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RENATO ARAGÃO

O encontro do quarteto: A trapalhada vai ao cinema

fotos: divulgação
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Quem foi criança nas últimas cinco décadas deve se lembrar das filas intermináveis para ver os filmes dos Trapalhões. Onde fossem exibidos, eram certeza de grandes bilheterias. E esse sucesso começa bem antes do quarteto, segundo Dedé Santana. O primeiro filme da dupla Didi e Dedé, o Na onda do iê-iê-iê (1966), “foi um estouro”.

“Pra fazer esse primeiro filme foi difícil, ninguém acreditava na gente. Mas o irmão do Chacrinha disse: ‘a era do preto e branco acabou, agora é só colorido. Como eu tenho um resto de negativo, pra não jogar fora, faço esse filme com vocês’. O Chacrinha entrou também, e aí foi o primeiro filme nosso”, narra o eterno trapalhão. Fazer cinema, tal seus ídolos Oscarito e Chaplin, era antigo desejo de Renato Aragão. E o lançamento da primeira aventura cinematográfica foi em Fortaleza.

Mas Renato, tímido como sempre, tinha medo de estrear aqui. “Nós fomos pro Ceará em première. E ele: ‘Santo de casa não faz milagre. Não vai dar certo!’. ‘Rapaz, vai sim!’, eu dizia. A primeira sessão nossa era 14h, às 9h o dono do cinema bateu na nossa porta, dizendo: vocês têm de ir pra lá agora, senão vão quebrar o cinema. A Praça do Ferreira, onde tem o São Luiz, lotada. E o Renato com medo, não queria passar o filme no Ceará. ‘Pô, todo mundo me conhece aqui!’. Ele era meio acanhadão”, relata Dedé.

Com o sucesso na Globo, que durou até 1995, com a formação clássica Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, fazer os filmes já não era tão difícil. Mesmo sem financiamento do governo, os outros produtos da marca Trapalhões - como CD’s e quadrinhos, além dos shows da trupe -financiavam as empreitadas. A Renato Aragão Produções, empresa criada em 1977 pelo humorista cearense, também foi fundamental. Renato construiu um grande estúdio na Barra da Tijuca, no Rio.

Ainda em 1977, O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão levava 5, 8 milhões de espectadores para o cinema, ainda hoje uma das cinco maiores bilheterias nacionais. Quando esticamos a lista dos filmes mais vistos, aparecem ainda Os Saltimbancos Trapalhões (1981), com público de 5 milhões de pessoas, e O Casamento dos Trapalhões, de 1988, com 4, 7 mi. Para a crítica de cinema Andrea Ormond, o sucesso nas telonas se deve ao fenômeno na TV.

“O cinema se demonstrou uma extensão do projeto que já era viabilizado pelo sucesso semanal, nas residências de todo país. Somando os talentos individuais (da própria trupe e dos diretores J.B. Tanko e Adriano Stuart), além do humor que hoje parece tão politicamente incorreto, Os Trapalhões estavam no lugar certo, na hora exata”, analisa a autora do blog Estranho Encontro.

A pesquisadora observa, ainda, como a trupe se adaptava ao sair do formato televisivo para o cinematográfico. “Não seria possível transplantar os esquetes e o timing puro e simples do programa dominical para a sala escura do cinema”, ressalva. “Em Os Saltimbancos Trapalhões, também temos um aspecto que não pode ser esquecido: a presença de Chico Buarque nas canções. Tanko criou, a partir desses versos, cenas que tocaram inúmeras pessoas, como a do momento em que a trupe exclama que ‘são fortes e não há nada a temer’”.

André Carrico, doutor em Trapalhões pela Unicamp, acredita que, apesar de se adaptarem ao novo formato, “mesmo quando eles tinham outros nomes, continuavam sendo o Didi, o Dedé e o Mussum e o Zacarias. As pessoas iam pro cinema não pra ver o filme, elas iam pra ver os Trapalhões, a história era só um pretexto.”

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