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Entrevista GPTW

 

Após nove anos participando do Great Place to Work, a América Latina se consolida como a região com maior percentual de países envolvidos na premiação. Dentro desse contexto, que totalizou, em 2013, cerca de 3.500 empresas latinas, o Brasil, por sua vez, ganha respaldo também pelo número de empresas que integram a seleção para o prêmio. E no País, o Ceará se sobressai pelo mesmo motivo.

Segundo o CEO do Great Place to Work Institute no Brasil, Ruy Shiozawa, os dados refletem o crescente interesse das empresas da região em oferecer bons ambientes de trabalho. Em entrevista à revista O POVO Melhores Empresas para Trabalhar Ceará, o CEO comenta as mudanças político econômicas que transformaram as relações empresariais na América Latina, o novo posicionamento das lideranças e a importância da valorização das pessoas que compõem cada empresa.


O POVO - Quando teve início o GPTW América Latina? De lá para cá, é possível avaliar o que a premiação trouxe de positivo para o cenário?
Ruy Shiozawa - São nove anos já. A gente pega todos os países da América Latina que fazem a pesquisa e consolida em um grande ranking. Vemos a mesma tendência: está crescendo bastante e é a região do mundo que tem mais percentual de países envolvidos, praticamente todos os países estão participando. Nesses nove anos, evoluiu muito e o Brasil tem destaque, continua sendo o país com mais participação.
 
OP - Quantas empresas participam hoje do GPTW América Latina?
Shiozawa - Ano passado, foram 3.500. Isso dá mais ou menos metade das empresas do mundo todo, somando EUA, Europa, Ásia... Ou seja, o percentual da América Latina é grande.

OP - Para onde estão caminhando as empresas latino-americanas que têm se destacado no GPTW? É possível perceber um crescimento e um investimento crescente na qualidade do ambiente de trabalho?
Shiozawa - Sim, com certeza. O mesmo movimento, a mesma tendência do Brasil. O Brasil é o país com mais empresas participando e América Latina, o continente com mais empresas. O Brasil ajuda muito a puxar esse processo.
 
OP - Com o passar dos anos e as mudanças econômico-sociais da região, os fatores que proporcionam o que pode ser considerado uma boa empresa onde trabalhar na América Latina mudaram?
Shiozawa - Nesse período em que é feita a pesquisa, na América Latina, houve uma consolidação das democracias. Três décadas atrás, a maioria dos países da América Latina estavam sob regimes ditatoriais. Então, tem essa abertura e, claro, isso se reflete dentro das empresas, com as pessoas buscando maior participação, envolvimento. As pessoas não querem ter emprego e receber ordens, querem participar, discutir, que aquilo tenha um significado para elas. Isso aparece na pesquisa. Em paralelo, começamos na China há três anos. Vai levar um tempo para ser da mesma maneira lá.

OP - Houve alguma empresa que se destacou por oferecer benefícios diferenciados das demais? Há casos na América Latina de que você se recorde e possa destacar?
Shiozawa - Há muitos exemplos legais e que você pode reproduzir em outras empresas. Tem um chamado Laboratório Sabin, um laboratório de análises clínicas. Eles criaram uma espécie de senso demográfico dos funcionários. São mais ou menos dois mil funcionários, cerca de 80% são mulheres. Geralmente, tem dupla jornada. Quando eles fizeram esse censo, descobriram que mais da metade das mulheres não tinham máquina de lavar em casa, que é um bem importante que as ajuda a cuidar da casa. Eles constataram isso e chamaram uma empresa, outra premiada, o Magazine Luiza, para fazer uma condição especial para facilitar a compra para elas. E eles fizeram. Muitas compraram. Olha que interessante. As empresas não estão olhando só para a pessoa na empresa. Estão procurando conhecer a vida das pessoas. Não gastaram nada, mas isso trouxe um impacto muito grande para a vida das pessoas.

OP - É possível perceber diferenças entre o perfil das melhores empresas da América Latina e os de empresas de outras regiões? É possível concluir quais as principais características das melhores empresas para trabalhar da América Latina?
Shiozawa - Você tem diferenças culturais na forma de fazer as coisas, mas todas elas têm as suas preocupações. Talvez, a maneira que cada uma vai fazer uma ação vai ser diferente. Talvez, em outros países, o pessoal vá estar preocupado com outras coisas.


OP - Da América Latina, qual país tem se destacado mais (em número de participantes e bons resultados) no GPTW?
Shiozawa - O Brasil. Dentro do Brasil, o destaque é o Ceará no número de participantes. Na América Latina, o destaque é o Brasil. Foram premiadas 100 empresas na América Latina, sendo 48 brasileiras ou multinacionais que estão no Brasil, praticamente metade da lista.

OP - Há um segmento que se destaque mais do GPTW América Latina? A que acha que se deve isso?
Shiozawa - Há alguns com uma participação importante: uma é Tecnologia de Informação (TI). A gente fala em tecnologia e pensa em PC, internet, mas esse é um dos setores que mais dependem de pessoas, porque são elas que estão desenvolvendo os softwares e fazendo as coisas funcionarem. Outro que cresce é o de varejo, que é muito competitivo. Então, está se dando bastante importância para a questão de pessoas, exatamente pelo fato de depender bastante delas. No setor de varejo, você vai a uma loja e deixa de ir por causa de atendimento, não é só pelo preço. Atendimento é importante e um bom atendimento depende de você ter as pessoas bem preparadas.
 
OP - Líderes e executivos de empresas que participam do GPTW estão mais atentos aos funcionários? De que forma? O que comprova isso?
Shiozawa - Isso é bem importante. A gente tem percebido uma evolução nesse assunto das lideranças, das empresas estarem mais atentas, à medida que o mercado está mais competitivo, ou você enfrenta dificuldades no mercado, na economia. Acho que as empresas estão percebendo que a única maneira de elas conseguirem melhorar o resultado é por meio das pessoas. Não adianta só eu colocar a melhor tecnologia do mundo, porque ela sozinha não vai resolver meu problema. Acho que está ficando mais claro para os gestores que, quando eles têm uma equipe mais integrada, unida e motivada, fica muito mais fácil atingir resultados mais desafiadores. Tanto é que, todo ano, a gente vê que o número de empresas que participam desse processo vem aumentando no mundo inteiro.
 

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