[an error occurred while processing this directive][an error occurred while processing this directive] Quem é Didi Quem é Renato | O POVO
RENATO ARAGÃO

Quem é Didi
Quem é Renato

fotos: divulgação
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QUEM É DIDI

Todo mundo se julga amigo do Didi. Como os grandes personagens do humor, o trapalhão é uma presença familiar. Para Renato, no entanto, Didi é um estranho. Está para o criador como o monstro para o médico.

Duas entidades opostas. O Renato, tímido. O Didi, espalhafatoso. O Renato, reservado. O Didi, despudorado. O Renato, homem de família. O Didi, apaixonado por qualquer rabo de saia. O Renato, 80 anos. O Didi, 55. Um o reverso do outro.

Como Chaplin, Didi é um vagabundo que sobrevive a custo de esperteza. É um palhaço também, mas sem máscara nem indumentária características, como o Carlitos e o Chaves. É, modo de dizer, o encontro do vagabundo com o malandro. Um tipo franzino que tenta driblar obstáculos usando a esperteza.

A síntese da lei de Gerson. Quer obter vantagens sem muito esforço. Sua finalidade é passar a perna. Curiosamente, sempre se dá mal, e nos filmes frequentemente termina sozinho.


Daí que, para Didi, a vantagem seja também uma desvantagem. É outra característica da personagem: os esquetes de “Os Trapalhões” redundam num evangelho moralizante. O Didi quer ganhar, mas acaba criando apenas confusão e se safando por peripécias.

Amamos o engenho do Didi nas trapalhadas durante as tentativas de burlar a norma, seja a social, seja a disciplina policial, seja a do gosto do público. Um dos principais esquetes da trupe de humoristas se passa num quartel e um dos personagens mais importantes é o Sargento Pincel, eventualmente feito de bobo por um farrapo de gente.

O Didi é a vitória da astúcia sobre a lei. Nasceu no nordeste, mas reflete o Brasil. É um Macunaíma moderno. O que lembra a frase-símbolo de outro herói marginal: “não contavam com a minha astúcia”. Ou, melhor dizendo: “ai, que preguiça”.

QUEM É RENATO

Antônio Renato Aragão é espantosamente tímido. A fala é mansa, os passos são leves, o corpo é miúdo. Carrega já o peso do tempo, diferente de como estamos acostumados a lembrá-lo, em saltos, cambalhotas e piruetas cheias de energia. Ops, estamos falando de Didi ou de Renato?

A simbiose entre criador e criatura é tamanha que escorregamos nas lembranças. Pensamos em Didi quando vemos Renato remexer os quadris, falar “tchan”, brincar de menino quando, na verdade, conta já oito décadas de vida.

Lembramos de Renato quando o Didi se emociona ao sorriso de uma criança.
Mas é Renato ali, sempre. O menino que queria ter um pouco de Oscarito, outro tanto de Carlitos e criou com maestria um palhaço sensível, ingênuo e profundamente humilde. É o mesmo que se aperreia querendo atender a um e a outro e mais alguém que o procura. Aquela imagem feia, arrogante, preconceituosa, que a Internet teimou em pintar nos últimos anos, definitivamente não confere.

Renato é simples como o branco com que se veste. Quando pergunto se acha que ajudou a dar a alma do humor cearense, ele não consegue dizer. Não faz tipo, é que não sabe. Seu humor é tão universal, com a leveza das piadas infantis e os movimentos cheios de vida, que ele esquece que influenciou gerações e gerações de artistas. Especialmente os conterrâneos.

Sim, Renato, a culpa é sua também. Se o teatro chegou aos 80 por insistência da mulher, todo o resto é mérito próprio, iniciativa acanhada, mas firme. É que talento a gente reconhece a qualquer tempo. 

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