Toda história de amor é uma grande história

O amor que está nas minúcias entrança esta série de narrativas publicadas pelo O POVO neste 12 de junho. Conta-se pela escrita dos acasos, por recados em papéis de bombons, canções em fitas cassetes, anotações no caderno da escola.

Quatro casais retratam o amor que está nos guardados do tempo, na memória que permanece, nas ingenuidades salvas. O amor que extrai o para sempre dos dias, tornando o viver maior – ainda que a vida seja, irremediavelmente, tão curta para todo o amor.

A paixão passa, o encantamento perde força e mesmo o corpo tem um fim. Do princípio ao derradeiro instante, ultrapassando dificuldades e se refazendo nas certezas, toda história de amor se mede pela intensidade como se viveu o efêmero. E não há idade, condição ou entendimento que seja limite: toda história de amor é uma grande história.

Dia dos Namorados

Prefácio

Capítulo 1 - O começo da festa

Depois de umas três semanas se falando pelo Facebook e se avistando entre uma aula e outra, eles resolveram atravessar o mais da vida juntos. Têm todas descobertas e todos os sonhos pela frente. E o amor que traçam como o início de tudo

Por Ana Mary C. Cavalcante (TEXTOS) Por FCO Fontenele (FOTOS)

 

Depois que viu Stefany cruzar a manhã, Luan tentou parar o tempo. Guitarrista da banda do colégio, ele se demorava nos ensaios para vê-la passar. Quando a banda acabou, o Facebook fez a ponte entre o olhar e o dizer. “Eu me interessei, ela também. Depois de umas três semanas, resolvi ter uma coisa séria porque, tipo, a gente tava se gostando muito”, ele demarca.

O frentista Luan Moreira Batista, 20 anos, e a estudante Stefany da Silva Oliveira, 15 anos, namoram há um ano e sete meses. É o primeiro namoro sério dela. E é a primeira vez que ele conhece a família de uma namorada – incluindo o irmão de Stefany, Arthur, três anos, que virou melhor amigo. Sthefany já sabe que Luan tem carisma e compromisso; Luan acha bacana a sinceridade dela.

Foto: FCO FONTENELE
O frentista Luan Moreira Batista, 20 anos, e a estudante Stefany da Silva Oliveira, 15 anos, namoram há um ano e sete meses. FOTO FCO FONTENELE


Eles vivem as descobertas e os sonhos. “Tipo, a gente já sabe quantos anos faltam pra se casar e qual o lugar que vai viajar”, afirma Luan. São uns cinco anos, calcula Stefany, até ela se formar e juntarem dinheiro para morada e o mundo. Por enquanto, se encontram às sextas e aos sábados, com hora marcada porque todos dormem cedo na casa de Stefany.

A família pondera, o trabalho e o estudo pesam. Eles discutem, têm temperamentos e gostos “iguais e diferentes” em relação à vida, a músicas e a filmes. Aí, esperam que o universo se encarregue das pazes. Simples assim. “E fizemos um acordo: eu não assisto anime (desenhos japoneses), e ele não assiste romance”, sublinha Stefany.


Juntos, curtem histórias de ação, terror e “de herói”; a maratona de videogame; o grupo de jovens da igreja; os passeios em família. Eles se somam e se ampliam. Stefany ouve rock, aprende sobre futebol e sobre calma. Luan tenta ser mais organizado; e ela quer ainda que ele aprenda a dançar. A festa da vida está só começando.

Momentos especiais juntos. FOTO: ARQUIVO PESSOAL


Eles têm um “eu te amo” pela frente e se dispõem ao compromisso de fazer o outro feliz. Já entendem que amor é um tanto de renúncia e é a maior parte das escolhas. Luan costumava “sair muito: ia jogar bola com o pessoal, tomar milk shake” - até que se mudou para Stefany. “Quero fazer tudo, mas com ela”, completa(-se).

Que ele venha com a bagagem e os defeitos; Stefany sempre consegue outra vaga no carro dos amigos e mais espaço dentro de si: já não imagina as alegrias sem ele. “Depois que o Luan chegou, que vai pra praia, viaja com a gente, ficou muito melhor”.

Os dois salvam o hoje em cartas de amor, escrevem-se no caderno da escola para não se perderem de vista. A juventude é uma das margens da vida e eles querem atravessar até o outro lado. Stefany promete emagrecer ou engordar, se assim acontecer com Luan. E ele vai tentar dançar todas as danças do tempo.

Não importa a aparência, mas os sentimentos e as aventuras que terão quando alcançarem a outra margem da vida. Pensam em contar aos filhos (e, outra vez, a si mesmos) quando ele ia buscá-la na escola e as “coisas radicais” que farão. Luan vai lembrar como ele e Arthur eram tão parceiros, que o menino lhe deixava ficar com as jujubas e gelatinas. Quer ainda contar da lua de mel na Itália, onde assistirá aos jogos do Juventus. “Ele tem que me levar no parque do Harry Potter. E eu vou contar que ele fez isso… E, quando a gente estiver velhinhos, vou dizer: 'Olha, a gente passou por isso juntos!'”, abraça Stefany.

Foto: FOTO: ARQUIVO PESSOAL
Os dois estão juntos há mais de um ano. FOTO: ARQUIVO PESSOAL


ENTRELINHAS
Stefany e Luan, Guilherme e Izabel, Rafael e Nilton, Marília e Francisco são os casais que narram o amor em quatro capítulos. A concepção editorial e gráfica remete a um livro, imaginado e possível, que vai sendo escrito, ao longo da vida, por cada pessoa.

Os títulos dos capítulos também compõem metáforas. Foram elaborados a partir da definição que os casais experimentam do amor. Por vezes, o amor é uma festa, um par, uma música; por tantas outras (e indefinidamente), é aprender a dançar.




Capítulo 2 - O par na multidão

Para o amor, basta a coragem. Então, no reencontro, ela segurou a mão dele e ele lhe deu o caminhar. Já não havia distância nem espera, só a vida adiante. Juntos, unem possibilidades e inauguram realidades

Por Ana Mary C. Cavalcante (TEXTOS) Por FCO Fontenele (FOTOS)

 

Izabel completara nove anos e era a menor da turma quando se apaixonou por Guilherme, um meninote de 13 anos, que tinha um cachorro e quase um bigode. “Eu achava lindo o bigodinho nascendo!”, ela sorri o sorriso de quando ele entrava na sala de aula, em uma escola do Rio de Janeiro. E pediu Guilherme em namoro, afinal, para o amor, basta a coragem. Mas ele “achava ela muito criança”.


Então, 17 anos e mais de dois mil quilômetros separaram Izabel Chaves Lordelo, 35 anos, auxiliar de secretaria, e Guilherme Salles de Oliveira, 38 anos, auxiliar administrativo. Izabel se mudou para Fortaleza, formou-se em Letras e dançou durante uma década. Guilherme começou a trabalhar e participou de um grupo de namoro entre pessoas com deficiência, no Orkut. “Eu queria uma pessoa que gostasse de mim, me aceitasse do jeito que eu era”, espelha.

"Depois que comecei a namorar com ela, via uma mulher que ia ficar comigo pra sempre", assim é Izabel para Guilherme. FOTO: ARQUIVO PESSOAL


Izabel sempre gostou (ou nunca deixou de gostar). Ele era especial, ela define, porque podia fazer o que ela não conseguia. Quando se reencontraram, no acaso do Orkut, ela lhe declarou tudo de novo. Já não havia a distância; Guilherme também morava em Fortaleza. Já não havia a criança; Izabel “era uma mulher”, ele admirou. O que havia era a vida adiante. Então, no reencontro, Izabel segurou a mão de Guilherme e ele lhe deu o caminhar.


O casal tem paralisia cerebral em graus diferentes. Izabel perde o equilíbrio e, hoje, precisa da cadeira de rodas. Guilherme ficou com a coordenação motora comprometida. “Eu brinco que ele é minhas pernas e eu sou as mãos dele”, ela ultrapassa. Juntos, unem temperamentos distintos. “Sou sonhador, ela é pé no chão”, ele retrata. “A gente acaba se completando”, ela dialoga.


Com os filhos. FOTO: ARQUIVO PESSOAL


Eles formam um par na multidão; são um “sim” desfazendo o “não”. Casaram-se em 2010, têm dois filhos: um menino e uma menina que correram e brincaram esta entrevista inteira. Ao olhar um para o outro, percebem o essencial. “O amor é unidade, é estar com ela… Depois que comecei a namorar com ela, via uma mulher que ia ficar comigo pra sempre”, assim é Izabel para Guilherme. “Amor é companheirismo. Às vezes, eu nem sei que preciso de ajuda e, quando olho, ele está me ajudando”, assim é Guilherme para Izabel.

Aos 22 anos, ela soube de liberdade e leveza ao trocar o medo pela dança em cadeira de rodas. Foi parecido quando, aos 27, beijou Guilherme sob a lua cheia. Era o primeiro beijo de cada um e, desde quando se deram as mãos, inauguram realidades. Até pouco tempo, não saíam sozinhos pela dificuldade de locomoção de Izabel. Mas, depois daquele beijo, vão por caminhos que desconheciam: “Confia em mim”, afirma-lhe Guilherme.

Com ele guiando a cadeira de rodas e ela segurando os filhos nas mãos, vencem calçadas irregulares, cruzam a avenida Washington Soares, alcançam onde querem. Atravessando olhares de espanto, vivem o que há pra viver. Fazem as pazes de madrugada, dormem no abraço um do outro, têm um amor para contar.

Um amor que completa e conduz, desde quando Izabel se declarou para Guilherme, na infância: “Saí andando pela casa, uma sensação tão estranha… Porque sempre andei segurando nas paredes. Nesse dia, rodei a casa todinha sem segurar em nada e não caí, tamanha era a minha felicidade! Depois que cheguei no quarto, olhei e disse: andei isso tudo e não tomei um tombo?!”.

Diversão entre o casal. FOTO: ARQUIVO PESSOAL


ENTRELINHAS

Incluir todas as pessoas e os sentimentos do mundo em reportagens e palavras, talvez, seja a maior das utopias do jornalismo. Ouvir todas as versões da vida. Na prática dos dias, não há tempo nem espaço. Mas seguimos tentando alcançar as utopias.

Neste especial, a diversidade de casais foi nova tentativa de ouvir (e contar) as múltiplas possibilidades do viver. E quão fantástica é a trama da vida, ligando histórias distintas e tão semelhantes no que elas têm de mais humano: no amar.

 

 

 

Capítulo 3 - Quando Bethânia canta Roberto Carlos

Não houve pressa, nem por quês. Tudo já estava ali, em cada um: a paz, a conversa boa, a alegria, o encanto, o respeito, a amizade, a confiança, o perdão, a certeza. E um se mudou, aos poucos, para onde o outro sempre existiria

Por Ana Mary C. Cavalcante (TEXTOS) Por FCO Fontenele (FOTOS)

 

Amor não cabe em dicionários, calendários ou covardias. Amor pertence ao que se vive, ao que se ousa. Naquele sábado, Nilton nem planejava sair de casa e muito menos imaginava reencontrar Rafael, um rapaz meio “na dele” e que tinha chamado sua atenção, há pouco mais de um mês, em um aniversário entre conhecidos. Mas uma amiga insistiu e o levou à boate; e Rafael estava lá. Os dois passaram a noite conversando e, às duas da manhã, do dia 28 para o dia 29 de agosto de 1993, conta Nilton, deram-se as mãos. Até hoje.

Impossível esquecer o momento que deu todas as coragens ao farmacêutico Nilton César Weyne da Cunha, 46 anos. Dias depois, ele pediria o carro emprestado ao irmão e convidaria o arquiteto Rafael Rodrigues Lima Filho, 49 anos, para ir a um show. “Foram superações para a minha vida, para mim mesmo”, manifesta. “Quando vimos, estávamos namorando”, completa(-lhe) Rafael.

 

Com um ano de relacionamento, Nilton - que ama "para a vida inteira" - se mudou, aos poucos, para onde Rafael sempre existiria.FOTO: ARQUIVO PESSOAL

 

Não houve pressa, nem por quês. Tudo já estava ali, em cada um: a paz, a conversa boa, a alegria, o encanto, o respeito, a amizade, a confiança, o perdão, a certeza. Com um ano de relacionamento, Nilton – que ama “para a vida inteira” - se mudou, aos poucos, para onde Rafael sempre existiria. E Rafael – que foi “atropelado” por paixões - sempre soube que dividiria o apartamento e o viver com uma pessoa que se demorasse no amanhã. Então, quando Bethânia cantou Roberto Carlos, na fita cassete que Nilton lhe dera, Rafael sentiu: “É essa pessoa que eu quero para o resto da minha vida”. Nem por uma vez, tinha amado alguém assim.

Este amor conduz um aprendizado há quase 23 anos. Ninguém é perfeito, equilibra Rafael, e nem o mundo é o ideal; é preciso avançar além do que se vê ou do que se entende. “As pessoas foram se acostumando com a ideia de nós dois juntos. E, hoje, não nos veem separados”, atualiza Nilton. “Às vezes, a gente se apaixona mais. Às vezes, se afasta mais.

 

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

 

Quando sei que ele está menos apaixonado, começo a conquistar de novo”, cuida Rafael.

A cada dia ou ciúme, rotina ou diferença, extraem o que permanece e o que transforma. “As diferenças são grandes, mas o que a gente combina acaba sendo mais forte: os valores, que são os mesmos. A responsabilidade como ser humano, de ter caráter, de sermos muito família”, ele une. “Paixão é aquela coisa intensa e fugaz. Amor, não. Amor é aquela coisa que se constrói aos poucos e dura muito mais tempo”, alicerça Nilton.

Se tivessem filhos, contariam a eles essas importâncias e os educariam para “respeitar todos os amores”. Porque todo amor traz um conhecimento maior e único, que só se pode saber se amar. O amor significa. “O amor, pra mim, é essencial em qualquer etapa da vida”, assume Rafael.

Para Nilton, também inexistem ressalvas: um modo de reafirmar o amor é não negá-lo. E ele o tem exposto por escrito, em uma carta endereçada a Rafael, quando completaram um mês de namoro. E o tem em parte de si, indelével, na mudança do jeito de vestir ou de perceber os detalhes do belo que Rafael lhe mostra: “Conheço muita coisa que jamais conheceria se não fosse o Rafael na minha vida. E tudo o que conheço com ele é perfeito, muito bom. Eu não teria ido a Fernando de Noronha se não fosse o Rafael”. Assim são ainda as canções do tempo, que conhecem só porque o outro existe.

 

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

 

Entrelinhas
Amor não tem idade, raça, cor, gênero. (Amor-sentimento e não amor-palavra). É vão tentar limites assim porque o amor é, por natureza, amplo. Tem a vontade de todos os afetos e sonhos, do que é eterno. Ainda que aconteça a realidade e que os amantes sejam finitos.

Cada história de amor, escrita neste especial, contém o universal naquilo que é particular: no sorriso dado, no abraço recebido, no que foi salvo, no entendimento que muda. Venha de onde vier, seja no tempo que for, amor faz bem ao mundo.

 

 

 

 

Capítulo 4 - Dançar depois dos 70 anos

O frio na barriga, a batida do coração acelerado. Os truques que eles inventaram para driblar a vigilância e o tempo, para estar juntos. O beijo antes de dormir, a dança que dançaram. Mais clássico e atemporal, só o amor

Por Ana Mary C. Cavalcante (TEXTOS) Por FCO Fontenele (FOTOS)

 

No entardecer de Marília e Francisco, o amor brinca com o tempo. Corre até as férias de julho de 1956, quando ela era uma menina-moça de 13 anos e ele, aos 17, cruzou a tertúlia para convidá-la a dançar. “Aquele bolerozinho, de olhar um para o outro, dois pra lá e dois pra cá”, ela restaura. “Era tudo tão novo! A gente vai despertando para aquilo sem precisar de aula: o frio na barriga, o suor na mão, a batida do coração acelerado. Isso aí, ninguém ensina”, revive.


Na vigília das descobertas, estavam o pai da menina e uma época inteira. De modo que o primeiro beijo só se realizou dois anos depois daquele olhar: “Foi no dia 28 de junho de 58, na minha testa, numa tertúlia do Clube dos Estudantes Universitários. E eu chorei a noite todinha, com medo de ficar falada!”. Flertando com as memórias, os aposentados Glória Marília Medeiros Coelho, 73 anos, e Francisco José Lira Coelho, 77 anos, riem do passado. Talvez este seja o segredo de um amor que continua.


Eles são um par. Olham-se como naquele julho de 1956. FOTO: ARQUIVO PESSOAL


Para estar juntos, criaram truques: a quantidade de toques quando ele ligasse para ela; o recado no papel do sanduíche que a empregada doméstica, aliada, fazia chegar ao recreio; a mesma hora no dentista. “Por causa das dificuldades, os momentos em que ficávamos juntos eram valiosos… Ele passar no ônibus e eu ver, já serviu o dia!”, une Marília. Sentir o perfume que ele deixava na esquina, de tanto esperá-la aparecer a meio quarteirão, também era uma alegria.


Nessa ciranda, casaram-se em 1963, depois do Curso Normal e de ele passar no concurso do banco. Ex-aluna de colégio de freiras, ela sonhava “com o casamento. Era um misto de ansiedade, medo e imaginação!”. Os sonhos eram da mesma matéria do ingênuo. Podia ser uma viagem de ônibus ao Rio de Janeiro, uma receita nova de bolo, a casa arrumada ou o marido chegar do trabalho. “Talvez essa ingenuidade tenha sido bom para mim. Quem sabe?”, salva Marília.


FOTO: ARQUIVO PESSOAL


O certo é que o amor fez companhia. Vieram os três filhos e a renúncia necessária. Marília não cursou Medicina, que tanto queria e as amigas cursaram. Francisco deixou o hobby de radioamador porque “o rádio era na cabeceira da cama, chiava e ela reclamava um pouco”. Aconteceu de datas serem esquecidas, daquele presente não ser dado; ela quis que ele conversasse mais, ele desejou que ela reclamasse menos. Foi preciso separar o joio do trigo. E amar como da primeira vez.


Ao longo de 53 anos de casamento, os dois se apegam ao companheirismo. Preservam as individualidades – ele gosta de computador e piano; ela, de livros e novelas – sem se perder de vista. Viajam mar e terra. Começam uma festa: brindam o céu bonito com martini e whisky às dez da manhã. Preenchem-se um do outro na falta da filha que não amanheceu. Ela é o dizer do amor, ele é o beijo antes de dormir.


Eles são um par. Olham-se como naquele julho de 1956 e ela vê “a paciência e a gratidão” em Francisco. Para ele, ainda hoje, Marília “é bonita” e tem o riso e a conversa que o abraçam: “Está sempre do meu lado, me protege, me defende”.


Juntos, mantêm os truques para guardar o tempo: em uma caixa, abrigam anotações dos beijos escondidos, as matinês, aquela música. Vez em quando, remexem os pequenos guardados e vão ao encontro um do outro. Cruzam o entardecer para dançar depois dos 70 anos. Assim é o amor, para Marília de Francisco: uma dança “onde os participantes têm que ter os passos firmes e a harmonia tem que ser sincronizada e plena. Nessa dança, a gente vai encontrando o jeitinho para que esse amor não se acabe”.


FOTO: ARQUIVO PESSOAL


Entrelinhas
Cada história de amor nos conta como é possível haver o encontro e o para sempre, apesar das distâncias e do tempo. Mas é preciso arriscar, não tem outro modo de realizar o amor se não for amando. O que se guarda do amor é o amor que se vive. O que se diz do amor é o amor que se sabe.


Toda a história de amor cabe em um beijo. Ainda assim, todas as histórias de amor são imensuráveis. Desde que começam, nos levam para o próximo capítulo da vida. Que sejam eternas enquanto durem, desejam a poesia e o jornal.

 

 

 

Especial Dia dos Namorados

Toda História de Amor é uma Grande História. Veja as páginas impressas do especial