais. Aqui na Advance, nós focamos em um critério de avaliação profissional conhecido como CHA: conhecimentos, habilidades e atitudes, que nos permite ter uma visão mais ampla do candidato”, resume Eliziane Colares, diretora de planejamento na Advance Comunicação, uma das maiores empresas de publicidade do Ceará, agraciada por três anos consecutivos com o prêmio Delmiro Gouveia na categoria Melhores em Desempenho Social (faturamento até R$ 90 milhões). A executiva explica que, mais importante que encontrar o perfil ideal, é investir nas potencialidades já existentes na empresa.

“É difícil encontrar o profissional que atenda a todos os requisitos do cargo. Então, buscamos contratar pessoas com potencial para lapidá-las, dando feedbacks e investindo no seu desenvolvimento.” Por suas características mercadológicas, as empresas publicitárias têm o desafio de encontrar profissionais que tenham um senso de criatividade aguçado. Neste sentido, preencher uma vaga de diretor de arte seria o ápice dessa procura, aponta Eliziane. “Levamos em consideração estilos de pensar e criar, formas de utilização e composição de cores, de fontes, imagens, habilidades na utilização de ferramentas específicas, entre outros. Além da análise específica, esse cargo também requer a condução de todas as etapas inerentes à avaliação comportamental, por meio da aplicação de vivências de grupos alinhadas ao contexto da organização, testes psicológicos, estudos de casos, ferramentas específicas e entrevistas.”

Para Selma Moreira, coordenadora de Recursos Humanos do Beach Park e responsável pelos processos seletivos do parque aquático, os principais desafios na hora de buscar um profissional repousam em questões subjetivas ligadas ao desenvolvimento humano. “O profissional dos sonhos para nossa empresa é aquele que é otimista, encara os desafios com simplicidade e determinação. Aquele que acredita na oportunidade de fazer diferente e que esteja sempre insatisfeito, no sentido de não acomodação. Os próprios gestores são orientados nessas premissas de como o líder deve transmitir otimismo, confiança, ter uma satisfação [com a vida].”

Ela, no entanto, não deixa de citar dificuldades específicas em se tratando de uma empresa voltada, boa parte, ao turismo internacional. “No semestre passado, nossa maior dificuldade foi com a demanda que temos dos [novos] voos internacionais. Estamos exigindo que se tenha uma segunda língua para vagas mais simples como operador de caixa e recepcionista. Por incrível que pareça, estamos em um estado turístico, porém temos grandes dificuldades de encontrar pessoas bilíngues.”

Visão dos recrutadores
Sara Procópio é gerente de Recursos Humanos da Cirvaiha, empresa de recrutamento e desenvolvimento de pessoas com atuação em Fortaleza. Por seu ponto de vista, o profissional dos sonhos é aquele que “considera a empresa em que trabalha também dos sonhos”. “Quando colaborador e empresa sonham juntos, a parceria é natural e os dois crescem em conjunto, o processo é de mão dupla. O profissional quando está satisfeito com seu trabalho empenha-se para oferecer o seu melhor. É importante que haja respeito por ambas as partes.”

Em termos de habilidades observadas pelas empresas na hora de buscar um colaborador no mercado de trabalho, Sara destaca a liderança. Segundo a gerente, essa é uma característica que deveria ser buscada com afinco pelos profissionais. “Liderança é uma habilidade que já nasce com algumas pessoas, mas isso não impede que outras a desenvolvam. A prática não necessariamente precisa ser dentro da empresa. Às vezes, é possível aproveitar momentos de reunião em família, grupos de igreja, viagem com amigos e até nos trabalhos em grupo da faculdade [para desenvolver postura de líder]. Investir em cursos na área também importante.”

Para Valéria Mota, gerente-executiva de seleção na Mrh Gestão de Pessoas e Serviços, empresa cuja atuação abrange boa parte do Nordeste, o perfil de profissional dos sonhos varia muito de acordo com o segmento de atuação e o cargo. “Mas em termos gerais, podemos dividir [as características] em competências técnicas, ou seja, formação acadêmica consistente, fluência em inglês e vivência profissional em empresas de referência; e competências comportamentais, que são capacidade de trabalho em grupo, visão estratégica e sistêmica, foco em resultados e liderança positiva.”

Atributos profissionais do mundo contemporâneo
Professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e vice-presidente do Centro de Treinamento e Desenvolvimento (Cetrede), Miguel Araújo explica que há um perfil desejável de profissional. "Primeiro, uma boa e completa formação cadêmico-profissional, seja ela de nível médio profissionalizante ou de nível superior. Entrar numa boa instituição de ensino é o primeiro passo para se tornar o profissional ‘dos sonhos’. Além disso, a formação continuada garante a atualização e o conhecimento necessários para a manutenção desse padrão profissional em um mundo mutante, altamente tecnológico, conectado, exigente e de constante inovação e criatividade. Com espírito empreendedor, devem se interessar por novas culturas e encarar a dura rotina que a vida profissional exige, sem passar por cima de outras pessoas e sem perder os seus valores, mantendo sempre a ética e a integridade", opina Araújo, que tem PhD pela Universidade de Oxford (Inglaterra).

Ainda em relação à formação, ele defende que conhecimentos em tecnologia não podem ser deixados de lado. “Vivemos na era da informação. Para que um profissional tenha um desempenho a contento, é essencial uma formação que proporcione também conhecimentos atualizados na área tecnológica. As Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) têm sido utilizadas das mais diversas formas: na indústria, no comércio, no setor de investimentos, na educação e em outros. Criações como e-mail, chat, fóruns, agenda de grupo online, comunidades virtuais revolucionaram os relacionamentos humanos. Por meio do trabalho colaborativo, profissionais distantes geograficamente trabalham em equipe. O intercâmbio de informações possibilita a geração de novos conhecimentos, competências, e criam um novo cenário que exige mudanças no perfil dos profissionais.”

O desenvolvimento da liderança, característica intrínseca a esse tipo de profissional, pode ser obtido por meio da prática de um serviço voluntário, sugere o professor. “Num ambiente de trabalho voluntário, gestores e funcionários atuam lado a lado, muitas vezes até com inversão de papéis, o que acaba aproximando-os e permitindo uma nova visão sobre eles próprios. Nas atividades de voluntariado, não existe o temor da perda do emprego. Os colaboradores estão ali por um propósito muito maior e os que se propõem a liderar as equipes de colaboradores têm que se conscientizar de que estão em um ambiente de trabalho diferente, mais igualitário. Nesse tipo de ambiente, o líder tem que se importar e ouvir os pares, servir e dar o exemplo, e argumentar de forma bastante eficaz para motivá-los. Assim, pode-se dizer que as atividades de voluntariado, além de realizar o seu objetivo principal, que é o de transformar para melhor a realidade de pessoas e comunidades, garantem benefícios para as empresas, que passam a contar com pessoas mais engajadas e integradas em suas equipes.”

O peso da tecnologia
Em um mundo dominado por processos digitais, cujos rápidos avanços reuniram nas organizações perfis muito diferentes de gerações, um bom relacionamento com a tecnologia é outro ponto que merece ser citado, aponta Valéria da Mrh. “Acredito muito numa realidade de inclusão onde as diferenças de idade complementam-se, pois cada geração traz suas características próprias, com vantagens e desvantagens, e que juntas podem trazer muitos ganhos à organização. A tecnologia vem assumindo um grande número de atividades operacionais, o que passa a exigir das pessoas um perfil focado na criatividade, inovação, estratégias, análises e planejamento. O arrojo, a rapidez de pensamento e a impaciência dos jovens, somados à maturidade, segurança e experiência dos mais velhos, contam muito no resultado geral do trabalho.”

Além dos impactos ao perfil dos funcionários, a tecnologia também vem alterando a forma de buscar profissionais. A Advance, por exemplo, mantém um banco de currículos próprio, alimentado via internet pelos interessados em participar de seleções. A plataforma starhunters.advance.com.br permite ao candidato inserir informações pessoais, anexar currículo, portfólio de trabalhos, detalhar sua trajetória profissional, além de aplicar testes de conhecimentos específicos. Trata-se de um banco de talentos organizado por funções e áreas de interesse dos profissionais.O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Ceará (Senac/CE) mantém uma estrutura parecida. Chamado Banco de Oportunidades, o setor disponibiliza via internet currículos de ex-alunos que passaram pelos cursos do Senac. “Através do site, as empresas repassam o perfil que estão demandando e nós fazemos a triagem com ex-alunos que tenham formação compatível com a vaga”, explica Alcilane Mota, coordenadora estadual do Banco de Oportunidades. Só neste ano, cerca de três mil alunos foram encaminhados para entrevistas, concorrendo a cerca de 1.200 vagas ofertadas pelo Banco no período.

A hora certa de recomeçar

O desejo de explorar paixões e anseios provocou verdadeiras revoluções na vida de Albertino Araújo, Kel Oliveira e Cleidson Diniz. Mesmo com dificuldades, eles se reinventaram e encontraram novos rumos a partir do que amam

Por Hamlet Oliveira

Trajetórias diferentes, mas que levaram a um mesmo destino: a requalificação profissional em prol de fazer o que se ama. Albertino Araújo passou por um baque financeiro até conseguir consolidar a escola de culinária L’École Brasil; Cleidson Diniz percebeu que o trabalho em escritório estava prejudicando sua saúde e resolveu apostar no mercado de dança; e Kel Oliveira, já bem posicionada  como assistente de diretoria regional do Pão de Açúcar, resolveu recomeçar do zero com a faculdade de Design de Interiores e com a paixão pela fotografia.  

Mesmo com o objetivo de encontrarem satisfação em uma nova carreira, os passos dados nas histórias a seguir também levaram em consideração lacunas no mercado fortalezense, além de capacitação em diferentes áreas.   

Paixão pela cozinha   
Com formação pela Le Cordon Bleu de Madri, uma das instituições de gastronomia com maior renome no mundo, o chef Albertino Araújo, 51, não sabe definir uma especialidade. “Cozinhar!”, diz. Antes de aprender sobre cortes especiais, cozimentos, confeitaria e outras habilidades culinárias, o pernambucano passou 31 anos atuando em áreas ligadas à informática. Mesmo com o nome reconhecido no Nordeste, a paixão pela cozinha, nutrida desde os 18 anos, o convenceu a passar os próximos anos dedicados apenas ao que ama.  

Dessa forma, o objetivo era claro: largar a área tecnológica, a faculdade de Publicidade, abrir um negócio e começar uma formação na Le Cordon Bleu no ano de 2015, em Madri, na Espanha. O processo, porém, foi interrompido por um problema de confiança. Após montar a L'École, a gestão ficou a cargo de sócios de Albertino. Durante o período que estava estudando, a má organização dos responsáveis gerou um prejuízo financeiro forte para o chef, forçando-o a voltar para o Brasil e tomar de conta da organização da escola. “O resultado foi que tive um prejuízo financeiro brutal. Mas isso é só dinheiro. Trabalha de novo e recupera."  

Profissionalização  
O foco da L'École Brasil é proporcionar ao aluno uma capacitação no mesmo nível que Albertino recebeu durante o período na Le Cordon Bleu. Em Madri, o chef fez os três níveis de aprendizado: básico, intermediário e superior, assim como a formação em patisserie. O resultado foi a obtenção do Le Grand Diplôme, a formação superior da escola. “Temos trabalhado muito para transmitir isso através dos cursos. Hoje, sou professor da cadeira de cozinha francesa na Unichristus. E a nossa paixão é essa, transmitir conhecimento de culinária tanto para quem já tem alguma formação quanto para quem é completamente leigo.”   

“Eu sempre liderei minhas equipes. Gosto muito de estudar, leio sempre em média três livros ao mesmo tempo. Eu aprendi com minha mãe que a gente não guarda o que é bom. Desde que montamos a L'École, é fantástico esse contato com o aluno. Ver a pessoa não saber pegar na faca e com seis dias ela estar cozinhando, fazendo um filé melhor que a maioria dos restaurantes que você vê por aí. É gratificante.”  

Na L'École, os cursos disponíveis variam entre os de curta duração, de dois a seis dias, indo até formações de 13 semanas, que funcionam nos moldes de uma pós-graduação, fala Albertino.  

Cada curso é modulado de acordo com uma especialidade, como cozinha italiana, tailandesa, produção de pizzas, hambúrgueres e outros. “Ensinamos a técnica de como a gente prepara a carne corretamente, a limpeza dela, emulsionar a carne, tudo mais. O curso de iniciantes é o mais concorrido, que é pra leigos e pra quem já é da cozinha, mas que não tem uma formação técnica.”  

Para seguir na perspectiva de construir um planejamento, o próximo passo de Albertino Araújo é, além de consolidar ainda mais a L'École como referência no ensino gastronômico de Fortaleza, expandir para a abertura de franquias em outros estados do Brasil. A partir disso, pretende voltar a Madri e abrir seu bistrô lá. Para quem deseja se inspirar e tomar a decisão de mudar de carreira, o chef explica que é fundamental estudar e procurar uma área para qual tenha vocação. Além de realizar um planejamento sobre quais serão as etapas a serem seguidas.   

Variedade em tons de cinza 
Permanecer em um mesmo cenário não é uma opção para Kel Oliveira, 44. Designer de interiores, fotógrafa e artista plástica, a dona do Studio K passou anos dedicada ao trabalho de secretária-executiva até resolver dar uma grande virada. 

Kel conta que começou a trabalhar aos 17 anos. No início dos anos 1990, a informática se popularizava cada vez mais nas empresas, mas faltavam pessoas capacitadas para alguns cargos. Formada em Administração Financeira pela Faculdade Marista, o local no qual Kel trabalhava resolveu tirá-la da função de recepcionista para secretária de diretoria, aproveitando sua formação. “Em nenhum currículo da época as secretárias tinham domínio da informática. Me aproveitaram dentro da empresa e assim começou realmente a minha carreira.”   

De lá passou para a Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN) até chegar ao Grupo Pão de Açúcar, no cargo de assistente de diretoria regional. Com o tempo, o apreço pelas artes começou a falar mais alto. A chegada do curso de Design de Interiores pela Faculdade Integrada do Ceará (FIC, hoje Centro Universitário Estácio) foi o ponto de virada. Começou o curso noturno, para logo conseguir um estágio na área, fazendo com que abandonasse o emprego na rede de supermercados.  

“Não foi muito fácil. Eu realmente abri mão de uma carreira, que era bem promissora, para começar em uma loja, trabalhando como estagiária. Logo depois, consegui uma colocação em uma loja de modulados aqui na Cidade, que foi quando consegui um salário melhor, porque eu fazia faculdade à noite e trabalhava o dia inteiro. Acabou que ainda nessa loja eu terminei minha faculdade. Consegui alguns clientes particulares e comecei o escritório”, relata. A princípio, o novo local funcionou em parceria com outra profissional. O projeto seguiu até 2014, quando Kel decidiu “seguir carreira solo” e criar o Studio K, seu ateliê.

Em suas criações, a designer explica que envereda pelos tons de cinza, pois esse tipo de base permite trabalhar com várias cores. “De um projeto mais clássico até um mais industrial. Nos meus projetos, na grande maioria, procuro usar esse elemento. Concreto, elementos em ferro, muito vidro. A minha pegada é um pouco mais urbana.”  

Em suas criações, a designer explica que envereda pelos tons de cinza, pois esse tipo de base permite trabalhar com várias cores. “De um projeto mais clássico até um mais industrial. Nos meus projetos, na grande maioria, procuro usar esse elemento. Concreto, elementos em ferro, muito vidro. A minha pegada é um pouco mais urbana.”   

Artes   
Já a aptidão para o desenho surgiu em Kel desde jovem, quando foi incentivada pela família a realizar cursos na área, como pintura acrílica. Ainda durante o período como secretária, o hábito de pintar se manteve, mas foi em 2008, após a compra de uma câmera digital semiprofissional, que começou a ter uma visão da designer para a união de arte e fotografia. Durante uma visita a uma galeria de arte em Nova York em 2010, Kel conheceu a infogravura. A prática consiste em modificar fotografias por meio de manipulações digitais. “Quando eu mostrei pra algumas pessoas, me indicaram pra galeria da Mariana Furlani. Aí ela me chamou pra conversar. Comecei a colocar algumas peças lá desde 2010.” O próximo passo foi expandir-se para e-commerce, por meio da Urban Arts, uma galeria com forte presença online.  

Acerca da mistura de diferentes práticas no cotidiano, não é uma preocupação para a designer. “Dá pra conciliar, porque essa parte da fotografia e da arte era um hobby. Virou comercial, mas era coisa de hobby mesmo. Adoro tratar minhas fotos de madrugada. É uma coisa que não interfere. Um dia, um pode até se sobrepor ao outro [o Design de Interiores] e vou ter que escolher, mas hoje dá pra conciliar.”  

O trabalho mais recente de Kel se chama Efêmeros e é composto por 12 peças. Os retratos possuem imagens do corpo humano transpassados por galhos de árvores. “Ela surgiu por essa história da onda de violência que a gente está passando na Cidade. As pessoas falando que a vida é breve, que a gente está aqui, de repente não tá mais, porque é abordado por algum tipo de crime. É reflexão desse momento”, fala. A exposição está na Galeria Mariana Furlani.   

Nos passos da dança 
A progressão de carreira parecia clara para Cleidson Diniz, 35. Formado em Telemática pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), passou 11 anos na área de Tecnologia da Informação (TI, na sigla em inglês), na qual se tornou conhecido no mercado cearense. A boa remuneração veio com um custo: noites mal dormidas, madrugadas consertando erros de sistemas e vida social inexistente. A procura por uma forma de relaxar acabou quando, em 2006, ingressou nas primeiras aulas de forró. Hoje, Cleidson deixou o escritório de lado e gere, ao lado da esposa Bel Miranda, a Bailando Escola de Dança.  

“Eu acreditava que trabalhar com tecnologia ia ser o meu fascínio para sempre, porque quando conheci o computador, eu fiquei fascinado. Foi bem no início da era da internet. Com o passar do tempo, eu fui construindo uma carreira muito sólida, porque quando você trabalha com desenvolvimento de software, você começa bem de baixo, mas você vai atingindo patamares cada vez maiores na carreira”, explica.   

Após seis anos na área, Diniz conta que passou a perceber que a boa condição financeira não fazia valer o desgaste físico e mental provocado pelo trabalho. “Não tinha muita despesa e comecei a acumular [dinheiro] e não ter com o que gastar. Não ter tempo para gastar”, diz.  

Primeiros passos 
Quando começou a fazer aulas de dança, Cleidson demorou certo tempo para encontrar a vertente que realmente amava. Apesar de divertidas, as aulas de forró não foram suficientes. A mudança definitiva veio com a descoberta do projeto de extensão Dançar faz bem, da Universidade Federal do Ceará (UFC), onde conheceu Bel Miranda. Tão importante quanto a chance de conhecer diversos estilos de danças no projeto foi a filosofia do local: dezenas de pessoas dançando ao mesmo tempo, sempre com o foco em se socializarem. 

“Eu só conhecia as pessoas com que eu trabalhava, e era dentro de um escritório, com um grupo restrito a cinco, seis pessoas, porque eram equipes. Eu só sabia lidar com eles, eu só tinha o hábito de conversar com eles. Quando entrei na dança, conheci centenas de pessoas, então minha vida social se transformou instantaneamente.” A partir desse momento, a progressão foi contínua: as aulas somente aos sábados passaram a incluir as terças, em seguida as quartas e sextas-feiras, além dos bailes de domingo. Em dado momento, Cleidson dançava todos os dias.   

Bailando 
Fundada em maio de 2013, a Bailando Escola de Dança foca em um número reduzido de estilos. “Atualmente estamos com 19 turmas, mas já chegou a 22. Oscila um pouco porque aqui e acolá tem que fazer uns ajustes. A gente só trabalha com forró, samba, salsa e tango. Esses são os estilos de dança de salão. Para complementar a grade, tem dança do ventre e balé adulto. Acaba que o tango é a nossa paixão, mas claro que a procura maior é pra forró e samba de gafieira”, avalia Cleidson.   

O gestor vê com surpresa o interesse do público local pela dança. Pessoas de bairros distantes e até de outros municípios, como Eusébio, se deslocam todas as semanas para a Bailando. “Se você conseguir fazer um trabalho de qualidade, ensinar as pessoas a dançarem, envolverem em sociedade, fazê-las criarem um laço, um vínculo, a coisa é como uma bola de neve, ela só cresce”, conta.  

Transição financeira  
Com receio de que o empreendimento não fosse dar certo, Cleidson passou os primeiros meses ainda no emprego antigo, até ter certeza de que conseguiria manter o padrão de vida somente com a renda da Bailando. Acabou por se demitir e investir o que tinha na escola, porém o resultado não saiu como esperado e ele teve de voltar ao trabalho na área de TI em outra empresa. Após seis meses, se desvinculou de vez da área e conseguiu estabilidade somente com a dança.   

Por ser responsável por desenvolver programas voltados para a área de gestão de grandes empresas, o processo de montagem da própria empresa foi tranquilo. “Eu sempre tive um pouco dessa veia empreendedora. Talvez por conta do meu pai, que sempre teve comércio. E também por conhecer a realidade de muitas empresas.”   

Junto da esposa, Cleidson também possui o portal dancetango.com.br, no qual disponibiliza aulas em vídeo de como aprender os principais passos do estilo. Além disso, a plataforma traz curiosidades sobre o universo do tango junto a depoimentos de alunos do casal.  

 

 

Atrair para influenciar

Com formação multidisciplinar, o cientista político Heni Ozi Cukier aborda conceitos originários dos campos de batalha, como o Poder nas relações pessoais e no mundo corporativo

Por Gabriela Custódio

É cada vez mais difícil conseguir algo apenas pelo uso da força e da imposição. Principalmente no século XXI, é preciso desenvolver a capacidade de atrair e convencer o outro. É isso que defende o filósofo, cientista político, professor e palestrante Heni Ozi Cukier. Mestre em International Peace and Conflict Resolution pela American University, em Washington, D.C., e com experiência no conselho de segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), na Organização dos Estados Americanos (OEA) e em outras organizações, Cukier estuda as relações entre poder, política e guerra e aborda o diálogo desses conceitos com relações pessoais e profissionais. 

Entre temas de cursos ministrados por ele no centro de debates Casa do Saber, fórum de discussões com espaços em São Paulo e no Rio de Janeiro, e em outros espaços, estão A arte do poder, A arte da sedução e A arte da estratégia, entre outros. Em entrevista à Carreiras S/A, o cientista político fala sobre a importância de desenvolver o autoconhecimento e a percepção das necessidades do outro e do contexto em que se está inserido.  

Você tem formação relacionada à mediação de conflitos entre países. Porém, afirma que eles estão presentes nas relações em todas as instâncias. Qual a importância de saber utilizar os diferentes tipos de poder nas relações pessoais e profissionais? 
Eu diria que, para você conseguir resolver conflitos ou conseguir o que você quer, precisa saber usar a ferramenta apropriada para a situação. Essa capacidade de você entender qual tipo de poder é melhor e qual situação você está inserido é essencial para quem quer usar bem o poder. Tem coisas que você só consegue com autoridade, imposição, coerção e penalização. E tem coisas que você só consegue com convencimento e atração, que é o que a gente chama de soft power. O outro é o hard power. É importante entender como funcionam os dois e dominar o uso dessas duas ferramentas. Cada uma delas requer habilidades diferentes. No hard power, você precisa ter status, precisa ter poder na mão, poder no sentido de autoridade de comando, que te permite tirar alguma coisa de alguém ou penalizar alguém. E no soft power você precisa ter habilidades de persuasão, de carisma, de convencimento, de atração. 

Essa questão da influência está ligada ao soft power?  
Sim. Influenciar está relacionado com a percepção que o outro tem da realidade. E eu posso alterar essa percepção se eu tenho a capacidade de fazer a pessoa gostar do que eu gosto, ou seja, moldar as preferências dela, ou simplesmente conseguir fazer com que ela enxergue as coisas de outro jeito. Isso só é possível com essa habilidade de atrair o outro, de construir a história ideal, a história certa, a melhor narrativa ou despertar nela sentimentos positivos, sentimentos que façam ela gostar de mim ou gostar da ideia que eu estou vendendo para ela.  

Como uma pessoa que quer desenvolver o soft power, ter essa capacidade de influenciar, pode construir isso? 
Bom, isso não é algo muito simples, por um lado. Por outro, todos nós, naturalmente, temos alguma capacidade de atração. Às vezes, nós somos simpáticos, temos boa empatia ou somos carismáticos ou gentis. Todo mundo sabe o que é atraente, o problema é que isso é deixado de uma forma aleatória. Ou seja, as pessoas, muitas vezes, não conseguem usar essas habilidades de forma sistemática. Eu diria que é importante prestar atenção, desenvolver algumas inteligências, como a inteligência emocional, que dá conhecimento e reflexão sobre suas próprias qualidades e atributos. Ao mesmo tempo, você também tem que desenvolver a inteligência social, que é a capacidade de ler o outro, se adequar às necessidades do outro e enxergar o que ele está esperando. E a terceira inteligência que acho necessário desenvolver é a inteligência contextual/cultural, a capacidade de perceber em qual ambiente estou, em qual cultura estou inserido, que tipo de coisas são valorizadas e o que não é reconhecido ou não vale a pena ou não é elogiado dentro de um ambiente ou dentro de uma cultura. Existe uma diferença de eu estar conversando com alguém em uma situação de crise versus uma situação de realização, existe uma diferença entre estar em um velório e estar em uma situação de perigo. São contextos e situações diferentes que me levam a comportamentos diferentes. Eu tenho que ter essa capacidade de ler o contexto em que estou inserido e só a inteligência contextual pode me dar isso. A soma dessas três inteligências te levam ao que eu chamo de inteligência carismática. 

Qual a função do carisma nessas relações?
O carisma não é um dom, é algo que pode ser aprendido. É um estado mental que requer o desenvolvimento de certas habilidades e competências. Elas podem ser treinadas e aperfeiçoadas, por isso trato o carisma como uma inteligência, como outras inteligências que foram descobertas ao longo do tempo, como a social, a emocional e a contextual ou cultural. O carisma não é uma panaceia, você pode ter carisma e mesmo assim não ser mais amado, pode cometer deslizes em outras áreas da vida e o carisma não vai te salvar. Por mais que políticos sejam carismáticos, se eles cometem vários crimes, o carisma não vai manter a atração, a adoração que grande parte das pessoas tinha por ele, uma vez que esses crimes venham à tona. É importante entender que o carisma é uma ferramenta e que ela garante algumas coisas, mas ela não é uma blindagem a tudo e eternamente garante o que você quer ou alcançar o resultado que você queira. 

Existe alguma dificuldade que as pessoas têm nesse processo de trabalhar o soft power e o carisma?
Não tem dicas ou uma listinha de coisas que eu vou falar e você vai seguir e que vai te transformar nisso. É um processo de desenvolvimento pessoal, um processo de transformação interior, de evolução. Não acontece do dia para a noite, requer treinamento, prática. Porque o poder não é estático, é relacional. Em cada contexto, o poder se manifesta de uma forma. Eu diria que há uma tríade a que as pessoas têm que prestar atenção: nelas, nos outros e no ambiente. Sem isso, nada acontece. Toda interação humana precisa dessa tríade. As pessoas sabem muito pouco sobre o seu interior. Ninguém olha para dentro de si, todo mundo olha muito para fora. As pessoas prestam pouca atenção nos outros e têm dificuldade de entender as mudanças de contexto. Então, acho que o desafio está aí, de desenvolver o soft power. Eu diria que o primeiro passo, e talvez o mais importante, é o autoconhecimento e a inteligência emocional.  

O que essa capacidade agrega, no contexto profissional, a quem consegue desenvolvê-la?
As inteligências emocional, social e cultural são úteis para qualquer coisa. No ambiente profissional, são mais úteis ainda porque ninguém trabalha sozinho. Todo mundo tem cultura corporativa, todo mundo tem cultura de países. No mundo globalizado, você está negociando, convivendo, vendendo e interagindo com vários lugares do mundo. Essas habilidades não servem só para você desenvolver seu carisma ou seu soft power, vêm para você ter competências e ser bem-sucedido profissionalmente. Óbvio que é impossível você ter mais soft power sem usar e desenvolver essas habilidades. Então, se você quiser ter a capacidade de persuadir os outros ou atraí-los, você precisa dessas habilidades. No século XXI, o soft power ganha uma relevância ainda maior, porque tem menos coisas que são aceitas ou possíveis de serem atingidas na base da imposição ou da força. Isso não significa que não exista nada que precise de imposição e força. 

Sua formação é plural e multidisciplinar. Como foi o processo para agregar  tantas áreas?
Primeiro, eu fiz faculdade de Filosofia, que lida com as perguntas mais complexas e profundas da vida. E isso te dá uma profundidade, uma capacidade analítica muito boa, porque, na verdade, quase nenhuma das perguntas que a filosofia faz tem uma resposta definitiva. Acho que isso me ajudou a ter uma profundidade e uma facilidade de lidar com outros campos de conhecimento. A ciência política me ajuda a pensar a política, um fenômeno que aqui no Brasil a gente não dá a devida importância, mas que é extremamente fundamental do ser humano. Não existe nenhuma interação humana que não tenha política, a não ser que eu seja o Tom Hanks no Náufrago falando com a minha bola Wilson. Todos os lugares que tiverem interação humana têm política. E, por último, a guerra também é um fenômeno político. Todas essas coisas ajudam a gente a entender as estruturas da nossa sociedade e eu acho que essa mistura me permite trazer insights de um desses campos para o outro e mostrar como essas coisas estão interligadas.

Quando você estava dando esses passos multidisciplinares na sua formação, era comum seguir esse caminho ou as pessoas ainda escolhiam uma trajetória mais tradicional?
Ainda acho que esse passeio [entre as áreas] não é comum e que ele é cada vez mais necessário. Eu entendo que o momento que nós vivemos, de modernidade, pede por isso, mas, muitas vezes, essa conversa fica só no campo da retórica e não da prática de incorporação das persas visões, insights e conhecimentos dessas diferentes disciplinas. Tentei incorporar isso tendo essa persificação do meu currículo, realmente consegui trazer essa visão para dentro. Tive alguns privilégios de lidar com muitos problemas que são multifacetados na minha carreira, um deles é a Cracolândia aqui de São Paulo. A Cracolândia é um problema multidisciplinar, multifacetado, multinível. Não é um problema só de saúde, nem só de segurança, nem só de ciência social, nem só de habitação, nem só de direitos humanos, nem só de urbanismo. É um problema de todas essas coisas e de mais várias outras. 

Atenção às redes sociais

Ter cuidado com o que se publica na internet é importante para não ter a imagem profissional prejudicada perante o chefe ou possível empregador. Evitar discussões polêmicas e fotos inadequadas são algumas dicas

Por Lia Rodrigues

Em tempos de Instagram, Facebook e WhatsApp, redes sociais usadas diariamente por longas horas, é preciso estar atento ao comportamento e ao conteúdo exibido nas plataformas. Recrutadores e chefes estão de olho nos perfis de candidatos e de funcionários, e não é difícil ter notícias de quem foi afetado negativamente por condutas inadequadas.  

Na última Copa do Mundo, realizada na Rússia, casos de assédio e misoginia envolvendo torcedores brasileiros tiveram grande repercussão. Um deles foi o de um ex-funcionário de uma companhia aérea que aparece em um vídeo assediando mulheres estrangeiras, imagens que foram muito compartilhadas na internet. Após tomar conhecimento do fato, a empresa optou pelo seu desligamento do quadro de funcionários.  

Também durante o evento esportivo, outra situação que tomou grandes proporções foi a de um grupo de brasileiros que gravou um vídeo assediando uma mulher russa. Com a viralização da gravação, todos foram identificados e, como consequência, uma ativista do país os denunciou, e autoridades russas abriram inquérito para investigar o fato. No Brasil, a Polícia Militar de Santa Catarina, onde um dos homens é tenente, também instaurou processo administrativo disciplinar contra ele. Vale ressaltar que comportamentos desse tipo, que ferem a moral e a ética, podem ensejar uma demissão por justa causa.  

Com a atual situação econômica do País, a taxa de desemprego no trimestre encerrado em maio, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 12,7%, o equivalente a 13,2 milhões de pessoas. Com o alto índice de desemprego, os processos seletivos ficam cada vez mais disputados. Para quem está em busca de recolocação no mercado, é preciso estar atento à imagem que se passa nos perfis de redes sociais.  

O que deve ser evitado  
“A forma como as pessoas se expõem pode prejudicar a imagem e a vida profissional. Alguém que deixa públicas apenas fotos de festas e bebidas alcoólicas pode causar má impressão a um recrutador de uma empresa mais conservadora”, explica José Carlos Nascimento, diretor de recursos humanos da Sage Brasil, que oferece soluções para escritórios contábeis e gestão empresarial. Por isso, comentários contra minorias e fotos comprometedoras que possam abalar a reputação devem ser evitados. “As empresas não aceitam mais profissionais com esse tipo de postura. São inúmeros casos de profissionais demitidos após comportamentos que vão contra o compliance [normas de conduta] da companhia”, alerta.  

Para além de fotos inapropriadas e comentários preconceituosos, Marcello Belém, publicitário e presidente da Associação Cearense de Agentes Digitais (ACADi), explica que também é importante ter cuidado com demonstrações e discussões relacionadas à política. “Se você é uma pessoa muito polarizada politicamente, que julga muito, que debate muito ou que é muito crítica, isso também é um comportamento que os recrutadores que estão fazendo a seleção podem levar em consideração na hora de contratar”, afirma. Para o publicitário, é importante se posicionar, mas sempre de forma cautelosa e responsável. “A rede social é um canal onde você pode expor muito bem o seu lado, mas a forma como você escreve, como usa os termos, tem que ser muito respeitosa. Expor sua opinião não é impor sua opinião”, pontua.  

O lado bom
As redes sociais podem e devem ser usadas para ampliar o networking. Belém afirma que uma das formas de usá-las a favor da imagem profissional é assumir projetos relacionados à área de atuação. “É um espaço e tanto para expor o que você faz de melhor. Se tem competência suficiente para falar de um determinado assunto, estamos exatamente nesse momento em que as pessoas compartilham conhecimentos técnicos, conhecimentos sobre um assunto específico. E esse conhecimento compartilhado tende a ser muito valorizado”, ressalta.  

Para o publicitário, quem produz conteúdo de forma eficiente e consegue ajudar as pessoas que estão em busca daquele conhecimento consegue se sobressair. “É uma forma muito positiva de se comunicar, de mostrar o que você pode fazer, sem ser aquele perfil em que se mostram somente coisas supérfluas, que vão interessar apenas aos curiosos. Se você puder somar na vida de alguém e pensar dessa forma, você começa a produzir alguma coisa para os seus canais, para os canais dos seus negócios e a resposta disso vai ser um retorno expressivo”, destaca.  

Na visão de Nascimento, as redes sociais são parte indissociável do cotidiano, por isso, quem está em busca de um novo emprego ou já está empregado deve usá-las para expor coisas positivas. “É um bom local para mostrarmos o que gostamos de fazer, hobbies, entre outros. Se gosta de ler e praticar esportes, por exemplo, deve evidenciar isso. Porém, as pessoas devem ser coerentes com suas identidades profissionais, sob o risco de passar impressão de coisas que elas não são e um bom recrutador, em uma possível 

entrevista, perceberá isso”, salienta.   

Mudança de postura 
A psicóloga Lia Pressler mudou seus hábitos nas redes sociais principalmente para preservar sua vida particular e evitar que ela interfira na esfera profissional. “Essa necessidade surgiu quando pensei: ‘Por que as pessoas deveriam saber abertamente sobre minha vida? Não vou objetificar minha rede social e torná-la mais uma peça de venda do mercado. O que falta tanto nas pessoas que torna real a necessidade de estar sempre à vista de um público?’”, afirma. Para a psicóloga, a exposição nas redes sociais não é um problema, desde que ela aconteça dentro dos limites saudáveis. “Cada um deve saber o que é melhor para si. Tente se ouvir. Você é feliz assim?”, pontua.  

Entre as mudanças, Lia alterou seus perfis para privados — o que também foi motivado pelo fato de ser mais reservada — e mudou os textos que escrevia. “Eu postava o que queria sem pensar bem nas consequências daquilo. Nem todos vão entender ou me compreender, então minha postura agora é mais centrada em mim do que necessariamente querer que alguém pense diferente só porque leu algo meu”, explica. “É meu estilo de vida e de trabalho. [Também] não quero que ninguém venha até meu consultório porque viu um Instagram legal. Não é assim que quero ser vista.”   

Como se comportar nas redes sociais

O que pega bem:  

1 - Publicar conteúdos relevantes para a área de atuação; 

2 - Postar sobre hobbies, como esportes e leitura;  

3 - Participar de grupos e debates construtivos que tenham a ver com a sua área;  

4 - Mostrar trabalhos voluntários ou sociais, se os fizer. 

O que pega mal:  

1 - Compartilhar fotos em festas, com bebidas ou que mostrem muito o corpo (trajes de banho ou íntimos, por exemplo); 

2 - Fazer comentários preconceituosos ou desrespeitosos; 

3 - Envolver-se em polêmicas e discussões desnecessárias sobre política e religião, por exemplo;   

4 - Falar mal da empresa ou dos colegas de trabalho;  

5 - Tentar aparentar o que não é;  

6 - Cometer muitos erros ortográficos. 

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