SUS: dilemas e conquistas

Como está a situação da saúde pública em Fortaleza?

Filas de espera para consulta especializada, problemas na distribuição de medicamentos, falta de estrutura são alguns do problemas enfrentados pelos usuários do SUS. Mas, há serviços de qualidade dentro do sistema e ações eficazes. O especial "SUS: dilemas e conquistas" apresenta os dois lados da saúde pública em Fortaleza

Por Daniel Rocha

“Meu sonho era ter um plano de saúde”, diz Jacinta Maria da Silva, 59, enquanto aguarda a consulta com um psiquiatra no Centro de Apoio Psicossocial (Caps). Quase 30 anos após a criação do Sistema Único de Saúde no Brasil, a garantia do direito à saúde ainda esbarra na agilidade do atendimento. Instituído pela Constituição de 1988, fruto do movimento sanitarista, o SUS é uma das poucas experiências do mundo que oferece assistência universal, integral e gratuita.

 

Na prática, o sistema brasileiro hoje oscila entre serviços de excelência e de atraso. Jacinta que o diga. Aposentada, ela sofre de vários problemas de saúde em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) no Natal de 2002. Na espera para ser atendida no Caps do bairro Messejana, ela relata as longas filas de espera e as dificuldades enfrentadas por quem depende da saúde pública e idealiza o serviço particular.

 

Devido ao AVC, a aposentada perdeu a visão do olho direito e a audição do ouvido direito. Além disso, adquiriu uma forte depressão. Com uma voz calma, Jacinta conta que desde 2004 é acompanhada pelo Caps. Para conseguir o atendimento, teve que acordar cedo, pegar uma fila em um posto de saúde para pegar uma senha, passou pelo acolhimento, depois foi avaliada por uma médica e, por fim, encaminhada para um psiquiatra. “Quando eu cheguei no Caps pela primeira vez, cheguei quebrando tudo porque eu não aceitava ter ficado cega de um olho. Eu estava agressiva por causa da depressão”, relembra.

 

Como parte do tratamento, ela toma três medicamentos para tratar da depressão. As consultas ocorrem a cada seis meses. Ao chegar no consultório, o médico responsável pelo seu caso avalia o estado da paciente e se os remédios estão surtindo o efeito esperado. “Eu sinto depressão direto. Qualquer coisa eu choro. Eu agrido. Eu brigo e me revolto. Hoje, espero que o doutor me passe um remédio certo para eu ficar melhor”, conta.

 

 

Acompanhamento
Além da avaliação, o médico é responsável por prescrever a receita que precisa ser renovada a cada dois meses na unidade de tratamento. Na prática, periodicamente, Jacinta precisa madrugar em uma quarta-feira para conseguir pegar umas das 10 fichas distribuídas para o procedimento. Apesar dos elogios em relação ao atendimento no Caps, Grace Silva, filha de Jacinta, 23, acredita que o tratamento não tem o resultado esperado porque falta o apoio de um psicólogo. 

 

“Eu, como filha, e ela, como paciente, precisamos de um psicólogo. Mas é uma longa fila de espera”, diz, desanimada. A situação se repete em outras especialidades. As duas já tentaram pelo SUS atendimento com oftalmologista, otorrinolaringologista e neurologista. Depois de mais de um ano de espera e inúmeras visitas ao posto de saúde para se certificar do lugar na fila, a alternativa foi procurar o serviço de clínicas populares. “A fila de espera é exorbitante e não podemos esperar”, diz Grace. A demora no atendimento estaria, inclusive, comprometendo a qualidade da visão do olho esquerdo.

 

Mãe e filha, no entanto, também são testemunhas de um serviço público de qualidade. Grace diz que Jacinta faz acompanhamento no Hospital de Messejana, conhecido como Hospital do Coração, e elogia o atendimento. “É muito bom. Tanto que ela começou a ser atendida por um pneumologista e foi super fácil o acesso. O problema foi a fila de espera para fazer os exames e ser encaminhada para o cardiologista”, relata.

Problemas persistem mas Prefeitura investe 27% de seu orçamento em saúde

Procurada pelo O POVO Online, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde se manifestou através de nota. O texto afirma que houve reduções nas filas de espera

Por Daniel Rocha

Diante dos problemas que afligem muitos cidadãos, como Jacinta e Grace, a nota da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afirma que nos primeiros quatro anos da gestão Roberto Cláudio houve reforço da Atenção Primária, com a construção de 19 postos de saúde, reforma de 70 unidades, contratação de novos profissionais e crescimento da cobertura da Estratégia Saúde da Família de 30% para 62%. Resultado desse investimento, haveria uma redução na quantidade de filas de espera para o acesso a algumas especialidades. Questionada por mais detalhes, a assessoria não repassou - até a conclusão deste especial - quais foram as áreas beneficiadas, nem forneceu os números.

  
Ainda em nota, a assessoria diz que a Prefeitura deve reforçar as ações que já foram realizadas na distribuição dos remédios, melhorar a sua logística e qualificar a integração entre postos de saúde e hospitais. É que um dos gargalos da Atenção Primária em Fortaleza tem sido o acesso a medicamentos.

 

Uma das promessas para o segundo mandato de Roberto Cláudio é implantar de forma gradual centros de medicamentos nos sete terminais de integração da Capital a partir do mês de julho deste ano. “Outras duas ações nesta área são a seleção pública para a contratação de gestores da saúde, que será lançada no próximo mês de fevereiro, e a criação de sistemas de ouvidoria em cada um dos postos de atendimento”, disse a SMS, por meio de nota.

 

O secretário de saúde do Estado, Henrique Javi, afirma que o Governo dá suporte aos municípios para a atenção primária de saúde (Foto: Divulgação)

 

Ainda que a Atenção Básica seja responsabilidade dos municípios, o secretário da saúde do Estado, Henrique Javi, afirma que o governo do Ceará tem no programa de qualificação de profissionais da área que atuam no interior do Estado. Uma estratégia para diminuir a demanda de atendimento nos setores secundários e terciários da saúde pública.

 

“Nós estamos trabalhando em um programa chamado Qualifica Atenção Primária no SUS. É um programa estadual em que a nossa meta principal é fortalecer a atenção primária em vários municípios do Estado. O intuito é tornar a atenção primária mais resolutiva, compreender o tamanho dessa atenção e  como ela pode atingir a população”, disse o secretário em entrevista ao O POVO Online. Muitos do casos que chegam às grandes unidades de atendimento, como o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), poderiam ter sido solucionadas ou evitadas se os pacientes tivessem tido uma assistência rápida e eficaz na origem. 

 

Os hospitais macro-regionais localizados no interior do Estado também visam expandir o acesso ao atendimento especializado e fornecer assistência a casos complexos. Javi explica que essas unidades atuam na distribuição das demandas de uma região. Quando um município não possui como ofertar uma determinada estrutura, o Estado encaminha o paciente para uma unidade de maior porte mais próxima. “Nós temos cinco macro-regionais de saúde. O nosso primeiro foi inaugurado em 2011 na região do Cariri, em Juazeiro do Norte. Em níveis gerais o grande ganho com a implantação desses hospitais, é fomentar uma medicina de maior complexidade para essas regiões”, ressalta o secretário.

 

Investimento
A Constituição Federal determina que a gestão do SUS deve ser compartilhada entre a União, Estados e municípios. A porcentagem mínima de investimento por parte dos municípios para o setor deve ser no mínimo de 15% de sua receita própria, enquanto para os governos estaduais devem ser de 12%.

 

 

Apesar dos problemas relatados por usuários, a Prefeitura de Fortaleza afirma, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que destina cerca de 27% do orçamento para o setor. 12% acima da determinação constitucional. Além dessa verba, o Fundo Municipal de Saúde de Fortaleza recebeu do Ministério da Saúde até o fim do mês de novembro de 2016 uma verba de R$ 853,7 milhões.

 

O órgão nacional ressaltou ao O POVO Online que houve um aumento nos recursos repassados para a capital cearense na ordem de 29,6% em cinco anos. Em 2010, Fortaleza recebeu R$ 683 milhões. Cinco anos depois, esse valor subiu para R$ 971 milhões. Com a aprovação da PEC 55, que determina o limite de gastos, a Prefeitura garantiu que irá buscar outras fontes de renda para arcar com os custos do SUS junto com o governo estadual, federal e até mesmo com organizações internacionais.

PEC 55 pode agravar problemas no SUS

O professor de medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Anastácio Queiroz, diz que a inflação monetária é inferior a inflação tecnológica da área da saúde

Por Daniel Rocha

Anastácio Queiroz afirma que o Estado deve investir na educação continuada dos profissionais e em tecnologias de comunicação (Foto: Diego Camelo/O POVO)

 
Os problemas relatados por Jacinta não são exceção. Milhares de brasileiros que dependem do SUS passam por essas dificuldades na busca por atendimento. O professor de medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e ex-secretário de saúde do Estado, Anastácio Queiroz, frisa que a qualificação de todos os profissionais envolvidos no sistema é a melhor solução para conseguir alcançar o patamar desejado: sistema de qualidade e universal. Na visão dele, gerenciar o sistema de saúde é difícil devido a sua complexidade de serviços e pela divisão de responsabilidades entre os órgãos governamentais.


 

Ao ser questionado sobre quais eram as principais medidas que poderiam mudar de forma significativa o quadro do sistema de saúde, Anastácio apontou a educação continuada - com o intuito de aperfeiçoar os conhecimentos dos profissionais - e a implementação das mídias tecnológicas para agilizar eficácia do atendimento. Além disso, o professor enfatizou que, diferente de outros setores, a inflação do serviço de saúde é maior do que a inflação monetária, o que polemiza ainda mais a PEC 55.
 
 
O POVO Online - Dentre os problemas presentes no sistema de saúde, o mais relatado pelas pessoas são as longas filas de espera para o atendimento em determinadas especialidades. Como solucioná-las?
 

Anastácio Queiroz - Os municípios têm que resolver as demandas de atenção primária da população e isso engloba problemas de todas as especialidades. Se a pessoa tem um problema ortopédico, ela precisa ir sempre a um ortopedista? Claro que não. Se for assim ninguém vai caminhar. Todo paciente com diabetes, por exemplo, que não é bem controlado, ele termina em uma fila nos hospitais para se internar porque teve uma complicação. Então, acho que deve ter um investimentos importante para resolver os casos o quanto antes. Que a atenção primária não seja apenas para encaminhar pacientes ou para resolver praticamente nada. Quanto menos eu resolver no início, mais doentes irão para as filas e corredores. Aí você pensa: será que faltam leitos ou os casos não estão sendo solucionados onde deveriam?
 

OP - Qual o tipo de investimento que deve ser aplicado?
 

AQ - Investir nas mídias de comunicação é um dos investimentos. O ideal é que os hospitais de referências, para onde os pacientes (de um modo geral) são encaminhados, devem se comunicar com outras unidades do interior. O médico do município do paciente se comunica com o médico da capital para falar do caso. O profissional vê o quadro do doente e trocam informações. Há casos que nem precisa transferir. Isso tem que ser investido. Em relação aos exames, por exemplo, você faz uma tomografia e em alguns locais demora duas semanas para ter o resultado. Hoje, em vários locais do mundo, os médicos dão o laudo nas suas casas. Nos grande hospitais de emergências dos EUA, os laudos da tomografia e das ressonâncias são dados na Índia. O radiologista do hospital “X” escolhe o radiologista de outra localidade e, em duas horas, o laudo está no prontuário. Isso pode ser feito aqui, mas para isso precisa de uma decisão administrativa sobre esses casos porque não se justifica você fazer uma tomografia urgente de um paciente e demorar duas semanas para sair o laudo. Isso é inadimissível e totalmente solucionável. Reduziria tempo e custo. Todas as questões de saúde podem ser resolvidas dessa forma? Não. A maioria, sim.
 
 
OP- Você ressaltou que muitos casos simples se tornaram complicados por não terem sido solucionados no primeiro atendimento. Então, quais são as medidas para evitar essas complicações?
 
 
AQ- Fortalecer a Atenção Básica por meio de uma educação continuada de qualidade é uma saída. Todo profissional tem que estar sempre estudando porque tem assuntos novos para serem aprendidos. Isso ainda é um ponto falho no sistema de saúde. Você não pode exigir que um médico ou qualquer profissional de saúde assista uma aula à noite porque não está no horário dele. Mas, com as mídias digitais, você pode rotineiramente ter uma educação continuada por meio de aulas ministradas por profissionais qualificados. Os conteúdos podem ter uma duração de uma hora por semana. E todo posto de saúde tem um computador e um data show e você põe aquela imagem que vai falar sobre um determinado tema. Seja sobre crianças com zika, dengue ou hipertensão. Essa medida não vai trazer nenhum malefício para a comunidade e com certeza vai trazer benefícios porque você não consegue oferecer uma assistência de qualidade com profissionais que não sejam de qualidade. Isso em toda área. Então, eu acho que deve haver esse tipo de investimento também.
 
 
Implementação de protocolos também irá trazer qualidade ao serviço. Você chega para ser atendido de uma determinada doença. Se você for um profissional que conhece o caso, não precisa do protocolo, mas há aqueles que estão chegando e que não conhecem e, por meio dos documentos, vão saber quais exames devem ser solicitados. Isso é bom porque os pacientes vão ser atendidos no mesmo nível. Economiza tempo e custos, além de tornar o atendimento mais resolutivo. Você não resolve problema se não tiver profissionais qualificados. O serviço tem que ter a parte técnica e a humana qualificadas. Se conseguir juntar essas duas, o sistema de saúde melhora de uma maneira fundamental. Isso acontece hoje? Na maioria dos casos, não.
 

OP - Devido a complexidade do sistema de saúde, é difícil saber se algumas ações de melhora estão sendo eficazes. Que tipo de planejamento ou trabalho os gestores de saúde podem realizar para ter uma visão ampla da qualidade do serviço?
 
 
AQ- Ouvir a população, ouvir profissionais e fazer uma filtragem para ver como solucionar isso. Uma das coisas que a gente não faz no sistema de saúde é a avaliação da qualidade do atendimento e da quantidade. Eu acho que temos que trabalhar muito nisso. O ideal é que tivesse uma equipe avaliando as condições de cada paciente. Ele chegou naquela unidade de saúde porque teria chegado de qualquer modo ou houve alguma falha desde o momento do atendimento ao encaminhamento? Se você tiver resposta para cada paciente, fica mais fácil desenvolver uma solução.
 

OP- Por que os gestores não pensam nessas soluções e buscam executá-las?
 

AQ - Todos os profissionais que estão envolvidos no gerenciamento do sistema sabem onde estão as falhas, mas não trabalham com a ênfase necessária devido a uma série de fatores: políticos e corporativos. Se você anda pelo interior, você vai encontrar secretários de saúde de padrão “x” e padrão “y”. O secretário vai duas vezes na semana para o município (vamos supor que isso aconteça). Isso nunca vai funcionar direito. Como pode não funcionar com os prefeitos. Muitos do interior moram em Fortaleza. Para que isso não aconteça, é preciso ter um critério mínimo para selecionar gerentes e secretários. Algumas pessoas, que ocupam esses cargos, não têm como foco principal do seu trabalho a população.
 

OP - A proposta de emenda à constituição de nº 55, que foi aprovada no fim de 2016, visa congelar os gastos públicos, inclusive da saúde. Essa medida vai implicar no progresso do SUS ou o problema do sistema está no gerenciamento dos seus gastos?
 
 
AQ- Você paga o convênio de saúde. Todo ano aumentam mais do que a inflação monetária. Se a inflação for 5%, o governo federal autoriza a Agência Nacional de Saúde (ANS) aumentar a inflação do orçamento dos planos para 12% porque existem dois tipos de inflação: a monetária e a tecnológica. Quando eu me formei, não existia ultrassom, tomografia e tinha só quatro antibióticos. Hoje, temos mais de 50. Não tinha tratamento de câncer adequado. Toda essa evolução encarece o serviço. Isso não quer dizer que não tenhamos problemas de gerenciamento. Mas, o problema de gerenciamento vai ser menor quanto tiver um critério para seleção de secretários e gerentes, a presença de profissionais qualificados e treinados. Isso vai reduzir os desperdícios.

SUS: uma conquista democrática

Paulo Capel revisita a origem do SUS e afirma que o problema do sistema, sobretudo, não é de gestão, mas de financiamento

Por Daniel Rocha

Para Paulo, os brasileiros devem valorizar o SUS por ter um significado importante para a democracia do Brasil (Foto: Marcos Santos/USP)

Apesar dos problemas, a implementação do Sistema Único de Saúde (SUS) em 1988 significou um ganho social significativo para os brasileiros a partir do momento que garantiu constitucionalmente a saúde como um direito de cada cidadão. Antes do seu surgimento, apenas as pessoas que contribuam com a previdência social tinham direito ao sistema de saúde. Um percentual significativo de trabalhadores urbanos informais e rurais ficavam excluídos do benefício. Além desse fator, o sistema contava com uma carência de recursos, correspondente a 2% do PIB, para a sua manutenção.

 

“A assistência era restrita aos trabalhadores com carteira de trabalho e seus dependentes. Os demais, os não empregados, eram considerados 'indigentes' e dependiam de entidades filantrópicas e da caridade”, explica o doutor em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP), Paulo Capel, ao O POVO Online.
 

Diante dessa realidade, agravada pelo contexto e político que o País atravessava durante a ditadura militar, grupos de profissionais de medicina começaram a se organizar para discutir a saúde pública e pensar novas práticas sanitárias. ”Era um cenário institucional inadequado e não havia garantia legal da saúde como direito. A decisão de criar o SUS resultou de um acordo político histórico entre os parlamentares que defendiam a unificação da saúde em um único sistema, reconhecendo a necessidade de dotar o Brasil de um sistema de saúde que viabilizasse, ainda que no contexto do capitalismo contemporâneo, o acesso universal a esse direito elementar, como parte de um sistema de proteção social indispensável ao País”, descreve Paulo.

 

A garantia do acesso universal à assistência não foi a única mudança. O próprio entendimento sobre a saúde mudou no Brasil e no mundo. Antes, acreditavam que a saúde restringia em ações voltadas para o tratamento de uma enfermidade. O conceito também era expandido a partir dali. Ao invés de tratar, os países entraram em um consenso que era preciso prevenir e promover a qualidade de vida aos cidadãos. De acordo com Paulo, estudos e pesquisas mostram que investir na prevenção ao invés na reabilitação é mais eficaz e tem custos menores. “A ênfase em ações de atenção primária à saúde, focadas em promoção da saúde e prevenção de doenças, diminuindo em termos populacionais a necessidade de ações hospitalares, não é apenas eticamente adequada, mas economicamente desejável”, enfatiza.
 

O SUS oferece uma assistência de saúde universal (Foto: Mauri Melo/O POVO)

 

Com todas essas mudanças positivas, Paulo acredita que a implementação do SUS é uma conquista democrática para a população devido a sua proposta de ser um sistema universal e por ter sido pensada em uma época de repressão política. Após esse ganho, tornou-se dever do Estado prover o acesso “ordenado e organizado aos sistema de saúde”, “tratamento adequado e efetivo ao seus problema”, atendimento humanizado e o comprometimento de gestores para que suas garantias sejam mantidas aos cidadãos brasileiros. Entretanto, essa função é exercida parcialmente, tendo em vista dos problemas enfrentados pelos que dependem do SUS.


Gerir um sistema de saúde não é uma tarefa simples, principalmente, em país continental com várias realidades socioeconômicas e ambientais como o Brasil. A complexidade deve-se ao fornecimento de toda uma estrutura e assistência para o cidadão desde o seu nascimento até a sua morte, lidando com as condições econômicas e políticas. O caso do SUS não foge a regra. São inúmeros fatores que impedem a efetivação integral de sua proposta. Capel cita a falta de prioridades das autoridades em diversos níveis governamentais, a falta da valorização em ações de promoção à saúde e prevenção de doenças por parte da população e os baixos recursos, inferior até de países sul-americanos, como Argentina, Chile e México, como um dos principais empecilhos para garantia da eficiência do sistema.


“Enquanto os países investem, em média, aproximadamente 9% do PIB em saúde, nós seguimos em torno de 7%. Mas se a média do gasto público dos países é 6,7% do PIB, no Brasil é de aproximadamente 3,5%. Com o padrão de financiamento dado ao SUS pelos governos brasileiros nas últimas décadas, o desempenho do sistema pode ser considerado muito bom. Mas, apesar desse bom desempenho de gestão, a população se depara, em suas necessidades assistenciais cotidianas, com muitas e graves deficiências”, afirma o doutor.
 

Investimentos na área da saúde ainda são baixos se comparado com outros países, de acordo com Capel (Foto:Mauri Melo/O POVO)


Além disso, ele descarta a possibilidade de má gestão e incompetência  como a origem dos problemas existentes. “Divirjo dos que consideram que há recursos e que essas dificuldades seriam decorrentes de má gestão e incompetência. Não são. Faltam recursos para financiar minimamente o nosso sistema público. Sem mais recursos, não há mágica que possa fazer o sistema melhorar. As pessoas não querem o fim do SUS, querem um SUS melhor”, enfatiza Paulo. 


Modelo para o mundo
Mesmo com todas os problemas, a população brasileira tem o que comemorar em relação ao SUS. No sistema, há áreas que são exemplos para outros países, nas quais recebem constantemente visitas de especialistas e autoridades estrangeiras para conhecer a organização e estrutura das ações. O programa de imunização, que apresenta níveis de cobertura maiores do que países desenvolvidos, de transplantes, de controle da AIDS, saúde mental e bucal. “O SUS realiza, todos os anos, algo em torno de 2,1 bilhões de ações e operações de média e alta complexidade, dentre as quais mais de 2,5 milhões de partos e aproximadamente 25 mil transplantes de órgãos por ano, cerca de 95 % pelo SUS”, destaca.


Paulo destaca algumas conquistas alcançadas pelo trabalho dos profissionais de saúde que devem ser valorizadas pela sociedade, como o controle de epidemias. “Dentre as conquistas do SUS, muitas, por bem-sucedidas que foram, sequer viraram notícias, como o enfrentamento e controle da última epidemia de cólera que nos anos 1990 atingiu o continente sul-americano. Chegou-se a estimar a morte de milhões de brasileiros nas regiões Norte e Nordeste, mas as ações do SUS, com seu 'exército' de agente comunitários de saúde venceu a epidemia”, afirma. Ele ressalta que são essas ações que conseguiram eliminar a poliomelite e o controle do sarampo  devem ser reconhecidas pela sociedade. “Não é percebido e, portanto, não é reconhecido pela sociedade. Invisível, não vira notícia. Mas funciona, é eficaz, evita dor, sofrimento e morte”, conclui.

Tratamento contra o HIV/Aids no Brasil é referência mundial

O Brasil se destaca nas ações no combate contra o HIV/Aids. O País produz seus próprios medicamentos e oferta de forma gratuita assistências de tratamento e de prevenção

Por Daniel Rocha

O Hospital São José é referência no tratamento contra HIV/Adis no Ceará (Foto:Humberto Mota/O POVO)


Apesar do desafios presentes dentro do SUS, o sistema tem aspectos dignos de comemoração. O tratamento contra o HIV/Aids, por exemplo, é referência mundial devido a assistência gratuita ofertada aos pacientes soropositivos e todo o trabalho de profilaxia prestado à sociedade. De acordo com a diretora clínica do Hospital São José, Christiane Takeda, o Brasil tornou-se referência mundial na mobilização de investimento para desenvolver medicamentos e fornecer tratamento contra a doença.


“A gente começou a produzir no Brasil as drogas, no início dos anos 2000. O governo ofertou a tecnologia para produzir os seus antirretrovirais para quem quisesse produzir em seu país. E, paralelo a isso, fomos os pioneiros a ofertar o tratamento gratuito pelo SUS”, contou Takeda ao O POVO Online. Assim como a diretora, muitos especialistas não conseguem explicar o porquê de tanto investimento e mobilização para o combate da Aids já que não viram iniciativa semelhante com outras doenças.


“A Aids é uma doença bastante interessante porque foi um fenômeno na saúde pública. O que se conseguiu fazer com a Aids talvez leve um tempo para que se consiga fazer o mesmo com outra doença. O Brasil encarou de frente com isso”, afirma.

 

Devido a essa mobilização, o País desfruta de ter conseguido controlar a doença e torná-la prevenível. O SUS fornece programas de profilaxia de pós-exposição, paras as mães soropositivas, para as pessoas que se expõem sexualmente e por material biológico.
 

Mas esse investimento não é por caso. É muito mais barato fornecer assistência para um paciente soropositivo para que ele possa controlar o vírus e poder exercer suas funções sociais. Essa medida minimiza as chances do paciente ser internado e de precisar de medicamentos mais caros. “Há um ganho a nível de SUS, para a economia e para a vida do paciente”, ressalta a diretora.


É claro que esse pensamento persiste até os dias de hoje. Em 2015, o SUS passou a ofertar o programa de tratamento e diagnóstico de HIV/AIDS para qualquer paciente portador do vírus, independente do nível da sua imunidade. A medida é baseada em pesquisas internacionais que apontam na proteção do paciente a longo prazo. “Eu consigo proteger o paciente dos problemas não infecciosos do vírus, como a lesão da parede do vaso cardíaco, lesão renal, demência precoce e a imunodeficiência”, explica Christiane. De acordo com a diretora, o tratamento precoce consegue inibir a multiplicação do vírus, desacelerando o processo inflamatório, responsável por desencadear esses sintomas. 

 

Ações que vão além da medicação
Além da distribuição do remédio, da realização dos exames e do atendimento clínico, os pacientes também são atendidos por assistentes sociais, psicólogos e pelas ações de Organizações Não Governamentais (ONGs) para ajudá-los a quebrar barreira ou aderir ao tratamento. Essa assistência é tão importante quanto as consultas com os infectologistas. Há muitos pacientes que chegam nas unidades de atendimento carregados de preconceito em relação ao vírus ou à doença.
 

Projetos e grupos de apoio em parceria com o Hospital São José ajudam os pacientes a aderirem ao tratamento(Foto: Matheus Dantas)


“Quando o resultado é positivo, a gente costuma dizer ao paciente que ele não deve desfazer de seus plano, pois o HIV é completamente controlável. Já para os pacientes com Aids, informamos que em uma média de um a dois meses ele vai estar melhor”, afirma.

 

As pacientes Anny Santos e Margarida Oliveira precisaram da assistência psicossocial para aceitar a doença e seguir com o tratamento. Cada uma possui um história diferente, o que demanda um atendimento especializado. Consultas com psicólogos, assistentes sociais e reunião nos grupos de apoio ajudaram essas mulheres a enfrentar o preconceito do HIV/Aids e a compreender a importância do tratamento. 

 

Margarida faz sessões com psicólogos a cada dois meses (Foto: Matheus Dantas)

 

Margarida Oliveira, por exemplo, descobriu que é portadora do vírus do HIV, quando o seu marido foi diagnosticado com Aids em 2007. Na época, ela não sabia muitas informações sobre a doença e a descoberta foi um choque. “Eu lembro que chorei muito. Foi muito difícil no início”, contou. O seu esposo ficou hospitalizado e em pouco tempo se recuperou dos sintomas da doença, mas em 2016 faleceu por não ter dado continuidade ao tratamento e por consumir bebidas alcoólicas constantemente.


Ela elogia a assistência que os profissionais de saúde ofertam aos pacientes. De acordo com Margarida, durante as suas consultas, os infectologistas tinham o cuidado de explicar a lógica do tratamento, em que situação se encontra e os seus riscos. “Eu fiz uns exames e detectou que eu poderia ter a tuberculose. Por conta disso, passei por um tratamento de seis meses para não ter a doença”, detalha a paciente.


Devido a reviravolta que a sua vida tomou, Margarida faz a sessões com psicólogos e também faz parte da Associação dos Voluntários do Hospital São José para superar seus medos e a depressão. Quem a encaminhou para esse tratamento à parte foi o infectologista que viu a necessidade dessa assistência. Hoje, ela faz sessões com os psicólogos a cada dois meses e também participa de reuniões de ONGs que trabalham com os portadores do vírus HIV. “Eu tive acesso a esses serviços por meio de colegas e também por meio do Hospital São José”, conclui.

 

Diferente de Margarida, Anny Santos descobriu que era portadora do vírus quando já tinha desenvolvido a Aids. Ela chegou a ter complicações na saúde em decorrência dos sintomas. Antes do diagnóstico, ter HIV ou Aids era uma possibilidade remota para ela. “Eu tive neurotoxoplasmose, tive Acidente Vascular Cerebral e aí não conseguia falar porque a minha boca ficou torta. Perdi a visão periférica do olho esquerdo”, explica. Por conta dessas complicações, a aposentada não tem mais habilidade para mexer no computador, nem consegue caminhar como antes.


Anny Santos faz parte dos grupos de apoio que são parceiros do Hospital São José (Foto: Matheus Dantas)

 

Mas apesar dessas limitações, Anny não abriu mão de aproveitar a vida. “Eu não consegui ficar em casa. Feito uma coitadinha. Hoje, eu vivo a vida com mais responsabilidade e com mais vontade de viver”, disse ao O POVO Online. Ela destina o seu tempo às reuniões dos grupos de apoio para os portadores do vírus HIV que são parceiros do Hospital São José. “O primeiro grupo foi o grupo Girassol”, comenta.


Este grupo faz parte da Associação dos Voluntários do Hospital São José e oferece apoio emocional aos pacientes durante todos os dias da semana. “Eu fiz muitas amizades e foram esses laços que me fortaleceram ainda mais porque eu tinha muitos amigos, mas a maioria se foi, quando descobriram que eu estava com Aids”. afirmou.
 

Tanto Anny quanto Margarida conseguiram enfrentar e ainda estão enfrentando os seus medos em relação ao HIV/Aids graças ao trabalho da equipe médica junto com a assistência psicossocial. Além disso, elas também ajudam outras pessoas a driblar o seu preconceito e compreender de que é possível ter uma vida normal sendo soropositivo.
 

Profilaxia para outras doenças
Por se tratar de uma doença sexualmente transmissível, os profissionais do Hospital do São José, assim como em outras unidades que ofertam o tratamento, realizam medidas de profilaxia para outras doenças, como Sífilis, Hepatite B, Gonorréia e Clamídia. A equipe entende que esse momento é uma oportunidade para proteger o paciente e encerrar o ciclo reprodutivo da doença.
 

“Na Internet, só está propagado a profilaxia ao HIV e não fala das outras doenças. Então, há uma falsa crença que ao chegar no São José, você vai só pegar o remédio (antirretroviral para os soropositivos ou para aqueles que foram expostos ao risco de contrair o vírus) e ir embora. Há uma outra parte tão importante quanto o diagnóstico do HIV”, enfatiza a diretora. Segundo ela, essa medida traz um benefício significativo a nível de saúde pública.

Índice de mortalidade materna de Fortaleza fica abaixo da meta estabelecida pela ONU

A Prefeitura de Fortaleza conseguiu atender a meta estabelecida ao Brasil pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, da Organização das Nações Unidas (ONU)

Por Daniel Rocha

Fortaleza conseguiu diminuir pela metade a taxa de mortalidade materna (Foto: Mauri Melo/O POVO)

Segundo os dados da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza, os índices da mortalidade materna cairam pela metade de 64,4 óbitos para 100 mil nascidos vivos em 2014 para 31,4 em 2015. O resultado está abaixo da meta estabelecida ao Brasil pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), da Organização das Nações Unidas, que exige do Brasil uma taxa de 35 por 100 mil nascimentos até o fim de 2015. A assessora técnica da Rede Cegonha da capital, Adriana Melo, informou ao O POVO Online que nos últimos anos houve grandes investimentos para melhorar a qualidade do serviço às gestantes desde a primeira consulta até o parto.


“Nos últimos cincos anos, o Ministério da Saúde tem realizado grandes investimentos para melhorar a qualidade do serviço para as mulheres”, disse Adriana. O pré-natal, o parto e os exames foram principais pontos de investimento para que o serviço surtisse o efeito desejado. Segundo ela, toda gestante atendida pelo SUS tem que ter no mínimo sete consultas durante a sua gestação. Com isso, a Prefeitura de Fortaleza teve que ampliar a sua cobertura de atendimento, pulando de 35% para 50%.


A redução de mais de 50% é um ganho significativo para os fortalezenses, pois o índice de mortalidade materna, assim como a infantil, é parâmetro para saber a qualidade de vida de uma sociedade. O dado trata-se de um reflexo do nível socioeconômico de uma população, a qualidade do serviço de saúde, investimentos políticos voltados para a promoção da saúde pública e fatores biológicos. “A gente comemorou muito porque chegamos a um nível 'aceitável'. Se bem que nenhuma morte é aceitável, mas conseguimos atender a uma exigência da ONU.”, diz a assessora.
 

A Secretária Municipal de Saúde adotou várias medidas preventivas para proteger as gestantes dos riscos de morrer (Foto: Sara Maia/O POVO)

 

Apesar de não ser ainda o padrão dos países desenvolvidos que têm uma taxa de 20 por 100 mil nascimentos, a redução de 50% mostra que os investimentos estão sendo eficazes. Segundo Adriana, houve uma ampliação ao acesso dos exames e aos resultados em tempo oportuno, aumento no número de profissionais nas unidades de atenção às gestantes e melhoria na qualidade do pré-natal. Além disso, foi implantadas medidas simples, mas que trouxeram bons resultados. A assessora garante que toda gestante sabe em qual maternidade irá dar a luz desde o início do pré-natal. As unidades são escolhidas de acordo com o endereço da paciente.


Ao chegar às unidades de atendimento, as grávidas não são mais atendidas por ordem de chegada e sim passam por uma triagem para saber qual o seu grau de risco. Essa é uma forma de priorizar o atendimento dos casos mais delicados. Além disso, implementaram o direito ao acompanhante. Adriana conta que nove das 10 maternidades do SUS em Fortaleza asseguram o direito ao acompanhante durante as consultas, no parto e no pós-parto.
 

A estrutura de algumas maternidades de Fortaleza carece de reformas (Foto: Mauri Melo/O POVO)

 

Os médicos também são orientados a seguirem algumas recomendações baseadas em pesquisas científicas durante o parto. Não separar a mãe e o bebê após o nascimento, o incentivo a amamentação de imediato após o parto e o corte do cordão umbilical em até três minutos após o nascimento são exemplos das recomendações seguidas pela equipe médica. “A gente buscou cercar as gestantes de vários cuidados para que a gente pudesse ao máximo protegê-la de diversos riscos”, afirma.


Mesmo com essas medidas que trouxeram resultados significativos para a saúde da mulher, as maternidades de Fortaleza possuem uma estrutura que ainda deixa a desejar. Os locais necessitam de reformas para potencializar a qualidade do serviço. “Infelizmente, a gente não conseguiu ampliar as maternidades como desejamos. Mas temos perspectiva de que nos próximos anos as unidades irão entrar em reforma. A intenção é de que todas as maternidades tenham um ambiente confortável desde o atendimento até a sala de parto”, ressalta.

Vacinação contra o HPV: Uma conquista no combate ao câncer

A vacina contribui para a diminuição de casos de câncer de colo de útero, o terceiro tipo de maior incidência

Por Daniel Rocha

O vírus HPV é uma das principais causas do câncer de colo de útero (Foto: Camila de Almeida/O POVOl)

Uma das doenças que mais mata os brasileiros é o câncer. São vários tipos e causados por vários motivos desde a alimentação a questões genéticos. O Brasil ainda está caminhando para ofertar uma assistência de referência, como ocorre na HIV/Aids, na área de oncologia, mas já conseguiu conquistas significativas. Em entrevista ao O POVO Online, o oncologista e coordenador do Comitê Estadual de Controle do Câncer no Ceará, Luiz Porto, destaca que dos anos 1980 para cá a maior conquista foi a distribuição de vacinas para as meninas contra o papilomavírus humano, conhecido como HPV.

 

“Em 1979, fomos aos Estados Unidos e vimos os serviços naquele país. Quando chegamos ao Ceará, ficamos muito frustrados. A maioria dos casos era incuráveis”, relembra o oncologista. Diante da realidade, o governo brasileiro começou a criar projetos para o combate ao câncer. Foi nessa época que foi criado o Sistema de Informação do Câncer (SISCAN) que visa universalizar as atividades de controle da doença por todo território brasileiro. “Uma das grandes conquistas no controle de câncer no Brasil foi os avanços da vacinação contra o HPV. Se não a maior”, destaca Luiz. 
 

O Governo expandiu a vacinação contra o HPV para os meninos de 12 e 13 anos (Foto:Divulgação)

 

Segundo as informações do Ministério da Saúde, a vacina contra HPV foi incluída no Calendário Nacional de Vacinação do SUS em março de 2014. O público-alvo dessa medida são as meninas de 11 a 13 anos. No ano posterior, a distribuição foi expandida para as meninas de 9 a 13 anos. A iniciativa trata-se de uma prevenção contra o câncer de colo de útero, o terceiro tipo com maior número de casos no País, segundo os dados do Instituto do Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA).

 

Neste ano, o Ministério de Saúde expandiu a cobertura das vacinas para os meninos de 12 e 13 anos pelo SUS. A inclusão visa diminuir a circulação do vírus na população, diminuindo os casos de câncer de colo de útero nas mulheres. Além disso, a medida pode proteger o novo público-alvo dos câncer de pênis, garganta e ânus. A iniciativa segue as orientações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e da Sociedade Brasileira de Pediatria.
 

SUS: dilemas e conquistas