Uma das imagens-símbolo de 2015 mostra a lama tóxica carregada na maior tragédia ambiental da história brasileira e atingindo o mar. Um navio navega no oceano ainda cristalina, enquanto se aproximam as águas turvas da destruição. A foto está na capa deste especial de fim de ano, como metáfora de um divisor de águas, duas faces de uma mesma realidade. Um ano, sim, de crises e tragédias. Mas, que também teve o que comemorar.

Nesta edição especial, O POVO lança olhar, principalmente, para notícias de 2015 que merecem ser guardadas na memória. Foi o ano em que Fortaleza encontrou novas formas de se deslocar. O ônibus virou prioridade e a bicicleta virou moda. A epidemia de sarampo foi erradicada. Nas estradas, o número de acidentes diminuiu. E, mesmo sem o balanço final de 2015 está fechado, tudo se encaminhava para a primeira redução do número de homicídios desde 1998. Apesar de terminarem mal o ano, Ceará e Fortaleza foram campeões. Embora tenham servido para agravar as crises, a operação Lava Jato e as investigações na Fifa serviram para colocar a nu a corrupção endêmica que estava instaurada.

O ano foi, também, de crises, na política, na economia, na saúde pública. A seca, o drama dos refugiados, o terrorismo.

Porém, 2015 não foi ano só de crises. O ano teve momentos dramáticos, que não podem ser esquecidos, até para que os responsáveis sejam responsabilizados e cobrados. Mas, teve também o que celebrar e merece ficar na memória.

Assunto de 2016

AS OLIMPÍADAS DO BRASIL

Em agosto, o Rio de Janeiro será local de momentos históricos nos Jogos Olímpicos de 2016. Difícil é pensar agora quais serão estes momentos. Há risco de vexame na organização; há preocupação com terrorismo. O Comitê Olímpico Internacional diz que a crise política e econômica do País afeta o evento. Enquanto isso, estrelas como o velocista Usain Bolt, os tenistas Roger Federer e Novak Djokovic e o jogador de basquete LeBron James prometem vir e emocionar o público. Já os astros brasileiros - da natação ao vôlei, do judô ao futebol - caminham em clima de incerteza sobre quão fortes podem se fazer para lutar por medalhas.

Ana Flávia Gomes, editora adjunta de Esportes do O POVO

ASSUNTO DE 2016

ELEIÇÕES EM TEMPOS DE CRISE

O calendário político de 2016 reserva capítulo especial ao processo sucessório nos municípios, especialmente em Fortaleza, a despeito de ser concreta a perspectiva de termos por mais algum tempo de conviver com a operação Lava Jato e seus efeitos devastadores. A disputa pelo Paço merecerá acompanhamento atento, diante do cenário de beligerância entre os aliados de antes, PSB (o grupo de Cid, Ciro e do atual prefeito, Roberto Cláudio) e PMDB (de Eunício Oliveira e do vice-prefeito Gaudêncio Lucena), e da indefinição da terceira grande força política estadual, o PT. O eleitor deve estar preparado para uma campanha dura, ao nível do que tem sido a política no Brasil e no Ceará.

Guálter George editor-executivo do Núcleo de Conjuntura do O POVO

ASSUNTO DE 2016

ANO DE GRANDES SHOWS

Dois shows internacionais prometem colocar 2016 na história dos grandes eventos musicais de Fortaleza, assim como 2013 ficou carimbado na memória dos cearenses como o ano em que Paul McCartney “botou boneco” na Arena Castelão. Em 24 de março, Iron Maiden se apresenta pela primeira vez em solo cearense. Na semana anterior, será a vez do Maroon 5, que, seis meses antes, já levava milhares de jovens a disputar ingressos como numa loteria. Para além das divisas do Estado, haverá shows no Brasil de Rolling Stones, Lionel Richie, Simply Red e Coldplay.

Cinthia Medeiros, editora-executiva de Cultura e Entretenimento do O POVO

ASSUNTO DE 2016

ECONOMIA SEGUE EM CRISE

Nada mais arriscado que fazer previsões neste cenário de incerteza política e econômica juntas. A economia parece sem rumo, o ajuste fiscal desajustado, as metas fiscais dobradas e desdobradas, o PIB a cair, a inflação e o desemprego a subir. A recessão de 2015 deve permanecer em 2016. Em verdade, deve piorar. Diante da tragédia, sem entrar nos detalhes jurídicos, parece ser o impeachment ou uma renúncia a saída mais racional e rápida para que o País possa ganhar fôlego. Ou alguém acredita que à presidente Dilma seja possível reverter o desgaste político e assim tocar o ajuste? E, ao tempo em que vivemos um Fla x Flu ad eternum entre militantes & comissionados versus oposição rastaquera, o Brasil segue engessado, fora do jogo. Uma esperança: Nietzsche. Aquilo que não mata fortalece. Sim, vamos sobreviver. Cheios de arranhões. Mas sairemos melhores disso.

Jocélio Leal, Editor-executivo de Negócios do O POVO

 

ASSUNTO DE 2016

O ANO BOM QUE A LAVA JATO RESUME

Há um País que sai diferente no seu ambiente político em 2016. Se melhor ou pior, só o tempo será capaz de dizer, embora pareça um indicativo expressivo de avanço o fato de gente importante da elite política e econômica terminar o ano presa. Foram dias duros para todos, de surpresas, embates, vergonhas, mas também de fortes demonstrações de funcionamento da institucionalidade em meio a um ambiente que beirou o caos em muitos momentos. O período fez heróis, simbolizáveis em nomes como do procurador Rodrigo Janot e do juiz Sérgio Moro, e vilões, personificáveis nas figuras da presidente Dilma Rousseff e do deputado Eduardo Cunha. Foi um ano positivo, se visto na perspectiva das marcas que deixa para formar a base de construção de uma sociedade sem privilégios ou privilégios. Nesse aspecto, exageros à parte, vive a operação Lava Jato!

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