[an error occurred while processing this directive][an error occurred while processing this directive] Sobral: A graça do menino | O POVO
RENATO ARAGÃO

Sobral: A graça do menino

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Raphaelle Batista raphaellebatista@opovo.com.br
fotos: eDIMAR SOARES
Dona Ivete Aragão, irmã de Renato, relembra as graças do garoto em Sobral
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Eram sete filhos. As quatro mulheres com nome à francesa: Etienete, Mariete, Arizete e Ivete. Os homens atendiam por Jesuíno, José e Paulo - este em homenagem ao pai. A família Aragão, que tinha como matriarca dona Dinorá, estava completa naquelas primeiras décadas do século 20, na abrasadora Sobral, a 233Km de Fortaleza. Ela, professora. Ele, representante comercial, bancário, poeta, fundador de colégio, professor -- “e sem nunca ter alisado um banco de escola!”, diria mais tarde o protagonista desta história.

Prole quase criada até o calendário marcar 13 de janeiro de 1935. Nesse dia, ele chegou. Antônio Renato Aragão, o último dos oito filhos, temporão, caçula cheio de mimos. O choro do recém-nascido rompeu o silêncio da casa na rua principal da cidade, com vista para o Arco de Nossa Senhora de Fátima, e alterou a ordem das coisas.

“Ninguém nem esperava”, diz Ivete, 86 anos, única viva entre as irmãs. “Quando ele nasceu, até umas tias, irmãs da mamãe, vieram pra cuidar dele. Foi muito babado!.” Ainda havia Teresa, a “mãe preta”, que cuidava do garoto como se fosse seu. A brincadeira das meninas ficou até mais divertida. Elas tinham um bebê de verdade para dar banho, passar perfume, passear. “Brincavam com ele como se fosse um boneco, as quatro irmãs eram de uma paparicagem doida”, conta o sobrinho Paulo Orlando, 66.

Arizete, a Tinha, como ele a chamava, era a irmã mais apegada. Uma das muitas mães de Renato.

“A gente brincava de quatro cantos, aquelas brincadeiras do tempo antigo, e ela sempre queria ganhar, mas tinha de ser com ele. Corria com ele pendurado no espinhaço e ainda ganhava, a danada!”, Ivete resgata. O mimo era tanto que o menino, apelidado de Angu por chorar demais, mamou até os 5 anos.

Travessuras
A regra na família era estudar. O pai, que se alfabetizara sozinho, à luz das lamparinas, não admitia filho preguiçoso na escola. “Ele era estudioso, mas, assim, também era muito brincalhão”, entrega a irmã. Renato tinha o apoio da mãe, que achava graça nas peripécias do filho. “Pronto, era o que ele queria”, lembra Ivete, soltando a risada.

Sem o marido saber, dona Dinorá comprava gibis para os meninos esconderem dentro dos livros de estudo e lerem sem recriminação. Uma pequena travessura de mãe, gaiatice presente na genética, repartida entre os oito. Cheia de tiradas, Ivete confirma a veia bem humorada da família e conta que o mais engraçado não é o irmão famoso. Zé, o mais velho, supera. “Renato veio ensinado dos outros.”

Ary Sherlock era um dos colegas da escolinha onde a mãe de Renato lecionava, numa sala colada à casa da família. O grande ator cearense, quase vizinho dos Aragão, morava na outra esquina da rua. Lembra ainda de como Renato se valia dos muitos irmãos para tirar vantagem nos jogos. “Eu era invejoso dele (Renato) porque ele tinha um bocado de irmão pra brincar e conseguir as coisas, e eu não tinha”, recorda Ary, 84. Anos mais tarde, eles se encontrariam em brincadeiras sérias na TV Ceará – Canal 2.

Renato, no entanto, era tímido. Só se soltava entre os seus. De menino, gostava mesmo de jogar bola nas praças da cidade e pular no rio Acaraú em tempos de cheia. Até os 11 anos, quando a família veio para a Capital, o palhaço tinha o pé na rua.

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